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sexta-feira, 21 de junho de 2013
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Interpretando a charge 14 - Pobre povo brasileiro: é roubado em bilhões e só protesta por R$ 0,20 (vinte centavos)
A charge do Nani é uma gaiatice visual que ajuda a gente a colocar em ação o velho adágio "rir pra não chorar". São Paulo ferve no caos, faz lembrar Atenas, Damasco, Paris, Cairo, etc. As pessoas têm o seu direito de ir e vir cerceado, se alguém morreu porque não pôde ser socorrido a tempo..., paciência, a causa é nobilíssima!
Nas megalópolis estrangeiras, os protestos são movidos a coisinhas, digamos assim, menos importantes: crises econômicas e políticas, vontade de mudar governos corruptos, autoritários ou incompetentes.
Aqui, não, violão. Em Terra Brasilis não ficamos perdendo tempo com essas minudências.
Pouco estamos nos lixando para os mensaleiros que desviaram milhões e milhões dos cofres públicos;
Com o Maluf gozando as delícias da vida nababesca, tendo a mão beijada pelo ex-presidente Lula em busca de apoio político, enquanto a maldosa da Interpol coloca, vejam só, cartazes de procura-se o homem em vários países; montanhas de dinheiro transportado em cuecas; escândalos pipocando a três por dois diariamente, e assim sucessivamente pelos séculos e séculos, amém.
Isso a gente releva. Agora, aumentarem as passagens de ônibus em R$ 0,20..., não! Aí já é querer gozar com a nossa cara. Roubar da gente tão pouquinho não dá, pensam o quê? Só aceitamos roubos milionários, somos mesmo os tais!
Incrível isso. Jovens vestindo camisetas de marcas famosas, tênis de R$ 600 o par, ferindo policiais, depredando, incendiando a cidade..., por R$ 0,20. Ah, mas estão brigando pelos carentes...
Coisa nenhuma! Estão se divertindo, isso sim, às custas justamente dos mais carentes, os que mais sofrem com a baderna. Depois chegam em casa, ligam seus aparelhos nas redes sociais e celebram, frenéticos, suas performances.
Triste, muito triste, Nani, concluir a que ponto chegamos, a quão vazia anda a mentalidade coletiva que nada idealiza no campo das conquistas éticas, morais e sociais, mas tão-somente a bagunça pela bagunça.
Só mesmo o cara aí da charge fazendo a promoção de três pedras a R$ 10 traz o alento que a comicidade propicia mas que é, sobretudo, uma cruel metáfora do prejuízo fenomenal de um povo por causa de vinte centavos!
Quem vocês acham que pagarão a conta, galera? Raciocinem, nem que seja uma vez. Em nome da Cruz!
Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant
sábado, 18 de maio de 2013
A coisa está mesmo feia para o Brasil e os brasileiros. Segundo Lula, parece que não há escapatória!
O ex-presidente norte-americano Herbert Hoover (1929 a 1933), que viveu de de 1874 a 1964, dizia:
“Quando adoecemos, queremos um médico extraordinário.
Se temos uma construção a fazer, queremos um engenheiro fora de série. Somente quando estamos na política é que nos contentamos com homens comuns".
Reduzindo o raciocínio em nível de município, imaginem o amável leitor e a graciosa leitora o seu prefeito ou a sua prefeita, o seu vereador ou a sua vereadora.
São preparados? Conseguem juntar lé com lé, cré com cré, como diz Reinaldo Azevedo, nas concatenações de raciocínio quanto aos problemas de suas cidades?
Mais ainda: eles planejam as ações resolutivas desses problemas?
Acercam-se de auxiliares reconhecidamente competentes, qualificados em cada setor específico de modo a propor e desenvolver métodos e fórmulas eficazes de aprimoramento dos padrões de serviços prestados à população?
São pessoas que, como a maioria dos brasileiros, vivem unicamente à custa dos proventos obtidos honestamente?
Levam eles vida regrada, conceitualmente compatível com usos e costumes?
Em sua concepção, eles têm comprometimento de ordem sentimental com suas cidades? Servem-nas, ou servem-se delas?
Agora, quem me lê, raciocine de outra maneira, de forma literal, tal como Hoover fez no figurado: você está no leito de uma sala cirúrgica e vão abrir sua barriga.
Há duas pessoas ao seu lado, sendo que uma é formada em Medicina, a outra nunca viu um bisturi. É claro que você vai preferir que a primeira mexa no seu umbigo.
Imagine que o seu bem-estar, o seu futuro e o futuro dos seus dependem da política e dos políticos. Alegoricamente, a sua barriga, a dos seus filhos, estão sendo abertas por quem não é médico!
Vão (vamos) morrer antes do tempo!
A planta do seu prédio está sendo feita por quem não sabe regra de três!
Vai cair!
Fato é que a política encerra em si os mecanismos que movem as demais atividades do homem.
Saúde? Depende da política; Educação? Depende da política; Segurança? Depende da política. O que mais a gente imaginar, depende da política.
E ainda há lorpas e pascácios, como dizia Nelson Rodrigues, que se jactam de não darem a mínima para a política.
"Detesto política, não me inteiro do assunto, não voto em ninguém, não preciso, não quero saber", vocês já devem ter ouvido alguém comentar, não é mesmo?
Tal pessoa, quando capotar numa estrada por estar esburacada, vai se machucar, ou morrer, por causa da política que ela nunca fez questão de saber.
Quando ela perder o emprego devido as condições econômicas adversas; quando ocorrer como agora com os venezuelanos, e não puder nem comprar o papel higiênico, vai ter de lavar o fiofó, se tiver água, ou ficar com ele sujo, por causa da política.
E quando chegamos ao fundo do poço da questão política brasileira, eis que nos deparamos com um novo começo, poço este cujo fim, tal como o universo, é infinito:
“O político ideal que vocês desejam, aquele cara sabido, aquele cara probo, irretocável do ponto de vista do comportamento ético e moral, aquele político que a imprensa vende que existe, mas que não existe, quem sabe esteja dentro de vocês”.
Lula, minha gente, disse isto aí em cima, no convescote de comemoração do 10º aniversário do PT no poder (posso escrever igual pharmácia antigamente? - no phoder).
E disse com todas as letras!
Agora, um raciocínio lógico: se em toda regra há exceções, por onde andam essas exceções que não deram um tranco no "Nosso Guia", como Elio Gaspari denomina o ex-presidente?
Não ouço um pio...
Será que a política brasileira é tão predatória que engoliu até o adágio?
Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant
“Quando adoecemos, queremos um médico extraordinário.
Se temos uma construção a fazer, queremos um engenheiro fora de série. Somente quando estamos na política é que nos contentamos com homens comuns".
Reduzindo o raciocínio em nível de município, imaginem o amável leitor e a graciosa leitora o seu prefeito ou a sua prefeita, o seu vereador ou a sua vereadora.
São preparados? Conseguem juntar lé com lé, cré com cré, como diz Reinaldo Azevedo, nas concatenações de raciocínio quanto aos problemas de suas cidades?
Mais ainda: eles planejam as ações resolutivas desses problemas?
Acercam-se de auxiliares reconhecidamente competentes, qualificados em cada setor específico de modo a propor e desenvolver métodos e fórmulas eficazes de aprimoramento dos padrões de serviços prestados à população?
São pessoas que, como a maioria dos brasileiros, vivem unicamente à custa dos proventos obtidos honestamente?
Levam eles vida regrada, conceitualmente compatível com usos e costumes?
Em sua concepção, eles têm comprometimento de ordem sentimental com suas cidades? Servem-nas, ou servem-se delas?
Agora, quem me lê, raciocine de outra maneira, de forma literal, tal como Hoover fez no figurado: você está no leito de uma sala cirúrgica e vão abrir sua barriga.
Há duas pessoas ao seu lado, sendo que uma é formada em Medicina, a outra nunca viu um bisturi. É claro que você vai preferir que a primeira mexa no seu umbigo.
Imagine que o seu bem-estar, o seu futuro e o futuro dos seus dependem da política e dos políticos. Alegoricamente, a sua barriga, a dos seus filhos, estão sendo abertas por quem não é médico!
Vão (vamos) morrer antes do tempo!
A planta do seu prédio está sendo feita por quem não sabe regra de três!
Vai cair!
Fato é que a política encerra em si os mecanismos que movem as demais atividades do homem.
Saúde? Depende da política; Educação? Depende da política; Segurança? Depende da política. O que mais a gente imaginar, depende da política.
E ainda há lorpas e pascácios, como dizia Nelson Rodrigues, que se jactam de não darem a mínima para a política.
"Detesto política, não me inteiro do assunto, não voto em ninguém, não preciso, não quero saber", vocês já devem ter ouvido alguém comentar, não é mesmo?
Tal pessoa, quando capotar numa estrada por estar esburacada, vai se machucar, ou morrer, por causa da política que ela nunca fez questão de saber.
Quando ela perder o emprego devido as condições econômicas adversas; quando ocorrer como agora com os venezuelanos, e não puder nem comprar o papel higiênico, vai ter de lavar o fiofó, se tiver água, ou ficar com ele sujo, por causa da política.
E quando chegamos ao fundo do poço da questão política brasileira, eis que nos deparamos com um novo começo, poço este cujo fim, tal como o universo, é infinito:
“O político ideal que vocês desejam, aquele cara sabido, aquele cara probo, irretocável do ponto de vista do comportamento ético e moral, aquele político que a imprensa vende que existe, mas que não existe, quem sabe esteja dentro de vocês”.
Lula, minha gente, disse isto aí em cima, no convescote de comemoração do 10º aniversário do PT no poder (posso escrever igual pharmácia antigamente? - no phoder).
E disse com todas as letras!
Agora, um raciocínio lógico: se em toda regra há exceções, por onde andam essas exceções que não deram um tranco no "Nosso Guia", como Elio Gaspari denomina o ex-presidente?
Não ouço um pio...
Será que a política brasileira é tão predatória que engoliu até o adágio?
Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Decepção
O balanço do primeiro ano do governo petista do presidente Lula, se não chega a ser decepcionante, traz inquietações e muitas dúvidas sobre sua capacidade de gerir o Brasil consoante as enormes expectativas, sonhos e esperanças do povo brasileiro.
Um governo que prometia mudanças estruturais sem precedentes, que prometia transformar a doutrina de espoliação e injustiças, tão enfático na disposição de combater a torpe ordem estabelecida da exploração e do sofrimento, não fez nada que trouxesse o menor indício de que haverá realmente mudanças.
A Educação, a Saúde, a Segurança Pública e outros setores continuam no mesmo patamar do descaso e da incompetência.
Recebido invariavelmente com pompa e circunstâncias nos quatro cantos do mundo (o presidente que tanto combatia as viagens de seu antecessor FHC, viajou este ano mais do que aquele no primeiro ano de mandato), este prestígio entre aspas começa a inquietar porque não é difícil perceber que os aplausos são condicionantes da mesmíssima ideologia de arrocho e de angústia para o povo brasileiro, mas equivalentes à devoção dos vorazes glutões especuladores internacionais.
Recebido invariavelmente com pompa e circunstâncias nos quatro cantos do mundo (o presidente que tanto combatia as viagens de seu antecessor FHC, viajou este ano mais do que aquele no primeiro ano de mandato), este prestígio entre aspas começa a inquietar porque não é difícil perceber que os aplausos são condicionantes da mesmíssima ideologia de arrocho e de angústia para o povo brasileiro, mas equivalentes à devoção dos vorazes glutões especuladores internacionais.
Os elogios às escâncaras de Fernando Henrique Cardoso e Armínio Fraga a Lula são a prova cabal de que o país continua trilhando a mesma cartilha que o ex- metalúrgico tanto combatia.
O eleitor, que já percebeu há muito tempo que o discurso do PT mudou, começa a dar sinais de mágoa e desilusão.
O partido que guerreava para aumentar os salários dos funcionários públicos, e que considerava a contribuição de inativos uma heresia, hoje defende justamente o contrário.
O partido que guerreava para aumentar os salários dos funcionários públicos, e que considerava a contribuição de inativos uma heresia, hoje defende justamente o contrário.
O povo começa a compreender que as fulgurantes promessas de palanque eram apenas engodo para conquistar o seu voto, que o PT no governo ignora completamente o que seus candidatos juraram durante a campanha.
O salário-mínimo, cujo aumento real o presidente Lula não pôde dar em 2003, porque acabava de assumir o mandato, ia estudar depois, etc. e tal, será algo em torno de R$ 15 em 2004, um requinte de perversidade que significa desesperança para o pobre, mas lhe garantirá mais palmas e elogios no exterior.
Muitos dos candidatos do PT às prefeituras e aos legislativos municipais no ano que breve se inicia estão com as barbas de molho (inclusive gente do nosso Vale do Itabapoana).
Muitos dos candidatos do PT às prefeituras e aos legislativos municipais no ano que breve se inicia estão com as barbas de molho (inclusive gente do nosso Vale do Itabapoana).
Principalmente aqueles que não possuem uma identidade própria, um carisma político exclusivo, uma liderança natural peculiar independente deste ou daquele partido, em suma, aqueles que majoritariamente precisam andar a reboque do PT perigam transitar em 2004 por caminhos inóspitos, fustigados pela hostilidade dos espinhos.
É espantoso que na monumental edificação chamada Brasil, que urge tão complexas, urgentes e colossais reformas, nem uma parede foi ainda pintada, sequer foram adquiridas a broxa e a cal.
É espantoso que na monumental edificação chamada Brasil, que urge tão complexas, urgentes e colossais reformas, nem uma parede foi ainda pintada, sequer foram adquiridas a broxa e a cal.
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em dezembro/2003
Adeus às ilusões?
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| Lula |
Até que se prove o contrário, o presidente Lula é um homem direito, que pode estar com as mãos limpas em todos esses episódios que envergonham o Brasil e os brasileiros.
Mãos limpas, porém, são uma coisa; irresponsabilidade, outra. Esta parece que não lhe será fácil excluir de
sua biografia.
O presidente se meteu numa encruzilhada difícil, na circunstância de, se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come.
Se ele realmente sabia das maracutaias e não tomou nenhuma providência além de estancar a sangria de dinheiro público usado para a mesada dos deputados, cometeu crime de responsabilidade.
Afinal, a autoridade máxima do país teria de ser a primeira a abrir as portas das grades para os ladrões.
Se não sabia, fica caracterizado que na realidade ele não
governa, por inaptidão ou desleixo, deixando o encargo para gente periculosa. A traição dessa gente não o absolve perante o povo, que investiu suas últimas esperanças não em Jefferson, Dirceu,
Delúbio, mas em Luis Inácio Lula da Silva.
Quem acredita em duendes tem a percepção que vereadores, prefeitos, congressistas, estão de fato trabalhando em favor do país e do seu povo.
Claro que não se pode generalizar, existem as exceções, mas parece ofuscantemente claro que estas são as minorias que, por mais eloquentemente indignadas ficam com as vozes abafadas pela algaravia do submundo e dos porões infectos da bandalheira.
E o presidente Lula, que não tem nada de ingênuo, precisa
explicar o porquê submerge sob as águas do pântano coalhado de sáurios gigantescos e lagartos venenosos,
inteiramente desarmado.
explicar o porquê submerge sob as águas do pântano coalhado de sáurios gigantescos e lagartos venenosos,
inteiramente desarmado.
E mais ainda: sobre o porquê não ter movido uma palha para as mudanças acenadas, que na parolagem presidencial
mudariam esse estado de coisas.
mudariam esse estado de coisas.
Ainda que desgastada, e já de gosto duvidoso, a figura de retórica “a esperança venceu o medo” precisa ser
lembrada para configurar o tamanho gigantesco da traição ao povo, que vai se delineando de forma brutal, estarrecedora!
É angustiante pensar que os coturnos possam estar sendo carinhosamente lustrados e os generais, almirantes e brigadeiros vivendo o frenesi da nem tão remota possibilidade de retorno ao cenário, legitimados pela pergunta que não quer calar:
Quem vai investigar quem?
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2005
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Ao Sr. Lula da Silva - www.planalto.gov.br
Luis Inácio
Permita-me tratar-te assim, de forma um tanto insolente, e não consideres como desrespeito.
É que não costumo reverenciar pessoas apenas pelos cargos ou títulos que possuem, nem mesmo o de presidente da República, como é o teu caso, salvo quando julgo se o que de fato elas fazem em prol da sociedade é algo edificante e proveitoso.
Sei que não te lixas por um, assim dizer, escrevedor obscuro e interiorano, da mesma forma como fazes ouvidos moucos aos lamentos que brotam em profusão de todos os rincões da pátria.
Mas estas linhas, traçadas sob a influência do desapontamento e da decepção, talvez, quem sabe, possam tocar-te o coração suavizando-te a arrogância e a insensibilidade com as quais distingues teus iguais em Cristo e em nacionalidade.
Mas estas linhas, traçadas sob a influência do desapontamento e da decepção, talvez, quem sabe, possam tocar-te o coração suavizando-te a arrogância e a insensibilidade com as quais distingues teus iguais em Cristo e em nacionalidade.
Devo lembrar-te, Luis Inácio, que honestidade não deve ser tomada como virtude extraordinária e excepcional do ser humano.
Ainda que seja verdadeiro o que propalas, de teres nela teu apanágio, isso só se aplica no sentido banal do termo, qual seja abster-te de roubar, o que convenhamos é uma obrigação.
Ainda que seja verdadeiro o que propalas, de teres nela teu apanágio, isso só se aplica no sentido banal do termo, qual seja abster-te de roubar, o que convenhamos é uma obrigação.
Mesmo genuína essa "abstenção" (tenho cá muitas dúvidas), não praticas a honestidade que propalas em toda a plenitude, pois tuas ações canhestras e omissões colossais subtraem de forma brutal a esperança de quem acreditou na tua tão decantada capacidade de gerenciar o Brasil tendo em vista tão-somente o resgate da dignidade dos brasileiros.
Tal não acontece, Luis Inácio. Tua propaganda foi enganosa, ludibriante, logo, desonesta.
Enquanto teu povo se angustia, se estressa e se depaupera na vastidão saturnal da falta de perspectivas, da fé que se esvai e da esperança que se exaure, políticos larápios esfalfam a Viúva à exaustão sem nenhum encargo de consciência por fazê-lo acintosamente perante os seus (dela, a Viúva) milhões de órfãos marginalizados, injustiçados, oprimidos.
E nas tuas barbas literais e figuradas, Luis Inácio!
Enquanto teu povo se angustia, se estressa e se depaupera na vastidão saturnal da falta de perspectivas, da fé que se esvai e da esperança que se exaure, políticos larápios esfalfam a Viúva à exaustão sem nenhum encargo de consciência por fazê-lo acintosamente perante os seus (dela, a Viúva) milhões de órfãos marginalizados, injustiçados, oprimidos.
E nas tuas barbas literais e figuradas, Luis Inácio!
As cenas dantescas que assistimos diariamente de roubos e furtos por parte de políticos refletem a putrefação que assola certos ambientes imponentes e coalhados de desdenhosa ostentação em Brasília!
Tu não és, claro, o único responsável por essa atmosfera viciada que nutre uns poucos e sufoca a maioria, mas nada fizeste do que prometeste para dissipá-la.
Preocupas-te demasiado com teu ego, e a necessidade diuturna de massageá-lo obscurece-te os sentidos da modéstia e do discernimento impossibilitando-te vislumbrares a realidade da nossa “Suitiópia” (mistura de Suíça das contas numeradas com Etiópia da plebe esfaimada).
Falo de fome, Luís Inácio, mas não só a que martiriza os estômagos. Esta, tu, diabolicamente, cuidas de minimizar como salvo-conduto para tua perpetuação no poder, distribuindo esmolas a três por dois.
Falo sobretudo metaforicamente dos milhões que sentem "fome" de Educação, de Saúde, de Dignidade, de Consciência Cidadã.
Apegas-te sofregamente na única e tênue bandeira que abraçaste, a corrosiva política econômica dos banqueiros e dos especuladores que herdastes de quem ultrajavas, e dela não te afastas nem que a vaca tussa.
Assim como teu antecessor, tu só pensas em prolongar o suplício do teu povo, reelegendo-te, sem sequer dar-te ao trabalho de mudar uma vírgula do que foi o governo neoliberal desastroso que te tornavas apoplético quando ainda não embarcado na sinecura.
Quer dizer, o que antes tu vociferavas como sendo o inferno do Brasil, hoje consideras o paraíso!
Não é nada pessoal, Luis Inácio. Mas fui ludibriado na minha boa-fé (só uma vez, deixo claro, já que procuro não cometer o mesmo erro duas vezes) e esta é minha desforra, que se não chega a destemperar-te a indiferença, repercute de forma mais contundente tua reputação a meu juízo.
E creio que não somente eu, mas muitos dos que tiveram a desdita de crer-te um estadista, hoje também fazem um desagravo às próprias consciências, da maneira que podem, e...ah, ah, ah, se Deus quiser, através das urnas, muito embora surrupiaste a tosca capacidade de discernimento do povão injetando-lhe o potente vírus da Síndrome de Estocolmo.
Ouso afirmar que até mesmo aquele metalúrgico torneiro-mecânico, o notável sindicalista que perseverou na areia movediça da República dos generais, e que tanta admiração me causava pela bravura e obstinação persecutória da liberdade e da justiça, haveria de discordar com veemência do seu clone chocho, despersonalizado e desfigurado de agora.
Mantivesses, Luis Inácio, a altivez daqueles tempos, tenho certeza que “este país” teria descortinado seu rumo e aí, sim, inflado de nacionalismo e saciado de cidadania eu dirigiria-me a ti utilizando ´vossa excelência´, pronome de tratamento somente adequado, no meu entender, aos que enriquecem a História de uma nação.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Chega de lágrimas; ou, segundo Carlito Maia (que eu apoio), quando a esquerda começa a contar dinheiro, converte-se em direita
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| A retórica do PT, antes de virar governo, era veementemente contra isto, mas vê-se agora que alimenta o glutão ainda mais. Como era falso! Charge extraída de http://livramentodiario.com.br |
O governo do PT, que teria vindo para sacudir as estruturas e implementar projetos pretensiosos de cidadania, visando resgatar a dignidade dos brasileiros está exagerando esse tempo.
O próprio PT já admite que o chamado "espetáculo do crescimento" será iniciado somente em 2004, isto é, perdeu-se ¼ do tempo precioso, que voa, falando palavras de efeito e chorando lágrimas de emoção, porém sem nenhum benefício prático.
O PT malhou muito as doutrinas divergentes como estratégia propagandista, mas convergiu, entregou-se facilmente às linhas pragmáticas do capitalismo selvagem que tanto combatia.
O PT malhou muito as doutrinas divergentes como estratégia propagandista, mas convergiu, entregou-se facilmente às linhas pragmáticas do capitalismo selvagem que tanto combatia.
O resultado, que era de esperar, foi pancadaria por todos os lados. Engrossam o coro dos insatisfeitos políticos de fora e os de dentro do partido, e até de velhos companheiros de Lula.
É crise da Saúde, da bancada radical, da questão agrária, do loteamento dos cargos, do ministro do STF que aponta czares no Planalto e, a mais recente delas, a do senador Eduardo Suplicy, que endossa tudo.
A artilharia pesada que o governo enfrenta é o preço que o PT paga por ser incoerente, aplicando agora a cartilha que tanto condenou em governos predecessores, especialmente nos do ex-presidente FHC.
É sintomático que o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, considerado por Lula e pelo PT como "gênio do mal" em tempos nem tão longínquos, faça agora rasgados elogios à política fiscal petista, absolutamente recessiva, imobilizadora a quaisquer movimentos de progresso e mel da especulação.
No lugar do espetáculo do crescimento, o que se viu foi uma série de denúncias de fisiologismo no governo, a distribuição indiscriminada de cargos onde as palavras qualificação e competência foram relegadas a um plano secundário (segundo Carlito Maia, quando a esquerda começa a contar dinheiro, converte-se em direita).
No lugar do espetáculo do crescimento, o que se viu foi uma série de denúncias de fisiologismo no governo, a distribuição indiscriminada de cargos onde as palavras qualificação e competência foram relegadas a um plano secundário (segundo Carlito Maia, quando a esquerda começa a contar dinheiro, converte-se em direita).
"Nada pode ser mais nocivo do que converter o cargo técnico em recompensa", afirma o cientista político Helio Jaguaribe.
A oposição tucana denuncia que sete em cada dez postos de confiança do governo estão sendo ocupados por aliados, que nem sempre atendem aos requisitos de competência.
"Os críticos estão certíssimos em bombardear esse loteamento", conclui Jaguaribe. O desgaste atingiu em cheio o partido que sempre condenou o fisiologismo.
As lágrimas vertidas por Lula por ser solidário e sensível ao flagelo econômico e social de seu povo não podem ser um fim em si mesmas.
As lágrimas vertidas por Lula por ser solidário e sensível ao flagelo econômico e social de seu povo não podem ser um fim em si mesmas.
Ato seguinte a elas é necessário dirigir também o sorriso das hienas aos conspiradores da causa que o levou ao poder.
Será uma tragédia para o povo se o presidente se acostumar à ditadura das elites e suas lágrimas um dia vierem apenas e tão-somente pela emoção originária das músicas de câmara em Paris.
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em outubro/2003
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em outubro/2003
sábado, 30 de março de 2013
A ditadura da democracia; ou, nem sempre a maioria está com a razão
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| Carlito Maia (fevereiro/1924 - junho/2002: "Não tolero a ditadura de um sobre todos, nem a de todos sobre um |
Isso só deveria ocorrer quando essa dita maioria tivesse a noção exata da amplitude e da complexidade dos seus problemas; tivesse o conhecimento pleno dos seus direitos e deveres; fosse esclarecida o suficiente para poder discernir pelos atos, palavras e atitudes quem é quem ou quem teria condições éticas e morais para influenciar o seu destino.
E bem verdade que o mundo, hoje, passa por uma séria crise de homens bem preparados, de inteligências persecutórias de ideais, planos e projetos que visem ao beneficio das pessoas. E mesmo que o Brasil não escape a esse deserto de bons nomes, confesso que gostaria de ter qualquer outro a influenciar a minha vida pelos próximos quatro anos, até porque prefiro pecar por ação que por omissão.
Não quero ser inexoravelmente, sem arreglo, governado por alguém que não desejo, por alguém em quem há pouco menos de quatro anos depositei todas as minhas esperanças num futuro melhor para mim e meus compatriotas.
Fomos traídos quando ele nos prometeu, e com uma desfaçatez impressionante, tergiversou e não cumpriu nada que estava simbolizado na sua mão calejada de quatro dedos que, para mim, era mais idealista do que a antecessora completa, com o mindinho e eivada de autênticos brilhantes.
Não direi que o povo votará no próprio carrasco, como disse o próprio Lula quando perdeu a última para o FHC.
Mas diria que sua reeleição será produto da mais pura farsa, de um engodo mirabolante empurrado de forma brutal e impiedoso nas goelas da maioria dos seus eleitores, os menos esclarecidos.
Estes, em sua inocência, acreditam que o bolsa família é decorrente da mais criativa engenharia político/econômica. Não lhes é dado, claro, a chance de entenderem que pagarão (pagaremos) caro pela esmola.
A sinopse do horrível filme de terror que nos aguarda na segunda sessão assistimos por aí diariamente, e o mais terrível é que essa síntese está sendo interpretada como a mais sublime e emocionante história de amor, numa inversão de valores espantosa.
A mansidão e a brandura da maioria que dá a Lula números generosos nas pesquisas decorrem do desconhecimento de que o Brasil navega em mares calmos, antes pela conjuntura financeira internacional do que pela competência do governo, que não sabe o que significa competência ou pensa que é apenas viajar em avião de US$ 60 milhões, comprar deputados e condecorar com a mais nobre honraria o tal do Severino Cavalcanti.
Nunca um presidente brasileiro foi tão beneficiado por tamanha estabilidade mundial.
Ainda assim os criminosos juros reais “neste país” estão na estratosfera de 12% ao ano, contra 11% do governo anterior, que atravessou oceanos revoltos de crises e mais crises, como por exemplo a quebradeira da Rússia.
Banqueiros brasileiros, podem crer, serão os mais ardorosos defensores desse continuísmo revoltante!
Vade retro! Por onde anda a oposição, mesmo a do Enéias ou a da Heloísa, que não lê para o povo o que ele é incapaz de compreender? Cadê o PSDB, o PFL, que apostaram num Lula definhando até morrer em outubro?
Por onde anda boa parcela de nossos pensadores, de nossos intelectuais? Estaria purgando com o silêncio a furada do engajamento? Liguem não, errar é humano.
Este silêncio todo nos atordoa, como diz a música. E o pior e que atordoados não permanecemos atentos, ao contrário do que o Chico disse noutra época.
Compreendam, e difundam, que neste céu de brigadeiro econômico o Brasil deveria desfrutar de um crescimento de 7%, 10%, e não apenas se contentar em ser o penúltimo do mundo.
Qualquer barnabé que honestamente desejasse governar para o povo e não para “a zelite” faria melhor. Bom Jesus do Norte mesmo, Calçado, Apiacá e o Espírito Santo como um todo estão bem graças a seriedade de Paulo Hartung com o auxílio do Governo Federal?
Isso não é nada se considerado o cenário altamente favorável em que Lula surfa. Precisamos parar de nos contentar com pouco!
Como Carlito Maia, não tolero a ditadura de um sobre todos, nem a de todos sobre um.
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em fevereiro/2006
domingo, 17 de março de 2013
Criança tem cada uma...
Psicólogo Indiano inova com terapia contra o stress, prescrevendo aos pacientes um procedimento curioso e hilário, que consiste em que estes finjam ser crianças.Foi muito divertido ter visto empresários, profissionais liberais, executivos e demais pessoas já cinquentonas, e com as panças bem avantajadas, brincarem de fazer caretas, soprar assobios e línguas de sogra em meio a um cenário típico de crianças de jardim de infância.
Entrementes, na Inglaterra, os psicólogos locais não vêem com bons olhos este tratamento, digamos, bizarro (para não dizer ridículo), não por isso, mas devido ao fato de que os pacientes entregam-se com tal dedicação a ele, que em alguns casos há uma regressão tão profunda que as pessoas tendem a repetir os gestos e trejeitos infantis, inadvertidamente, em horas e locais impróprios.
Isso acaba criando situações constrangedoras, e até assustando as crianças de verdade.
A propósito, fico imaginando qual seria a brincadeira infantil de certos adultos, caso se submetessem a esta terapia. Por exemplo:
- Luis Inácio Lula da Silva. Seguramente sua brincadeira predileta seria a do “aviãozinho”.
Muito chegado a viajar, essa teria de ser a brincadeira predileta.
Esse menino nunca gostou de estudar, mas compensava isso sendo muito esperto, bom na arte da enganação.
Eu mesmo caí na sua conversa e colaborei juntamente com mais de 50 milhões de pessoas para que ele pudesse ter o seu palaciozinho e seu aviãozinho!
O ruim da história é que ele não sabe pilotar, sabe-se agora, e o avião desgovernado ameaça cair em nossas cabeças e explodir o Brasil!
Algumas “crianças” têm preferências interessantes quando se tratam de brincadeiras.
Veja o caso de um certo amigo meu, rapaz muito delicado e que tem como ídolo o Enéias, o cunhado esquisitão do Agamenon: adora brincar de “trenzinho”, e gosta de ser sempre a locomotiva. Piui, piui, lá vão eles ziguezagueando feito cobrinha.
Curiosa também é a preferência infantil de um temível delegado de polícia do sertão pernambucano, homem mau e prepotente, bastante cruel com os infelizes que caem em suas garras: adora brincar de “mocinho e bandido”. Mais curioso ainda é o nome lúdico dessa fera: Gentil dos Anjos Flores da Purificação.
Conheço ainda um sujeito que não é muito chegado a pagar suas contas. O brinquedo favorito do caloteiro? “Pique-esconde”;
Tem também a minha vizinha um tanto “sambada”, também pudera, já se casou seis vezes. Tenho notícias que se separou novamente e já prepara o 7º casamento. Sua brincadeira preferida é o “passa o anel”.
Conheço muitas pessoas que adoram brincar em suas regressões à infância das coisas mais curiosas possíveis.
Acho até um pouco estranho determinadas brincadeiras por parte de algumas “crianças”.
Você já notou, por exemplo, como tem gente que adora brincar de “vereador”? O pior é que proporcionam uma brincadeira tão sem graça...
Outros preferem brincar de “prefeito”, alguns de “advogado”, outros tantos de “cantor”, “cantora”, “apresentadores de TV”, “locutores”, e por aí vai.
Mas o pior mesmo são aqueles que se divertem brincando de “polícia”.
Enfim, tem muita gente que gosta de brincar das mais variadas formas, mas não levam jeito pra coisa.
E tem também aquelas preferências infantis que podemos afirmar que algumas pessoas jamais gostaram de brincar: Exemplos? Os jogadores de futebol de Flamengo e Vasco, por certo, nunca gostaram de brincar de “bola” na infância;
Rubens Barrichello, com certeza, detestava brincar de “carrinho”; A Cássia Eller, parece, não brincava com meninos, assim como o Freddy Mercury não se dava muito bem com as meninas;
Silvio Santos divertia-se num velho baú da família; Fausto Silva era vidrado em dicionários, garoto estudioso! Aprendeu todos os adjetivos qualitativos que lhes seriam muito úteis na vida adulta;
Sérgio Naya vivia construindo casinhas de areia e quando crescido resolveu fazer prédios. Maldade querer que ele usasse cimento;
Infelizmente, para o locutor que vos fala, a experiência da minha regressão à infância não deu muito certo. Sempre tive a predileção de brincar de “médico e paciente” e a patroa vibrou de emoção com a possibilidade de revivermos essa prazerosa brincadeira.
Só que a regressão era apenas psicológica, e o desfecho da brincadeira não pôde ser completado.
Talvez um dia, quem sabe, se acontecer o milagre de uma regressão física também...
Curiosa também é a preferência infantil de um temível delegado de polícia do sertão pernambucano, homem mau e prepotente, bastante cruel com os infelizes que caem em suas garras: adora brincar de “mocinho e bandido”. Mais curioso ainda é o nome lúdico dessa fera: Gentil dos Anjos Flores da Purificação.
Conheço ainda um sujeito que não é muito chegado a pagar suas contas. O brinquedo favorito do caloteiro? “Pique-esconde”;
Tem também a minha vizinha um tanto “sambada”, também pudera, já se casou seis vezes. Tenho notícias que se separou novamente e já prepara o 7º casamento. Sua brincadeira preferida é o “passa o anel”.
Conheço muitas pessoas que adoram brincar em suas regressões à infância das coisas mais curiosas possíveis.
Acho até um pouco estranho determinadas brincadeiras por parte de algumas “crianças”.
Você já notou, por exemplo, como tem gente que adora brincar de “vereador”? O pior é que proporcionam uma brincadeira tão sem graça...
Outros preferem brincar de “prefeito”, alguns de “advogado”, outros tantos de “cantor”, “cantora”, “apresentadores de TV”, “locutores”, e por aí vai.
Mas o pior mesmo são aqueles que se divertem brincando de “polícia”.
Enfim, tem muita gente que gosta de brincar das mais variadas formas, mas não levam jeito pra coisa.
E tem também aquelas preferências infantis que podemos afirmar que algumas pessoas jamais gostaram de brincar: Exemplos? Os jogadores de futebol de Flamengo e Vasco, por certo, nunca gostaram de brincar de “bola” na infância;
Rubens Barrichello, com certeza, detestava brincar de “carrinho”; A Cássia Eller, parece, não brincava com meninos, assim como o Freddy Mercury não se dava muito bem com as meninas;
Silvio Santos divertia-se num velho baú da família; Fausto Silva era vidrado em dicionários, garoto estudioso! Aprendeu todos os adjetivos qualitativos que lhes seriam muito úteis na vida adulta;
Sérgio Naya vivia construindo casinhas de areia e quando crescido resolveu fazer prédios. Maldade querer que ele usasse cimento;
Infelizmente, para o locutor que vos fala, a experiência da minha regressão à infância não deu muito certo. Sempre tive a predileção de brincar de “médico e paciente” e a patroa vibrou de emoção com a possibilidade de revivermos essa prazerosa brincadeira.
Só que a regressão era apenas psicológica, e o desfecho da brincadeira não pôde ser completado.
Talvez um dia, quem sabe, se acontecer o milagre de uma regressão física também...
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em novembro/2005
sexta-feira, 15 de março de 2013
Qui-lo mas não fi-lo
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Era supostamente a tradução em três simples palavrinhas, como simples era seu inspirador, da opressão de um povo que enfim se livrava do que parecia ser uma inexpugnável barreira de infâmia bem concatenada em décadas e décadas de tirania econômica e de exploração de uma imensa quantidade de seres humanos por uns poucos gêneros de sua própria espécie.
As lágrimas de há muito já secaram, no entanto. A realidade nua e crua torna forte e incômodo como o vento do deserto o sentimento de prostração que, seguindo um traçado perverso, dá sinais tenebrosos da condução ao conformismo e à resignação pacífica e autômata.
A frase era então mentirosa, equivocada, exagerada? Não. Era natural, autêntica, mas (aí é que reside toda a engenhosidade diabólica) não era direcionada ao povão sofrido e angustiado, deduz-se hoje.
Este, no paroxismo da sedução como um coelho ante a serpente, em frenesi nas ruas e defronte às telas da TV em atitudes vigorosas de ufanismo, não percebeu o ardil de estar legitimando involuntariamente um bem concebido plano que visava retemperar seu próprio tormento.
A esperança vencera o medo, sim, das oligarquias, dos banqueiros, dos especuladores.
Estes, com a capacidade camaleônica do mimetismo, da dissimulação, perceberam que a representatividade de Lula seria mais útil para eles do que o tucano de bico trincado que ousou arremeter-se contra organizações corporativas multinacionais, como as que produzem remédios e que se julgavam senhoras do destino inclusive de aidéticos.
Engana-se quem pensar que as lideranças petistas forjaram um belo plano de governo sem a aquiescência das elites, que encontraram espaço para protagonizarem papeis principais na política nacional sem um conteúdo bem amarrado, bem definido, mas sobretudo bem aceito pelas oligarquias.
A continuidade ainda mais insinuante daquilo que o PT combatia de modo apoplético quando nas trincheiras oposicionistas é resultante da perspicácia das raposas, que percebendo a intempérie gradual do terreiro botaram uma barbicha e se travestiram de gatinhos para ganharem o pleito do livre trânsito entre as presas.
Bom Jesus do Norte e São José do Calçado, entre inúmeros municípios brasileiros, conservam os esqueletos daquilo que seriam casas populares, cujos recursos foram intempestivamente brecados pelo governo do PT antes de sua conclusão.
Elas ilustram, apresentam um quadro em miniatura da estagnação do Brasil em todos os setores. O salário-mínimo, que seria triplicado, os 10 milhões de empregos, que seriam criados, e outras falsidades mais, acredita-se não terem sido premeditadas pelo brasileiro, pelo homem, pelo calejado e sofrido nordestino Lula.
Ele, enquanto "povão", também foi, por assim dizer, vítima do maquiavelismo das entidades indestrutíveis.
Mas passa da hora dele se aperceber disso, e como Jânio Quadros, mas com motivos evidentes e justos, dar adeus às forças ocultas como forma de preservar a própria dignidade antes de se tomar um fiasco histórico, pois não há solução para miséria e fome sem a destruição de monopólios e privilégios, sem abalar as estruturas da elite sacrossanta.
Qui-lo mas não fi-lo seria atá menos traumático com o consolo daquele líquido inolvidável para muitos, que come-lo-iam se se fosse sólido.
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2004
sexta-feira, 8 de março de 2013
Carta aberta ao presidente Lula

Senhor presidente Lula.
Sei que é praticamente impossível que esta missiva lhe chegue fisicamente aos olhos, mas a mensagem que tentarei transmitir faço votos que se espraie num canal invisível e desague por osmose na sua alma.
De toda sorte, estou convicto de que estas linhas, traçadas sob a influência do desapontamento, produzirão uma química em meu íntimo que mitigará um pouco a indignação, minha e a de alguns de meus amáveis leitores e graciosas leitoras, que críamos ser o senhor um homem capaz de mudar o Brasil para melhor.
Afinal, dada a similaridade do seu governo petista com o do tucano, haveria sido melhor optar pelo original, abaixo à pirataria!
Na urna eletrônica instalada na Escola Antônio Honório, aqui na minha cidade de Bom Jesus do Norte/ES, eu, excitado pela esperança, ajudei a sufragar o seu nome.
Nos chips da parafernália eletrônica viajaram os bites da ansiedade por melhores condições de vida para o povo, da virtual certeza da confrontação das elites, da expectativa pelo inicio da reversão das injustiças sociais, da confiança de que o nosso país iria trilhar, finalmente, o rumo das nações amadurecidas política, econômica, cultural e socialmente.
E o que vejo um ano e dois meses depois, senhor presidente, é desanimador!
No espaço insidioso das mordomias palacianas, que eu esperava ser preenchido com austeridade, vejo cadela transitando em veículo oficial; construção de churrasqueira de R$ 3,3 milhões para deleite dos poucos privilegiados que realmente conhecem a "fome zero";
Viagens por conta do erário excessivamente, em "passeios turísticos" ao exterior, e até uma aeronave Airbus zero-bala, que custou a bagatela de US$ 57 milhões (quase RS 170 milhões), tão suntuosa que no banheiro não há papel higiênico: a privada limpa o fiofó do freguês automaticamente.
Convenhamos ser isso um requinte até mesmo para a classe abastada que o senhor tanto combatia!
Eu antegozava ali, na urna, com o peito inflado de civismo, o fato de que hoje os empresários brasileiros, os terceiros mais apenados em todo o mundo pela inacreditável carga tributária tupiniquim, estivessem começando a desfrutar do alívio dessa carga que o senhor combatia apopleticamente quando em campanha.
E hoje contemplo, com a sombra espessa da decepção que, ao contrário, a Cofins subiu de 3% para 7,6%, a CPMF vai virar vitalícia, a alíquota do IR em 27,5% foi prorrogada ate 2005, e neca de correção da tabela para as pessoas físicas.
Tudo isso arrematado com a irônica assertiva, tal e qual seu antecessor se referia aos "vagabundos aposentados", de que o empresário brasileiro deve parar de reclamar e vender mais.
Vender como, senhor presidente?
Tenho notado no senhor uma coisa que vem me deixando encafifado.
Eu sabia que quando cessassem as lágrimas e o sentimentalismo chinfrim, assumiriam o palco a firme capacidade decisória e as ações necessárias.
Mas como isto não ocorre, por que pelo menos não voltam os prantos, que atenuam nossa zanga? Teriam sido sublimados pelo fascínio do poder?
O senhor, que pelo passado de luta e idealismo poderia figurar em destaque na história, parece ter-se esquecido que ela é feita de atos, atitudes e ações permanentes que envolvem mais do que boa-vontade, mais do que bons sentimentos, mais do que discursos inflamados tão estéreis quanto bem articulados.
Governar é mais complicado do que girar metralhadora de palavras, que criar retóricas infantis indiscriminadamente, que relutar em sair dos palcos efêmeros das campanhas rumo ao prolongado e difícil mister de executar.
As 1.332 pessoas que o senhor vai nomear para cargos em comissão, e as 1.465 para funções gratificadas no governo, que tomarão quase R$ 60 milhões adicionais do contribuinte, ao ano, sem concurso público (ou seja, as apaniguadas), não são, por si sós, capazes de legitimar toda a obra cujo prólogo o senhor tão bem estruturou.
As demais 180 milhões precisam ser contempladas no enredo que leve a um epílogo surpreendente e desconcertante aos autores covardes, incapazes e sem imaginação, que há décadas concebem desfechos previsivelmente perversos ao personagem principal: o povo brasileiro.
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em fevereiro/2004
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Lula, o câncer, tolas desforras e a hipocrisia política
O câncer que acometeu o ex-presidente Lula suscitou polêmicas intermináveis, principalmente na Internet. Infelizmente os debates e opiniões acalorados não centram a mira no tumor em si, no nexo causal, nas advertências de prevenção, sobre a quantas andam as pesquisas científicas para livrar a humanidade dessa doença cruel e devastadora, mas firmam o tripé na questão política, muitos defendendo vigorosamente que Lula devia demonstrar coerência com seu discurso e internar-se para tratamento no SUS.
Ora, ora, ora, diria o falecido Teotônio Vilela, raro exemplar de político íntegro, admirável pela retidão de caráter e contagiante brasilidade.
Como são ingênuos! Até as bandeirinhas dos palanques sabem que hipocrisia, dissimulação e mentira são os ingredientes principais do caldo que políticos despejam nas goelas de uma maioria anêmica de informação e de cultura, mais vulnerável ao vírus insidioso da enganação.
Corria o ano de 2006. Local: Porto Alegre/RS. Trecho do discurso de Lula sobre a saúde: “Eu acho que não está longe da gente atingir a perfeição no tratamento de saúde neste país”.
Ano de 2009. Local: Olinda/PE. Evento: Congresso Brasileiro de Saúde Pública. Trecho: enaltecendo a política pública brasileira de saúde, em contraponto às carências do sistema americano, chegou a sugerir ao presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, que criasse um SUS em seu país: “Na próxima conversa que tiver com o Obama vou sugerir que faça um SUS. Obama, faça o SUS: custa mais barato, é de qualidade e é universal”.
Ano passado: Local: Recife/PE. Evento: inauguração de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Trecho: “Eu tava visitando a UPA, e eu tava dizendo que ela tá tão bem organizada, ela tá tão bem estruturada, que dá até vontade da gente ficar doente para ser atendido aqui”.
Tudo às mil maravilhas, mas na hora do aperto Lula internou-se no Sírio-Libanês, o hospital da “elite” que tanto combateu, onde 10 entre 10 integrantes dessa elite buscam refúgio nas horas mais difíceis.
Claro que ele, como qualquer um que tenha (muito) dinheiro, pode e deve procurar o melhor para si e para os seus. Mas os políticos teriam de ser mais comedidos nas exaltações, pois os problemas da saúde pública brasileira são sérios demais.
Glorificar um SUS que demora meses entre o diagnóstico e o tratamento de um câncer nos plebeus é tripudiar da desgraça humana!
Em São Paulo há um hospital público referência em oncologia. O ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) é o maior da América Latina, reconhecido pela excelência e bom atendimento a pacientes do SUS.
No Rio há o INCA (Instituto Nacional do Câncer), também uma referência nacional.
Outras instituições Brasil afora atendem com eficiência a pacientes do Sistema, mas a verdade é que a maioria da população brasileira carece até do atendimento básico.
Vide os jornais nacionais da vida mostrando filas quilométricas, corredores abarrotados, doentes recebendo soro nas calçadas.
As cidades de Bom Jesus são exemplos a indicar num micro-universo a derrocada da saúde em nível nacional.
O Hospital São Vicente de Paulo, a Casa de Saúde Aurora Avelino e o Hospital Jamile Said Salim (esses dois últimos lamentavelmente mortos e sepultados há tempos) atendiam aos pacientes do SUS, que eram felizes e não sabiam.
O HSVP, notadamente, recebia levas e levas de doentes de outros municípios e até de outros estados, tamanha era sua boa reputação.
Mas hoje caminha a passos trôpegos em direção a um destino incerto e não sabido, endividado até à medula, encarado com desprezo por alguns que poderiam ser seu sustentáculo mas nada fazem, certamente por reunirem condições de se socorrerem no próprio Sírio-Libanês ou em instituições assemelhadas quando precisarem.
Que o ser humano Luis Inácio Lula da Silva livre-se da doença; que tenha vida longa.
E, se possível, que o político Lula adapte sua verve que arrebata multidões à realidade do país.
Que não é outra senão angústia e desolação para milhões de pessoas carentes de sírios-libaneses.
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em novembro/2011
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