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quinta-feira, 4 de julho de 2013

"O momento exige a grandeza, a inteligência e os valores pessoais de um estadista — qualidades que Dilma não tem"

MACROMINISTÉRIO -- Dilma (na foto, com governadores), seus
39 ministérios e os mais de 20.000 altos funcionários de "livre nomeação"
não vieram  com uma única ideia (Foto: Roberto Stuckert Filho)

Por J.R.Guzzo

Um caderno de anotações sobre os fatos que vêm acontecendo no Brasil durante as três últimas semanas poderia conter, com bastante precisão e dentro da “margem de erro” tão útil aos institutos de pesquisa, o registro das seguintes realidades:

♦ A presidente Dilma Rousseff simplesmente não  está à altura da situação que tem o dever de enfrentar. Não sabe o que fazer, o que acha que sabe está errado, e, seja lá o que resolva, ou diga que está resolvendo, não vai ser obedecida na hora da execução.

O momento exige a grandeza, a inteligência e os valores pessoais de um estadista. Dilma não tem essas qualidades.

O autor deste artigo também não sabe o que deveria ser feito — para dizer a verdade, não tem a menor ideia a respeito. Em compensação, ele não é presidente da República.

♦ A mais comentada de todas as propostas que a presidente anunciou para enfrentar a crise foi um misterioso plebiscito, do qual jamais havia falado antes, para aprovar uma nova Assembleia Constituinte destinada exclusivamente a fazer uma “profunda reforma política”.

Não houve, também aqui, a mínima preocupação em pensar antes de falar, para ver se existiria alguma ligação entre essa ideia e a possibilidade real de executá-la dentro das leis vigentes. Não existia, é claro.

Resultado: a proposta de Dilma morreu em 24 horas, afogada num coro de gargalhadas. A hipótese otimista é que o governo esteja a viver, mais uma vez, um surto agudo de desordem mental e descontrole sobre seus próprios atos.

A pessimista é que o PT, sob o comando do ex-presidente Lula, esteja querendo empurrar Dilma para uma aventura golpista.

♦ A única “reforma política” que o PT quer fazer, como se sabe há anos, é a seguinte: tirar do eleitor brasileiro o direito de escolher os deputados nos quais quer votar, obrigando a todos a votar numa “lista fechada” e composta exclusivamente de nomes que os donos dos partidos escolherem; “financiamento público” para as campanhas, ou seja, sacar dinheiro do Tesouro Nacional e entregá-lo diretamente aos políticos nos anos eleitorais.

Além dos milhões que já recebem pelo “caixa dois” das empresas privadas (e que o próprio Lula, numa “entrevista” armada durante o mensalão, considerou algo perfeitamente normal), receberiam também dinheiro que vem direto do contribuinte.

♦ A “reforma” Lula-PT não propõe nenhuma mudança, uma única que seja, em nada daquilo que a população realmente quer que mude, e que tem sido um dos alvos principais da ira das ruas: o fim de qualquer dos privilégios grotescos dos parlamentares, como automóvel, casa de graça, verbas que podem gastar como quiserem, e que acabam sistematicamente no próprio bolso ou no de sua família.

Podem faltar quanto quiserem. Vendem ou alugam seus assentos a “suplentes”.

A reforma petista mantém o absurdo sistema eleitoral que nega ao cidadão brasileiro o direito universal de “um homem, um voto”. Recusa o voto distrital, adotado em todas as democracias verdadeiras do mundo. Nada disso: num ambiente de catástrofe, em que até uma criança de 10 anos sabe que o povo tem pelos políticos uma mistura de asco, desprezo e ódio, o PT quer dar ainda mais dinheiro a eles.

♦ A presidente disse que “está ouvindo” os indignados que foram às ruas. Mas não está.

Se estivesse, não existiria, em primeiro lugar, o inferno que é a vida diária de milhões de brasileiros, a quem o governo ignora; porque dá o Bolsa Família, anuncia vitórias imaginárias e acha que governar é fazer truques de marquetagem, convenceu-se de que o povo está muito bem atendido.

Escutando os protestos?

Ainda em março, Dilma recusou uma suíte de 80 metros quadrados num hotel de luxo da África do Sul, por achar que era pequena demais. A culpa, é claro, foi passada ao Itamaraty.

Mas, quando o fato se tornou conhecido, a presidente não disse nenhuma palavra de desculpa, nem mandou o Itamaraty tomar alguma providência para que um fato assim não se repita.

Foi adotada uma única medida: de agora em diante o governo não vai mais revelar nenhum dado das viagens presidenciais.

♦ Ao longo de vinte dias, Dilma, seus 39 ministros e os mais de 20 000 altos funcionários de “livre nomeação” do governo não vieram com uma única ideia que pudesse merecer o nome de ideia.

Suas propostas demoraram até a semana passada para aparecer — e, quando enfim vieram, anunciaram coisas desconectadas com a realidade ou entre si próprias, pequenas na concepção e nos objetivos, incompreensíveis ou apenas tolas.

Foram tirando ao acaso de uma sacola, e jogando em cima do público, as miudezas que passaram por seu circuito mental nestes dias de ira: mudar a distribuição de royalties do petróleo, importar 10 000 médicos estrangeiros, punir a “corrupção dolosa” como “crime hediondo” (Dilma, pelo jeito, imagina que possa haver algum tipo de corrupção não dolosa), dar “mais recursos” para isso ou aquilo, melhorar a “mobilidade urbana”. É puro PAC.

♦ No jogo jogado, tudo isso quer dizer três vezes zero.

Numa hora dessas eles vêm falar em royalties, assunto técnico que exigirá meses ou anos para ser reformulado? Importação de médicos? Só agora descobriram que faltam médicos no serviço público por causa da miséria que lhes pagam? Só depois que o povo foi para a rua perceberam que a corrupção é um crime abominável?

Se os que mais roubam estão dentro da máquina do governo, como acreditar num mínimo de sinceridade nesse palavrório todo? A presidente e seu entorno anunciaram medidas que só o Congresso pode aprovar. Outras dependem do Judiciário, ou de Estados e prefeituras. O que sobra é o fim do resto.

♦ Os números apresentados até agora não fazem nenhum sentido.

Falou-se em aplicar “50 bilhões” de reais em obras de “mobilidade urbana”. Que raio quer dizer isso? Parece que se trata de melhorar o transporte em metrô, trens e ônibus — mas não existe a mais remota informação concreta sobre como fazer isso na prática, nem onde, nem quando.

Não é uma providência de verdade; é apenas uma cifra chutada e um amontoado de dúvidas. O trem-bala, por exemplo — será que entra nessa conta?

Há algum projeto de engenharia pronto para alguma obra a ser feita?

Alguém no governo sabe dizer onde estão os tais “50 bilhões”?

Não é surpresa que um grupinho de garotos do Movimento Passe Livre tenha saído de um encontro com Dilma dizendo que ela é “completamente despreparada” no assunto. Os números citados para a saúde são igualmente desconexos: 7 bilhões de reais para “20 000” unidades de atendimento médico.

Quais unidades? Onde? Esses “7 bilhões”, se existissem, equivaleriam a 20% do que se estima que será gasto nas obras para a Copa de 2014. Dá para entender? É a fé cega na incapacidade do povo brasileiro em fazer contas.

♦ A marca mais notável da defesa que o governo fez de si próprio, durante estes dias de revolta, é que não há uma defesa. Pedem que o povo reconheça as “transformações” que fizeram no país.

Quais?

Após dez anos de governo popular do PT, o Brasil está em 85º lugar no IDH — subiu apenas 5% em todo esse tempo, e teve crescimento praticamente nulo durante os anos Dilma.

Isso ocorreu num período de dramáticos avanços na renda de todos os países pobres: apenas entre 2005 e 2011, 500 milhões de pessoas saíram da pobreza em todo o mundo.

O governo do petismo transformou o Brasil num país com 50 000 assassinatos por ano, e onde 75% da população não é capaz de entender plenamente o que lê. A rede pública de saúde foi transformada num monstro em que o cidadão pode esperar seis meses, ou um ano, por um exame clínico, e pacientes aguardam atendimento jogados no chão de hospitais, como se vivessem num país em guerra.

A transformação do sistema portuário criou um Brasil que não consegue embarcar o que produz nem desembarcar o que compra lá fora. Conseguiram, até, transformar o significado da palavra “corrupção”, ao venderem a ideia de que qualquer denúncia contra a roubalheira do governo é “moralismo” — ou seja, o erro é denunciar o erro.

♦ As ruas iradas de junho deixaram à vista de todos um fato que muita gente já sabe, mas quase nunca é mencionado: o ex-presidente Lula é um homem sem coragem. Líderes corajosos jamais se escondem nas horas de difi culdade brava. Ao contrário, vão para a frente, tomam posição nos lugares mais arriscados, e assumem a luta em defesa do que acreditam.

Não ficam escondidos da população, fazendo seus pequenos cálculos para descobrir o lucro ou prejuízo que teriam ao aceitar suas responsabilidades — pensam, apenas, no seu dever moral, nos seus princípios e nos seus valores.

Coragem é isso — e isso Lula não foi capaz de mostrar.

Onde está ele?

Na hora em que o Brasil mais precisou de uma liderança em sua história recente, o homem sumiu.

Vive dizendo que não há no mundo ninguém que saiba, como ele, subir no carro de som ou no palanque e “virar” qualquer situação de massas. Na hora de agir, trancou-se na segurança do seu esconderijo.

E a “negociação” — na qual também se julga um ás incomparável —, onde foi parar?

Para quem tem certeza de que negociou “a paz no Oriente Médio”, Lula teria de estar desde os primeiros momentos tratando de montar algum tipo de negociação.

Na vida real, limitou-se a cochichar com subalternos, dar palpite e falar mal dos outros. Lula sempre fez questão de achar “inimigos”. Pois achou, agora, todos os que poderia querer.

♦ Ficou claro que o governo está errando há dez anos na avaliação que faz da imprensa livre. Confundiram tudo: acharam que a internet, com a sua audiência sem limites, estava anulando jornais e revistas, quando na verdade tem feito exatamente o contrário: reproduz o que sai na imprensa para milhões de pessoas que não leram o noticiário escrito.

E agora?

A internet mostrou-se um multiplicador incontrolável do conteúdo da imprensa, e a mais poderosa alavanca de notícias que jamais se viu no país.

Vídeos amadores, diversos deles falados em inglês com legendas em português e dirigidos aos internautas do mundo todo, apresentaram denúncias devastadoras e bem articuladas sobre a insânia governamental que levou o povo à rua.

Em apenas uma semana, de 14 a 21 de junho, um desses vídeos, entre dezenas de outros, teve mais de 1,3 milhão de visualizações. Todas as informações que estão ali foram tiradas da imprensa livre.

O governo não entendeu nada. Mas desta vez não teve como mentir: não conseguiu dizer que as manifestações eram invenção da “imprensa de direita”.

♦ Os descontentes de junho mostraram mais uma vez, como a Bíblia nos diz em Provérbios 16:18, que “a soberba vem antes da queda”.

Nunca, possivelmente, o Brasil esteve sob o comando de gente tão soberba quanto Lula, Dilma e os barões do PT, e tão à vontade em exibir sua arrogância.

Estão levando, agora, o susto de suas vidas, ao descobrirem que marquetagem, demagogia e exploração da ignorância não são mais suficientes para desviar a atenção do povo para o desastre permanente que causam ao país.

Espantam-se que o povo faça contas — e se sinta roubado com uma Copa do Mundo que pode acabar custando até 35 bilhões de reais, mais do que as últimas três somadas.

Espantam-se que as suas esperanças de livrar da cadeia, com velhacaria jurídica, os mensaleiros mais graúdos estejam desabando.

Espantam-se ao saber que muita gente está cada vez mais cheia de gastar cinco horas diárias para ir ao trabalho e voltar para casa.

Desafiaram o ensinamento básico de Abraham Lincoln: “Pode-se enganar a todos durante algum tempo; pode-se enganar alguns durante todo o tempo; mas não se pode enganar a todos durante o tempo todo”.

Estão colhendo o que semearam.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Você não pode deixar de ver este vídeo, e acima de tudo, refletir profundamente sobre ele




Carla Dauden, esta bela jovem, é uma cineasta brasileira que mora nos EUA. Ela conta o que significa de cruel e trágico para todos os brasileiros a realização da Copa do Mundo no Brasil. O vídeo foi postado ontem e já beira 1 milhão de acessos. É estarrecedor o que ela afirma!

Sou um apaixonado pelo antigamente chamado Esporte Bretão. Quando jovem, contava ansiosamente os meses e os dias que faltavam para as copas. Saía pelas ruas em carreatas, era um "Canarinho" dos mais exaltados.

Há algum tempo já não me empolgo tanto. E os mais jovens, com certa razão, acham que é a idade que vem arrefecendo gradualmente a paixão.

Em parte, em parte. Mas a desilusão é também por conta do rumo que tomou o futebol, seus cartolas irresponsáveis e os delirantes valores pagos a alguns jogadores e técnicos.

O meu Mengão, por exemplo, está há tempos na bancarrota. Mesmo assim, jogadores como Ronaldinho são contratados para ganharem R$ 1 milhão e cacetada em apenas um mês de trabalho. 

Agora é o técnico Mano Menezes, de quem não duvido da competência, mas cá pra nós, de R$ 500 a R$ 700 mil que vai ganhar mensalmente - os dirigentes nem declararam o valor, certamente para evitar manifestações de protesto - é assombroso num país de salário mínimo de R$ 600 e quebrados. 

Isso seria de somenos, houvesse uma nesga de amor às camisas. Mas o amor que prevalece é tão-só o da grana, o da exposição na mídia. 

Enquanto a gente se esgoela por um gol incrivelmente perdido, coração na boca quando nosso time vai cobrar ou tentar defender um pênalti, nervos à flor da pele, coração como um tambor desvairado em nome do amor e da paixão, os jogadores também sentem o mesmo, mas em nome da carreira e da conta bancária. E os dirigentes, idem, pelo poder e pelo business!

Agora esta linda menina me conta essas monstruosidades. Não há amor que resista!

Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Interpretando a charge 14 - Pobre povo brasileiro: é roubado em bilhões e só protesta por R$ 0,20 (vinte centavos)


A charge do Nani é uma gaiatice visual que ajuda a gente a colocar em ação o velho adágio "rir pra não chorar". São Paulo ferve no caos, faz lembrar Atenas, Damasco, Paris, Cairo, etc. As pessoas têm o seu direito de ir e vir cerceado, se alguém morreu porque não pôde ser socorrido a tempo..., paciência, a causa é nobilíssima!

Nas megalópolis estrangeiras, os protestos são movidos a coisinhas, digamos assim, menos importantes: crises econômicas e políticas, vontade de mudar governos corruptos, autoritários ou incompetentes.

Aqui, não, violão. Em Terra Brasilis não ficamos perdendo tempo com essas minudências.

Pouco estamos nos lixando para os mensaleiros que desviaram milhões e milhões dos cofres públicos; 

Com o Maluf gozando as delícias da vida nababesca, tendo a mão beijada pelo ex-presidente Lula em busca de apoio político, enquanto a maldosa da Interpol coloca, vejam só, cartazes de procura-se o homem em vários países; montanhas de dinheiro transportado em cuecas; escândalos pipocando a três por dois diariamente, e assim sucessivamente pelos séculos e séculos, amém.

Isso a gente releva. Agora, aumentarem as passagens de ônibus em R$ 0,20..., não! Aí já é querer gozar com a nossa cara. Roubar da gente tão pouquinho não dá, pensam o quê? Só aceitamos roubos milionários,   somos mesmo os tais!

Incrível isso. Jovens vestindo camisetas de marcas famosas, tênis de R$ 600 o par, ferindo policiais, depredando, incendiando a cidade..., por R$ 0,20. Ah, mas estão brigando pelos carentes...

Coisa nenhuma! Estão se divertindo, isso sim, às custas justamente dos mais carentes, os que mais sofrem com a baderna. Depois chegam em casa, ligam seus aparelhos nas redes sociais e celebram, frenéticos, suas performances.

Triste, muito triste, Nani, concluir a que ponto chegamos, a quão vazia anda a mentalidade coletiva que nada idealiza no campo das conquistas éticas, morais e sociais, mas tão-somente a bagunça pela bagunça.

Só mesmo o cara aí da charge fazendo a promoção de três pedras a R$ 10 traz o alento que a comicidade propicia mas que é, sobretudo, uma cruel  metáfora do prejuízo fenomenal de um povo por causa de vinte centavos!

Quem vocês acham que pagarão a conta, galera? Raciocinem, nem que seja uma vez. Em nome da Cruz!

Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant

Miguel Esteves Cardoso e o orgulho gay



Miguel Vicente Esteves Cardoso é crítico, escritor e jornalista português
Foto: casadoxadrez.blogspot.com
Na Europa, cada manifestação "do orgulho Gay" contou, em média, com 100.000 pessoas.

Cada manifestação "Contra a Corrupção" teve, em média, cerca de 2.500 pessoas!

Estatisticamente, fica provado que há mais gente a "lutar pelo direito de levar no rabo" do que a "lutar para não ser enrabado".

Miguel Esteves Cardoso

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Não aos chupa-cabras. Ou, as sanguessugas verdadeiras não merecem ser associadas a gente tão podre!

marlivieira.blogspot.com
Muitos deputados mensaleiros, sanguessugas, "cuequeiros", maleiros e dançarinos, sem o menor constrangimento, com a cara mais cínica e lavada dizem que vão tentar se reeleger em outubro. 

Eles não admitem abertamente, mas é claro que contam com a impunidade total, inclusive por parte de quem é o único que pode encerrar suas carreiras de crimes ultrajantes: o eleitor brasileiro. 

Este ente meio que drogado, anestesiado e conformado - o eleitor -, rapidamente passou do assombro e da estupefação para uma espécie de letargia, de torpor, onde nada mais o estarrece nem lhe desperta o senso de indignação.

Um pouco de didatismo: as populações das duas Bom Jesus totalizam cerca de 50 mil pessoas (o senso 2000 do IBGE dá 32 mil para o lado fluminense e 9 mil para o capixaba, mas arredondemos generosamente estes números). 

Os R$ 1 bi que os sanguessugas roubaram dariam para distribuir cerca de R$ 2 mil a cada cidadão bonjesuense, repita-se, TODOS, sem nenhuma exceção, tanto os do ES como os do RJ, inclusive os bebês. 

Uma família de cinco pessoas teria em sua conta bancária R$ 10 mil, suficientes para comprar uma modesta quitinete ou quase um carro popular. 


E vejam só: apenas com o que roubaram os sanguessugas! 

Já pensaram se a conta englobasse os mensaleiros e os demais infernizantes "deste país"?

Mais didatismo: o distinto trabalhador que se angustia todo fim de mês com os impostos e encargos diretos descontados no seu contra-cheque, paga ainda 82% de imposto indireto para o cigarrinho do dia-a-dia; 58% para a gasolina; 53% para o xampu; 56% para a cerveja; 53% para o DVD; 83% se gostar de uma cachacinha; 36% para os remédios; cerca de 40% para os alimentos; 50% em média para o material escolar; 47% para o vaso sanitário de sua casa e por aí afora.

Para onde está indo essa dinheirama, nem é preciso dizer. 

Não é à-toa que a deputada rechonchuda exorbitou na sua dança de conga acintosa ao povo brasileiro, comemorando a absolvição de um colega pela mais ultrajante e perversa impunidade que assola o brasileiro, prometendo "voltar nos braços do povo". 

Vejam a que ponto chegamos!

Quando se fala do bandido Marcola ou do Fernandinho Beira Mar, párias da humanidade, deveríamos no entanto fazer-lhes justiça pelo menos no ponto em que, ao contrário do que se diz, não são eles os mais sanguinários, porquanto eles matam e barbarizam de forma localizada, enquanto os nossos bandidos de terno, travestidos de homens do povo matam o doente nas filas quilométricas dos hospitais sem remédios, sem leitos e sem médicos, de forma generalizada. 

Matam muitas pessoas de fome, de desemprego, de deseducação, de insegurança. 

Não satisfeitos, matam a esperança, a fé, a alegria. 

Desnudam nossa soberania, devassam nossas vidas, sugam nossa dignidade.

As sanguessugas verdadeiras, vermes parasitas que até chegaram a prestar serviços nos primórdios da Medicina não mereciam ter seu nome associado a gente tão podre, indelevelmente nauseabunda, velhaca. 

Nossas sanguessugas de gravata deveriam ir pros quintos, mas ao contrário, estão convencidas de que vão habitar novamente aquela que deveria ser a Casa das casas, mas que se transformou nos últimos anos no valhacouto de patifes, salvo as honrosas exceções que não se sabe como respiram aquela atmosfera pútrida e virulenta.

O eleitor, por mais desmotivado e desesperançado não tem o direito de trair seus descendentes permitindo tamanha ignomínia. 

Numa região da Romênia, no século XVIII, reza a lenda que as pessoas andavam munidas de uma cruz e réstias de alho para espantarem o Conde Drácula. 

Nas próximas eleições, o povo brasileiro deveria se munir também da estaca porque o vampiro é mais sedento que o morcegão da literatura. 

Deixar as carótidas de filhos e netos (que serão no futuro quem mais sofrerão as conseqüências do desgoverno de hoje) à mercê desses crápulas de caninos afiados é decretar-lhes anemia perpétua e infelicidade perene. 

Vade retro!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em julho/2006

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Como João Ubaldo no Leblon, bate-papo num boteco de Bom Jesus


- Ô, Zêinrique, não vai comentar a "limpa" que a Polícia Federal fez em Bom Jesus?, indagou o Palhares, um amigo de data recente, já que muitos dos antigos foram estudar a geologia dos campos-santos... (e estão por aí com você, Machado).

- Não, não vou, respondi um tanto ríspido.

Meio boquiaberto, Palhares retrucou:

- Vai perder a oportunidade de dar uma espinafrada nessa cambada?

- Vou.

- Pô, cara. Tô  estranhando... Vai ver está também com o rabo-preso..., disse com um risinho sarcástico.

- Rabo-preso coisa nenhuma. É que estou com uma preguiça...

- Preguiça? 


- Sim. Nada mais espanta. Jogar criança pela janela; comprar deputado em parcelas mensais; um, dois, três, quatro, cinco, 
e quem sabe mais prefeitos diferentes em Bom Jesus do Itabapoana numa mesma gestão; cinegrafistas da Globo, no helicóphero, mostrando para todo o Brasil nossa cidade como uma Chicago dos anos 1930 em miniatura... Tudo tão letárgico que escrever está se tornando inócuo.

- Inócuo?

- É. Nem os ganhadores do Pulitzer conseguiriam fazer um texto que redespertasse a capacidade de indignação das pessoas, amortecida pelo modus vivendi contemporâneo, onde a única coisa que vale para muita gente é o TER, não importa como, mesmo que tenha de matar figurada ou literalmente o SER.

- Como assim?

- Já está cansativa, embora a cada dia mais legítima a máxima de que a conquista das coisas através do trabalho, da honestidade, da ética e da honra, está fora de moda há  tempos... Como dizíamos no passado, isso hoje é cafonice, está démodé, é boco-moco.

- Verdade das boas.

- Existem três tipos de gente, Palhares: a que tem ou não tem, em que ambas as circunstâncias advêm da dignidade e da honradez; a que não tem, mas gosta de ostentar o carrão da financeira ou a casa da Caixa; e a gente pior: a que tem, às vezes muito mais do que precisa, mas em decorrência de roubo, furto, estelionato, desvio, corrupção, etc, etc, etc, que a malignidade é infinita.

- Realmente, Zêinrique.

- Esta última categoria mata indiretamente doentes nos hospitais sem leito, Palhares, porque o dinheiro que poderia financiar o sistema de saúde pública está em grande parte nos bolsos dela; 

Essa gente que recebe benefícios indevidos do INSS é a parasita que vive, muitas vezes nababescamente, às custas alheias, inviabilizando a que estas alheias desfrutem, merecidamente, a recompensa por 40 anos de trabalhode sol a sol porque a Previdência, quebrada, é incapaz de suster condignamente o fiapo de vida que lhe resta.

Essa gente...

- Você não disse que não ia comentar?, interrompe bruscamente o Palhares, com um sorriso maroto, quando eu já estava quase apoplético. E completou:

- Rá, rá, rá. Ta na veia, Zêinrique, não pode controlar...

- Ops. Foi mal. Não falo mais nada, redargui, amuado.

- Só mais uma coisinha, insistiu ele. - Em qual categoria você se coloca?

- Pertenço com muito orgulho à categoria da maioria dos bom-jesuenses, dos brasileiros: não ostentamos nada, e quase nada temos. Mas somos felizes. 
E dormimos tranquilos, sempre em paz com a nossa consciência.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em julho/2008

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Adeus às ilusões?

Lula
Até que se prove o contrário, o presidente Lula é um homem direito, que pode estar com as mãos limpas em todos esses episódios que envergonham o Brasil e os brasileiros.

Mãos limpas, porém, são uma coisa; irresponsabilidade, outra. Esta parece que não lhe será fácil excluir de
sua biografia.

O presidente se meteu numa encruzilhada difícil, na circunstância de, se correr, o bicho pega, se ficar, o bicho come.

Se ele realmente sabia das maracutaias e não tomou nenhuma providência além de estancar a sangria de dinheiro público usado para a mesada dos deputados, cometeu crime de responsabilidade.

Afinal, a autoridade máxima do país teria de ser a primeira a abrir as portas das grades para os ladrões.

Se não sabia, fica caracterizado que na realidade ele não
governa, por inaptidão ou desleixo, deixando o encargo para gente periculosa.
A traição dessa gente não o absolve perante o povo, que investiu suas últimas esperanças não em Jefferson, Dirceu,
Delúbio, mas em Luis Inácio Lula da Silva.




Estamos vivenciando no Brasil hoje o paroxismo da hipocrisia.



Quem acredita em duendes tem a percepção que vereadores, prefeitos, congressistas, estão de fato trabalhando em favor do país e do seu povo.

Claro que não se pode generalizar, existem as exceções, mas parece ofuscantemente claro que estas são as minorias que,  por mais eloquentemente indignadas ficam com as vozes abafadas pela algaravia do submundo e dos porões infectos da bandalheira. 


E o presidente Lula, que não tem nada de ingênuo, precisa
explicar o porquê submerge sob as águas do pântano coalhado de sáurios gigantescos e lagartos venenosos,
inteiramente desarmado. 

E mais ainda: sobre o porquê não ter movido uma palha para as mudanças acenadas, que na parolagem presidencial
mudariam esse estado de coisas.

Ainda que desgastada, e já de gosto duvidoso, a figura de retórica “a esperança venceu o medo” precisa ser
lembrada para configurar o tamanho gigantesco da traição ao povo, que vai se delineando de forma brutal, estarrecedora!

É angustiante pensar que os coturnos possam estar sendo carinhosamente lustrados e os generais, almirantes e brigadeiros vivendo o frenesi da nem tão remota possibilidade de retorno ao cenário, legitimados pela pergunta que não quer calar: 

Quem vai investigar quem?

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2005

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Pão murcho, circo a perigo

www.sponholz.arq.br
Euclides da Cunha já dizia que o sertanejo é, antes de tudo, um forte. 

Licença mediúnica ao autor de “Os Sertões” para mudarmos a frase. O brasileiro como um todo é, antes de tudo, um forte.

Por muito menos do que essa tragédia moral que se abateu sobre ele, outros povos não teriam sofrido calados, sem atitudes, a tamanha torpeza de sua classe dirigente.Alguns petistas têm razão quando defendem a tese de que o partido não é o único malfeitor do Brasil. 

O problema da política nacional é que ela está podre, decomposta, contaminada pelo verme da corrupção, do descaso pelo Brasil e sua gente. 

Com efeito, seria maniqueísmo debitar a uma única agremiação a perversidade da roubalheira, mas o PT acenava ser a tábua da salvação moral, o apanágio da ética.


Vê-se, amargamente, que iguala-se ao mais vil e abjeto, porque além de tudo fraudava desvirtuando a democracia e os ares libertários conquistados a duras penas.


Que coisa terrível pensar que a liberdade, a família, o trabalho, a vida, o futuro, enfim, tudo é regido por uma classe política da pior espécie, com poucas exceções!

Como envergonha sermos contemporâneos dessa cáfila; como desespera a impotência ante o verdugo; como exaspera a falta de perspectiva e a incapacidade de mobilização para a tomada de atitudes!

Ulysses Guimarães dizia que entre os políticos, o mais bobo conserta relógios com luvas de boxe. 

E não é só lá. Um vereador aqui do Vale do Itabapoana, perguntado pelo jornalista sobre o porquê de a Câmara não ter mantido o salário anterior após a redução das cadeiras, em vez de incorporar proporcionalmente a sobra dos recursos aos salários dos edis, disse: “Para quê, para sermos chamados de bobos?”. 

O município e sua gente, para este vereador, não passam de detalhes dos mais insignificantes.

Escândalo em cima de escândalo! Henfil dizia, já naquela época, que deveria ser criada no Brasil a “Escandolbrás”, entidade que serviria para catalogar e administrar os escândalos municipais, estaduais e federais. 

Coitado! Se soubesse que o seu PT haveria de encabeçar a lista dos mais finórios escandalizadores, teria se rendido ao verde-oliva, de alma, coração e mente.Agora, recém-saído do forno, o escândalo da Máfia do Apito. 

Árbitros de futebol fraudando resultados da maior paixão do país é apenas a metáfora do tiro de misericórdia no coração do brasileiro: 

“Querem acabar com o pão, já murcho, vamos acabar também com o circo!”, diriam.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em outubro/2005

"Perseguição política": panacéia

geraldopassofundo.blogspot.com 
Nenhum brasileiro pode atualmente, em sã consciência, na plenitude da lucidez, olvidar que estamos vivendo talvez a fase mais perversa da corrupção da história republicana. 

O achincalhe é total, já não há sequer uma pequena preocupação da salvaguarda das aparências, a coisa se institucionalizou de tal forma, tão às escâncaras e tão impunemente, que parece não haver mais solução (vale enaltecer o trabalho da Polícia Federal, que jamais, em tempo algum, teve tanto trabalho e se mostrou tão eficaz. 

Já a Justiça...

Interessante notar que políticos extremamente inteligentes, perspicazes, bem preparados de intelecto, que roubam da forma mais engenhosa não encontram desculpa melhor elaborada quando se vêem denunciados do que a mesmíssima cantilena, velha do vento sul, de que tudo não passa de 'perseguição política'.

Ora, ora, ora, como dizia o velho Teotônio. Nem sequer respeitam nossa inteligência. 

Mas eu, em verdade, lhes digo: tirem o cavalinho da chuva, macanudos, pra cima de mim, não. De há muito acabou o que se denominava 'movido pela causa'. 

Poucas são as exceções que se preocupam realmente com o destino do seu país, do seu município. 



O negócio hoje é "dê cá aquela palha", e dessa profusão de interesses pessoais resulta a "perseguição política". 


E ai de nós se não fosse ela, pois se com perseguição, que gera denúncias, estamos na fossa do Planeta, ganhando apenas de Serra Leoa (alguém sabe que Serra Leoa é um país paupérrimo nos confins da África Ocidental?) em distribuição de renda, por exemplo, como seria "sem perseguição"? 

“Ei, você aí com o bocão nesse tetão, sabe quantas crianças seriam salvas da inanição (com rima e tudo) se você mamasse menos?”, seria uma reação edificante. 

“Ei você aí com este bocão..., vai mamar tudo? E eu, como fico?”, é a realidade. 

Daí, repito, a "perseguição"...

Bom Jesus também foi alvo recentemente dos "perseguidores". 

Só que os nossos envergonham a classe persecutória, cujos membros têm, em muitos casos, a coragem de mostrar a cara.

Os daqui, não, se esconderam na covardia do anonimato, são a essência do mais repugnante X-9. 

Aos denunciados caberia, se tivessem o preparo necessário, inovar a justificativa fácil e cômoda do "é perseguição política". 

Fernando Collor também evocou em sua defesa esta frase imorredoura, e para não me alongar, todos, rigorosamente todos os políticos que são pegos com a boca na botija se valem da indefectível "é perseguição política".

Se os de Bom Jesus estiverem realmente com as consciências tranquilas, nada a temer, até pelo contrário. 

Provem que não estão também no valhacouto da imoralidade, reabilitem o nome de nossa cidade manchado pelas "perseguições". 

Haveríamos de desfrutar dessa pretensa luz que se faria no fim do túnel e a "perseguição" de hoje transformar-se-ia na mais eficiente publicidade política de amanhã.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2005

sábado, 6 de abril de 2013

Luiz Estêvão vive

Um dos filmes de terror de grande sucesso, "A Hora do Pesadelo", que teve varias continuações (se não me engano 9 ou 10), tinha como personagem central de seu enredo sinistro o Fred Krueger, um personagem que brutalizava impiedosamente suas vítimas e era quase que indestrutível. 

Nas tramas inspiradas pelo mais macabro espírito criador, a horripilante criatura ressurgia do inferno, para onde era mandada sempre a duras penas por mocinhos e mocinhas (nunca antes de trucidar dezenas de pessoas) para voltar ao seu horrendo labor com redobrada disposição.

Luiz Estêvão é uma espécie de Fred Krueger para os brasileiros. Ainda que esquartejado e sepultado, é um
osso duro de roer. 

A maldição que acompanha os seres maquiavélicos costuma permanecer fazendo vítimas enquanto a carne apodrece embaixo de sete palmos e meio.

 
É o caso dele. Seu espectro ronda importantes gabinetes de Brasília, belisca o pé dos vivos, faz estragos morais impressionantes, deixando sua alma leve pela concretização  de engenhosa vindita.

Ou o que está acontecendo na mais nobre instituição do país não parece coisa de fantasmas, daqueles que arrepiariam até o padre Karras, em "O exorcista"?

Nem é necessário regredir-se até a época em que sua 
excelência era uma espécie de eminência parda na Republica, inclusive na dos generais, homem impoluto, figura quase que etérea no reino, que há dois, três meses, o ciclope Antônio Carlos Magalhães, 0 ACM, vulgo Toninho Malvadeza, estaria sentado na cadeira mundana dos simples mortais, subjugado a um dos mais constrangedores mecanis
mos policiais, que é a vergonhosa acareação? 

Ou que José Roberto Arruda, político respeitado, que faria do governo regional da capital o trampolim para 0 Palácio do Planalto, estivesse igualmente na berlinda como um reles mentiroso, um violador de painéis, e por extensão, dadignidade da corte?

Sujeito inteligente, e sortudo esse Estêvão! 

Fez fortuna com os cofres públicos, angariou notoriedade, goza a vida como um nababo e até se dá ao luxo da desforra, de escarnecer com o riso das hienas daqueles que mais queriam, mais trabalharam e mais tiveram o prestígio e a credibilidade, entre aspas, de exigir sua cabeça!

Só falta ele se levantar triunfalmente do túmulo político, invocar a condescendência de nobres juízes e retornar em triunfo ao cenário, não como uma alma penada que vai se tornando o maior pesadelo de eminentes figuras públicas, mas em carne e osso a se valer de engenhosos advogados, e das firulas jurídicas, exigir e obter de volta o seu lugar.

Vade retro!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/2001

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Preclaros ratos dos precatórios

blogdeourolandia.blogspot.com

Diariamente lê-se nos jornais casos de pessoas paupérrimas sendo presas por furtarem alimentos ou cometendo pequenos crimes com o intuito de poder comprá-los a fim de calar a sua maldita fome. 


Há pouco tempo foi noticiado o caso da mulher que foi presa, condenada e trancafiada por ter subtraído uma lata de leite em pó de um supermercado carioca, a fim de alimentar o seu filho em adiantado estado de desnutrição.

As cenas descritas acima fazem parte do cotidiano de um povo oprimido, humilhado por não possuir nem mesmo o alimento que lhe garanta a vida, carente de educação, de saúde, de moradia digna. 

Carece-lhe o trabalho, que as bestas do apocalipse, travestidas de salvadores da pátria e com “canudos” conseguidos em Oxford, Cambridge e Yale, trataram de surrupiar-lhe. 

Carece-lhe a Justiça, pois por viver em guetos e favelas e, sobretudo, por ser pobre, este povo não a pode comprar, vivendo por isso estigmatizado como bandido. 


Vivenciamos aqui mesmo em nossa cidade, casos de pessoas honestas, pais de família, serem perseguidos e punidos “exemplarmente”, unicamente por estarem transportando em suas velhas sucatas, mercadorias diversas sem nota fiscal, sendo, por conseguinte, considerados perigosos contrabandistas. 


As autoridades, que estão cumprido o seu papel, talvez não o fizessem com tamanho rigor se percebessem que naquela mercadoria apreendida está o sustento de uma família.

Acaso a pátria os oferta opções de trabalho lícito? Sabemos que não! E por que não? Por que não há leitos nos hospitais para os pobres? Por que estes não possuem uma casa própria, não podem frequentar uma universidade e assim renunciando a dignidade e os sonhos?

Não é difícil adivinhar a resposta..., e ela é simples: é porque os recursos necessários estão nos bolsos dos preclaros ratos. 

Vossência, (corruptela de Vossa Excelência), termo muito comum entre eles, sabe que por trás do seu cargo de senador, governador, deputado e prefeito está a certeza da impunidade, garantida pelo corporativismo, o chamado sprit de corps. 

Qual abutres esfomeados, mas bem dotados intelectualmente, armam as mais incríveis maracutaias fazendo uso da sua ilimitada criatividade a fim de saciar o voraz instinto selvagem. 

Lembram-se dos escândalos coloridos? Da pilhagem no Orçamento? Da rapinagem explícita do caso Sivam e a famosa pasta cor de rosa?

E o que dizer quando vossência alia-se a V. Sa. e Exmo. Sr. para gerir carniça denominada escândalo das empreiteiras, escândalo de bancos falidos, (porém seus donos, individualmente, multimilionários), escândalo da previdência? 

É um escândalo atrás do outro, e agora, novinho em folha, ainda cheirando a tinta é lançado um novo: o dos Precatórios. 

E olha que desta vez extrapolaram. A genialidade maléfica destes facínoras foi além dos limites. Enoja-nos, causa-nos asco quando percebemos que dessa vez tiraram até mesmo a merenda das crianças alagoanas, pernambucanas e catarinenses. 

Sim, isso mesmo, roubaram a merenda. Rasparam definitivamente os cofres destes estados que já estavam falidos, e que agora têm mais uma conta a pagar, bastante salgada, fruto da velhacaria desses pilantras de colarinho branco, e que, consequentemente, terá de ser tirada da boca das crianças, do bolso dos professores, médicos, polícia e demais funcionários públicos, cujos salários serão mais uma vez atrasados e até mesmo caloteados. 

A indignação torna-se maior quando sabemos que estes balofos seres alienígenas usam o raro dinheiro do povo para poder manter suas aeronaves ricamente decoradas e suas mansões cinematográficas, onde, em suas luxuosas varandas, dando vistas para suas piscinas olímpicas e cascatas artificiais, acompanhados de belas mulheres e com um sorriso cínico nos lábios, sorvem, em recipientes folheados a ouro o nosso sangue! 

E não venham me dizer que pelo menos um, unzinho, foi preso. Na verdade, PC Farias não o foi, porque seus poucos dias de chamada reclusão foram, na verdade, quase que num hotel cinco estrelas, tamanhas eram as mordomias que o mesmo desfrutava, tendo passado seu último dia de vida, inclusive, numa belíssima mansão ao lado de uma atraente mulher.

Preclaros ratos. Agora que vocês foram desmascarados, por que não se atiram no primeiro esgoto que virem pela frente? Poupem-nos, ad eternum, de contemplarmos suas macabras figuras, pois temos repugnância a elas. 

Levem consigo os banqueiros que fizeram parte de sua quadrilha e demais pilantras da sua laia. 

E que os céus continuem a iluminar a parte boa das nossas instituições democráticas, para que possamos dar continuidade nesta difícil tarefa de passar o Brasil a limpo, para que um dia não vejamos mais uma mãe presa por tentar alimentar de alguma forma o seu filho faminto, vez que os recursos para o seu sustento foram pilhados por estes seres expelidos do ventre tenebroso de um velho castelo da Pensylvânia!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em fevereiro/1997

Conselhos de notáveis

Haverá de existir um sistema político que funcionará através de Conselhos de Notáveis em níveis municipal, estadual e federal.

Definir-se-ão os critérios de quantidade e da forma como isto funcionará, e o basilar do sistema será poucos componentes a comporem os conselhos, mas que sejam as mentes mais brilhantes e os caráteres mais íntegros.


Não custa sonhar que o Brasil não mais terá prefeitos, vereadores, deputados, senadores, presidentes, congresso, jetons, imunidade, pilantragem, maracutaia, sinecura, falcatruas, nepotismo, malversação, grampos, sujeira, insegurança, hipocrisia, fome, seca, deseducação, etc., etc., etc., senão o espaço acaba!




É claro (e isso deve ser ressaltado com todas as letras) que existem os que fazem da atividade política sua profissão de fé num Brasil próspero, moderno e justo. Mas estes travam batalhas inglórias contra uma ordem estabelecida na qual são impotentes de lograr revertê-la.


Em Alagoas, “a Assembléia Legislativa vai gastar R$ 160 mil para deixar os 27 deputados estaduais alagoanos bem vestidos, perfumados e na moda. 

A presidente da casa, Ziane Costa (PMDB) autorizou o depósito de R$ 5,9 mil para compra de roupas e acessórios para cada um dos 27 deputados que não terão de prestar contas da verba. 

Além dos R$ 5,9 mil para as roupas, os parlamentares vão receber R$ 78 mil para o pagamento de assessores e custeio de gabinete. Cada parlamentar pode ter até 30 assessores. 

O custo total no primeiro mês de trabalho será de R$ 8,1 milhões”. Jornal do Brasil, 4/3/99.

Em Pernambuco, “irresponsáveis políticos desviaram para seus próprios bolsos até as cestas básicas que o governo e o povo brasileiro mandaram para que os miseráveis não morram de fome. 


É a própria indústria da seca no seu mais chocante grau de perversidade. (...) Roubar, para eles, é um direito político que lhes foi conferido pelo próprio voto dos miseráveis roubados, é uma questão de cultura transmitida de pai para filho desde os invasores que levavam nosso ouro para seus países (...)”. O Globo, 28/12/98.

Em Jaboatão dos Guararapes-PE, “o prefeito do município deve ser o recordista do nepotismo. Empregou a mulher, os 10 filhos, 24 sobrinhos, 4 genros, 3 cunhados, 2 irmãos, 1 neto e mais outros 3 parentes, num total de 48”. O Globo, 15/12/98.

No congresso havia, no fim de 1998, 131 denúncias, inquéritos, queixas e ações penais contra parlamentares. 


Só se recorda da cassação de Sérgio Naya (parece que consideraram grave o crime de ter construído um prédio com material de última categoria e matado algumas pessoas, além de ter deixado centenas ao desabrigo). 

Um ou outro “boi de piranha” muito eventualmente também é sacrificado, mesmo assim se for pego em gravíssimo flagrante delito.

O corporativismo na casa é algo absurdo e até surreal. A desmoralização atinge tal ápice através de um código penal primitivo e benevolente em suas filigranas jurídicas, que Hildebrando Pascoal assumiu sua cadeira no congresso com 101 inquéritos na Polícia Federal e acusado de ser o líder de um grupo de extermínio no Acre, com mais de 30 mortes imputadas. 

Talvane Albuquerque, seriíssimo suspeito de ser o mandante do assassinato da Deputada Ceci Cunha para ficar com sua vaga, também assumiu.

Figuras desse naipe também são os legítimos representantes dos interesses dos brasileiros e arquitetos do futuro da Nação!

O sonho dos conselhos não faz sentido?

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/1999

domingo, 31 de março de 2013

Grampo provinciano; ou, condomínio chamado Brasil

novacharges.wordpress.com
Triiimmmm

–Alô?

–É o Vicente? Souza falando...

–E aí, Souza? Tem passado bem?

–Não como você, Vicente. Você que é sortudo..., até já instalaram o seu telefone...

–É... 5 anos de espera..., já era tempo! Mas não sou eu que estou bem nas pesquisas...

–Que nada, Vicente. Ainda preciso de mais 3 condôminos para garantir minha eleição de síndico aí do prédio...

–“Xá” comigo, Souza. Vai ser mole. Só vou precisar de sua colaboração depois..., sabe como é...

–Perfeitamente. Claro. Irrestrita.

–Então escute. O plano é o seguinte: sabe aquela mulher do 501?

–Sei... sei. Aquela que no lugar de palmas sacode as jóias?

–Isso. Vamos dar isenção total do pagamento da taxa mensal de condomínio da sua cobertura durante toda a gestão do governo Souza, compreendeu?

–Claro, nada mais justo, Vicente!

–E tem mais. Conhece o Curriola, amigo do Chico Golpes?



–O dono do banco Sarka Tudo?

–Sim. Ele, o Curriola, juntamente com o dono do Banco Conte Cinfrões, que moram juntos no 171, vão votar em você.

Só que eles precisam de uma forcinha..., tão com o apartamento penhorado..., coitados..., me ligaram hoje das Bahamas..., nem conseguem curtir umas férias direito, tamanha a preocupação.

–Claro, claro. Se depender dos recursos do prédio, os bancos deles não quebram..., ou melhor, se quebrarem pelo menos eles ficarão numa boa. 

Pra que servem os amigos, não Vicente?

–E tem também aquele empreiteiro que mora no 302, o dono da Superfaturadas ilimitada. 

O dele vai ser um contrato de manutenção do prédio com um pequeno ágio de 50%.

–50%? Não é muito?

–Né não, Souza. É valor de mercado. Não vê a  O K Nalha? Já reajustou sua tabela “agial” para 60%! Dizem que a Safardo Corneia já cobra 70!

–Esse pessoal não brinca em serviço! Votinho caro, né Vicente?

–É..., mas compensa. Os condôminos comuns serão beneficiados em “nossa” administração. Vamos manter a estabilidade dos valores condominiais a qualquer custo, né não, Souza?

–Claro, claro..., humpt, humm..., humm...., mas Vicente, de onde vamos tirar para cobrir estes custos..., digamos..., eleitorais?

–Simples, Souza, simples. Não tem aqueles gringos que adoram emprestar dinheiro?

–Os do FOMI?

–Isso. Famosos Opressores Matreiros Internacionais.
–Mas os juros são bem salgados... Para pagar estes caras vamos ter de demitir gente..., acabar com a escolinha e a sala de primeiros socorros..., aqueles dois andares que projetávamos crescer vão para o espaço...

–E daí? Preço de condomínio 4 anos sem aumentar é o que importa, Souza. Vamos nos capitalizando com os gringos nas defasagens, pagando só os juros e empurrando com a barriga...

–Mas vai chegar num ponto, Vicente, que a coisa pode estourar...

–Desde que não estoure em nossas mãos..., o próximo síndico que se vire! 

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/1998