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Mostrando postagens com marcador Política bom-jesuense. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Mobilidade urbana em Bom Jesus: Bonjesino acha que os políticos da terrinha estão se mexendo, como seus congêneres de Brasília. Tola ilusão, acho eu

Lamento dizer, mas não acredito que as manifestações meio barro, meio tijolo, em Bom Jesus, foram
capazes de sacudir as estruturas do provincianismo político, suas decenárias idiossincrasias
e o modus faciendi ultrapassado, canhestro, de gestão pública

A ponte sobre o Rio Itabapoana (foto), que os ingleses construíram no início do século passado mais para tráfego de carroças de tração animal, unindo Bom Jesus do Norte (Extremo-Sul Capixaba) e Bom Jesus do Itabapoana (Noroeste Fluminense), hoje suporta o pesado trânsito de bólidos guiados por GPSs e que manobram sozinhos nas vagas de estacionamento.

Diria alguém não conhecedor das duas cidades, que naturalmente a ponte veio tendo ampliações ao longo do tempo, adequando-se gradativamente à medida das necessidades pelo aumento constante do tráfego.

Ledo engano. Ao contrário, ela ficou mais estreita para os veículos devido à construção de duas passagens para pedestres na década de 1970, se não me falha a memória! 

Adivinhem como está o trânsito sobre a acanhadíssima ponte,  atualmente, em especial nos horários do rush...

Hoje em dia todo mundo tem acesso ao carrão financiado em trocentas vezes, com preços reduzidos por renúncias fiscais do socialismo tupiniquim. 

Só que os çábios, com c e com cedilha, não atentaram para o simples fato de que teriam também de investirem em estrutura viária onde esses veículos pudessem trafegar.

Resultado: todo mundo tem carro, mas não tem como usá-lo de forma desejável, principalmente nas cidades, sem estresse, sem engarrafamentos monstruosos.

Como dizia Ulisses Guimarães, político só tem medo de povo.  De povo que reivindica, que faz pressão, bem dito. 

E depois destas últimas pressões – e que pressões!, a politicada está igual manada sem rumo, galopando em círculos, entrando em qualquer porteira que vê aberta.

Estão prometendo ao povão até revogar a lei da gravidade;  inclusive, já anunciaram a liberação de R$ 50 bilhões para mobilidade urbana.

Diria Bonjesino, o meu personagem apaixonado pelos políticos da terrinha, que os prefeitos daqui já estão unidos entre si, e articulam com suas respectivas representatividades em níveis estadual e federal para viabilizarem a construção da 2ª ponte urbana.

Guardando uma estratégica e cautelar distância de Bonjesino, em verdade vos digo:

Em 2016, ano das próximas eleições municipais, com certeza ouviremos nos palanques as mesmas promessas, os mesmos tatibitates com os quais há décadas tratam de assunto tão importante para ambos os municípios e seus quase 50 mil habitantes, somados, fora as populações de municípios adjacentes e de outras plagas, em trânsito, numa região fronteiriça entre dois dos mais destacados Estados da Federação.   

Autor: José Henrique Vaillant

terça-feira, 18 de junho de 2013

Interpretando a charge 15 - O gigante acordou e assusta a politicada! Que mande tentáculos para Bom Jesus e região


No início das manifestações em São Paulo, fiz um texto condenando as depredações, as badernas, além de questionar os princípios de tão grande número de pessoas resolver brigar por causa do aumento de vinte centavos de Real no preço das passagens dos ônibus, enquanto políticos roubam bilhões e quase ninguém diz nada.

Surpreendi-me muito positivamente depois com a continuidade da manifestação, que demonstrando fôlego para continuar, mostrou que não se restringia a meia dúzia de bandoleiros (sempre há em qualquer movimento) e que os R$ 0,20 foram a gota d´água a romper o dique da gigantesca onda de indignação e revolta pelas circunstâncias de um país à deriva, cercado de vagas monstruosas de corrupção, incompetência, descaso, hipocrisia, megalomania, et caterva. Melhor: espraiou-se para os quatro cantos do país.

Não esqueçam o que escrevi ao censurar os valentes com coquetéis Molotov, pedras e bombas caseiras nas mãos, porque se violência e quebra-quebra resolvessem alguma coisa, a Terra seria o paraíso universal  (para os mais fortes fisicamente, claro).

Mas o que emergiu daquele casulo, inicialmente a meu ver purulento de bagunça pela bagunça, foi algo precioso, algo que parecia morto e sepultado, e que se mostra agora mais vivo do que supunha a vã filosofia da matreira política.

A resistência às práxis mais tacanhas, que até escrevi em versos como mortalmente ferida (aqui), queimou minha língua. E como é gostoso ter a língua queimada assim! 

Qual Fênix, a ave lendária da mitologia grega que ressurge das cinzas, mais bela e mais forte cada vez que se cumpre seu ciclo de 500 anos de vida, a indignação mostrou sua face jovial e bela, o descontentamento apresenta-se hígido, com brios de um Sansão de compridas madeixas, o conformismo se nutre de kriptonita e se transfigura em seu antônimo, sólido como aço.

Demorou, mas veio, ardente como o vento do Saara, a reação que, sem bandeiras políticas claramente definidas, aplica um duro golpe em todas elas!

Aplica sobretudo às que se revezam há 10 anos, sejam tremulando no espectro de terra arrasada como protagonistas, ou coadjuvantes (na realidade todas, porque a rigor não há oposição com O maiúsculo)!

Ficam com as caras abestalhadas até mesmo os papas da comunicação, os marqueteiros das agremiações partidárias nutridos a ouro em pó, incompetentes e incapazes, todavia, de preverem que o pessoal do mundo virtual estava prestes a tirar o traseiro da cadeira e os olhos nos facebooks da estratosfera e se materializar no mundo real.

Está sendo um pandemônio! Políticos de variados matizes olham-se aparvalhados, perplexos, como passageiros de um Titanic de dimensões planetárias que acaba de colidir com um rochedo de gelo! Nestes terríveis momentos, cai a empáfia que os eleva ao altar da imortalidade e se instala o pânico, a certeza nua e crua da fatal mortalidade.

A charge aí em cima parece ter sido feita sob encomenda para mim. Meu texto anterior de repúdio à violência dos manifestantes é representado pelo policial subjugando um baderneiro (na charge, à esquerda); e este texto de agora tem a alegoria de um manifestante (à direita), que dentro dos limites da lei e da ordem num Estado Democrático e de Direito mostra a força da democracia e do exercício de cidadania a um policial que eventualmente esteja com intenções ditatoriais.

Sim. Ainda que mais nada aconteça, uma transformação se fez no país. Nada mais será como antes, o espectro das redes sociais rondará como zumbi as cabeceiras da entourage política e despedaçará cada fibra da sensação de impunidade e pequenez de princípios éticos. 

Pensei que morreria sem ter desfrutado tamanha satisfação, que será ainda mais completa se puder presenciar algo semelhante em nossa microrregião, que vem merecendo, há décadas e décadas, um sonoro e retumbante BASTA!!!    

Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Bom Jesus do Itabapoana/RJ: afastamento da prefeita pode ser o prólogo de outra novela eleitoral dramática para o município!

A juíza eleitoral Fabíola Costalonga, de Bom Jesus do Itabapoana/RJ, cassou os mandatos da prefeita Branca Motta e de seu vice Jarbas Teixeira Borges Junger, no último dia 7/5.

Em seu lugar deve assumir o 2º colocado no pleito, Roberto Elias Figueiredo Salim - Roberto Tatu.

Mas como tudo pode acontecer, como aliás aconteceu no período 2005/2008, fiquemos no momento com a incógnita!

A juíza julgou procedente a denúncia feita pela Coligação do próprio Roberto Elias, segundo a qual a então prefeita, em campanha pela reeleição, teria realizado o asfaltamento da cidade durante o período eleitoral, conduta vedada pelo TSE.

A agora ex-prefeita tem o direito de recorrer da decisão, mas como se trata da nulidade dos diplomas expedidos, terá de fazê-lo fora do poder, a menos que consiga liminar.

Incógnita, incógnita nossa de cada dia dai-nos hoje! Mais uma vez o município vê-se envolvido em polêmica dessa natureza!

Na gestão 2005/2008, apagado da História no aspecto realizações/crescimento/desenvolvimento, nada menos que cinco (5) prefeitos se revezaram no cargo, uma média de menos de um em cada ano!

Naquela oportunidade, o prefeito eleito Carlos Garcia governou cerca de um ano, em meio a tormentas de cunho legal porque teria se valido de recursos ilegais de campanha.

Antes que fosse apeado do poder pela Justiça, o prefeito licenciou-se por questões de saúde.

Assume então o vice, Paulo Sérgio Cyrillo; cerca de um ano depois, e antes que Garcia voltasse, ambos foram afastados.

Toma as rédeas da prefeitura o então presidente da Câmara, vereador João Batista Magalhães, ficando 14 dias.



Depois, José Ary Loureiro Borges, vice do segundo colocado Miguel Motta (que não quis assumir, vejam só!). 


Quarenta e cinco dias depois, José Ary renuncia, quando o Poder Legislativo, em escrutínio indireto, elege o 5º e último prefeito: Paulo Portugal, que "tenteou" o município nos últimos seis meses daquela gestão fatídica!

Claro que pouco ou nada funcionou, aquele tempo foi inexoravelmente perdido!

E como a vida é curta, a perda de tanta oportunidade escoada no ralo da tormenta de um povo foi incalculável!

Lamentavelmente parece que não cessou tudo o que a antiga musa canta.

Ainda no decorrer da última campanha, recursos mútuos de impugnação por vários motivos, entre os dois candidatos favoritos (a prefeita agora cassada, e o segundo colocado agora ansioso para assumir) foram encaminhados à Justiça.

Isto é: prenuncia-se novamente uma queda de braços no âmbito de uma Justiça lenta, sensível aos variados e mirabolantes recursos, em meio a absolutamente nada de reforma política, atuando num cenário hostil à visão primordial do interesse coletivo que é, acima de tudo, a estabilidade das instituições.

Resta ao bom-jesuense apenas a tênue esperança de que o bom-senso prevaleça entre os atores políticos de mais uma comédia pastelão que se anuncia.

A estes, quem sabe o milagre de colocarem seus interesses pessoais em posição inferior aos da coletividade; estabelecerem o conformismo com as regras do jogo; entenderem que tudo passa e a cidade permanece, mas que permaneça mencionada na História sem mais hiatos de vergonha e humilhação!

Autor: José Henrique Vaillant

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Duelos em Itabapoana Valley, 2012, octobre - won two men, two women


Apiacá City
O velho pistoleiro Keres Joseph amanheceu com a expectative da desforra. 

Ele, que ganhou o duelo em 2008 de Betin the Kid, mas não pôde desfrutar por ter sido afastado pelo Xerife Superior Eleitoral, desta vez não podia confrontar-se com o rival diretamente, já que foi suspenso por eight years seu direito de duelar. 

Então Keres Joseph cerrou fileiras ao lado de Carl Magnum Oliver, mais conhecido como KK (Killer Killer), oferecendo a este sua experience para ajudar a liquidar Betin. 

Mas Betin também havia reforçado suas hostes com o temível pistoleiro Allan Dirck, que havia dominado Apiacá City em outras ocasiões, e como Keres Josef, acumulou large experience em combates. 

Ao fim do bang-bang, Betin the Kid e Allan Dirck festejaram uma vitória que, embora difícil, não foi tão sangrenta como a de 2008, quando Keres Joseph o venceu mas tombou frente à Electoral Justice, que alegou suposta adulteração nos canos de suas pistolas naquele renhido combate. 

No condado de Good the North Jesus eu previ que o clã Umbert Mess não iria desunir-se e guerrear entre si. E acertei. 

Por outro lado, imagino o grau de tensão interna que levou Ubald Sea Tins, brother de Umbert, a liderar a tropa onde o seu sobrinho, Mark Mess, desempenhou o papel secundário, já que não era segredo que Umbert queria porque queria o filho Mark como protagonista principal. 

But the union of family, como eu havia antevisto, prevaleceu, com Ubald Sea Tins e Mark Mess multiplicando forças para encararem o valentão Pedro Keys. 

Keys era um adversário mais temido do que o grisalho Doctor Ad Masterson (El Gringo), já que este, que havia derrotado o próprio Mark Mess em 2008, não estava agradando na gestão de Good the North Jesus.


Enfraquecido perante os electores, Ad Masterson exigiria menos munição e escaramuças de Ubald e Mark, que o aniquilariam mais facilmente.


A ilusão da fácil batalha desvaneceu-se quando Ad Masterson foi afastado das functions cerca de six months before de completar o mandate, quando Keys, que era o vice, assumiu. 

Este, que já era bom de briga, fortaleceu-se com a oportunidade, não a desperdiçando; em pouquísimo time, o condado desenvolveu-se com forte intensidade. 

Além disso, Keys havia se aliado ao experiente pistoleiro e médico Ted Elbah Tist, fatos que pareciam indicar que mais four years como xerife pareciam favas contadas em favor de Pedro Keys.

Só que Ted Elbah Tist não pôde ele próprio ficar na linha de frente juntamente com Pedro Keys, o que conferiria precisão cirúrgica nos disparos contra os adversários. 

Ted foi obrigado a enviar em seu lugar o jovem filho Djangorson, que evidentemente não possui a mesma experience, embora tenha demonstrado coragem e good potential. 

Mas foi um duelo interessante, que exigiu de Ubald, Umbert e Mark amplo encadeamento de forças, as mais díspares, para vencerem.

Em Good the Itabapoana Jesus, five contenders prepararam-se para a guerra, mas apenas four tinham chances. 

Marcel Linn, que além de não levar o menor jeito para cowboy, entrou na disputa com uma garrucha enferrujada, o que o alijou da disputa figurativamente antes mesmo de iniciada.

O old man Paul Port, bem como o young, Sam Júnior, tiveram bom desempenho mas também falharam. 

Não reuniram condições de duelar de igual para igual com as duas forças amparadas pelo atual governor Serg Cab All e o ex-governor Anthony Little Boy. 

Falo respectivamente da vencedora White Mott e do segundo colocado, que foi o representante de Paul Cyrill.

Interessante é que pouco antes da disputa, the Justice havia impedido o próprio Cyrill de duelar. 

Mas ele cedeu seu Colt para Robert Tatoo numa última e desesperada tentativa de se fazer representar na contenda. 

E quase deu certo. White Mott disparou meros 108 tiros a mais que Tatoo.

Já em San José del Calçado, o pistoleiro barbudo Joseph Carl provou do próprio veneno. 

Em 2008 Carl ganhou a disputa quase que por milagre do lendário Blue Eyes All Mars. 

A vitória de All Mars naquela oportunidade parecia tão certa, que ao tombar por escassos tirinhos que Carl deu a mais, All Mars perguntou, agonizante: - who are you?

E agora, a vingança de All Mars foi executada por uma woman, igualmente com parcas balas de diferença. 

Lili Ann, esposa do ex-xerife Jeff Spad Bulls lançou-se na disputa, onde concorria ainda o ex-amigo de Carl, Tin Ben. 

Mas Tin Ben não reunia grandes chances, ficando o duelo restrito mesmo a Lili Ann e Joseph Carl. 

No final, ao receber exíguos 119 tiros a mais, Joseph Carl, desta feita como vítima, já nos estertores, disse a Lili Ann: 

- You are pretty. Needed to be so cruel? (Você é bonita. Precisava ser tão cruel?).

Good luck to all.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em dezembro/2012

Indolência administrativa com crise política: pior dos mundos

Adaptado de www.expresso.pt
O problema maior gerado por toda instabilidade política é tornar o ente público refém da insegurança institucional e pessimista quanto ao futuro. 

Bom Jesus do Itabapoana, que teve na gestão 2005/2008 nada menos que cinco prefeitos ­- um deles eleito indiretamente pela Câmara -, até hoje sofre os efeitos danosos da intempérie política com chicanas jurídicas, muito embora a gestão que assumiu em 2009 venha realizando um trabalho aparentemente eficaz de redução dos danos.
Mas aquele tempo foi perdido, inexoravelmente! 


E como a vida é curta, a perda de tanta oportunidade escoada no ralo da tormenta de um povo é profundamente lamentável! 

E mais lamentável ainda a insensibilidade de alguns atores que contracenam em palco assim calamitoso, levando ao distinto público discursos chinfrins e aguda percepção de comprometimento maior com a causa personalística do que com a coletiva. 

Na fogueira das vaidades e na persecução às vezes insana de poder, vão-se despontando projetos de maior ou menor ambição egocêntrica . 

Bom Jesus do Norte também flertou recentemente com a crise política que, ao fim e ao cabo, sempre apresenta a fatura à população, que a quita sob a forma da privação de serviços públicos eficientes, falta de planificação e planejamento, solução de continuidade da máquina, redução da autoestima, por aí afora.
Felizmente percebe-se que por lá o bom-senso teve prevalência: o antídoto foi utilizado com mais agilidade e tudo indica que conterá a crise antes dela piscar para a desordem.
Uma analogia: o pior dos mundos para a Economia é inflação com recessão. E o pior dos mundos numa gestão pública é a crônica e histórica tibieza administrativa coroada com crises nos organismos de poder. 
Aguarda-se ansiosamente que, doravante, nem uma e, muito menos, outra.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/2012

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Posse de perdedores, uma esculhambação à democracia

www.revistaopiniao.com 
Em Bom Jesus do Itabapoana/RJ, todos sabem, a segunda colocada nas Eleições 2008 (Branca Motta) assumiu a prefeitura, referendada pelo Supremo Tribunal Federal. 

Assim como em Bom Jesus, basta pesquisar na Internet que encontrar-se-ão vários outros municípios brasileiros em situação semelhante. 

E não só nos municípios, como também em alguns estados, como na Paraíba e no Maranhão, por exemplo, os segundos viraram os primeiros governadores. 

Entendendo que isso é uma anomalia contrária à Constituição, e mais que isso, um desrespeito ao eleitor, o Senado Federal pretende rever este conceito e proibir doravante que tais excrescências se repitam. 

Tomara que suas excelências, perdidas num labirinto de desgraças éticas encontrem um meio de desvencilhar-se da lama em que patinam para poderem defender, como seria a premissa básica de suas funções, a cidadania do povo brasileiro.

A prefeita Branca Motta talvez seja a que tem mais legitimidade em relação a tantos outros segundos colocados que se veem por aí, porque sua derrota se deu pela pequena margem de 51 votos. 

É bem provável que haja cidades que tenham prefeitos governando respaldados em meros 20% de votos obtidos. 

Mas seja a diferença de 1 voto ou de 1 milhão, a vontade do eleitor é (ou era) soberana, e a Letra da Lei também devia ser. 


Ocorre que numa Justiça que assemelha-se a uma tartaruga míope, decidir com rapidez e promover outra eleição, como reza o bom senso instituído na Carta Magna, é algo praticamente impossível. 


Daí aparecer o famoso jeitinho brasileiro, que se transfere das camadas populares para os mais altos escalões jurídicos, em simbiose danosa à Democracia.

É óbvio que se o ganhador desrespeitou as regras, que seja impedido. 

Mas novas eleições têm de ser realizadas para que o povo defina quem fica em seu lugar. 

Ademais, seguindo a lógica de Reinaldo Azevedo, jamais o vencedor irá questionar o segundo colocado na Justiça, mas o segundo, eventualmente, sim (talvez tenhamos de mudar no futuro a palavra eventualmente para sistematicamente). 

E se este também tiver cometido alguma irregularidade, talvez até mais grave? A Justiça pune um criminoso eleitoral entronizando outro ainda pior!

As posses ilegítimas, embora legais, podem firmar jurisprudência. 

Não a jurisprudência no sentido lato da palavra nos meios jurídicos, mas jurisprudência figurativa nas cabeças dos políticos perdedores. 

Não seria exagero intuir que nas próximas eleições haverá ainda mais recursos de teor restritivo aos primeiros colocados se essa estupidez persistir. 

Pior: a criatividade dos perdedores pode chegar a tal nível de excelência que seria capaz até de produzir documentos falsos, denúncias mentirosas, engodos e escaramuças jurídicos idealizados por bons advogados. 

Neste caso as eleições se tornariam inúteis, e o eleitor incapacitado de impor sua vontade.

Em analogia ao que se dizia na época do poderoso Santos de Pelé & cia, de que aquele time imbatível nem precisaria entrar em campo (a vitória era certa), pode chegar o momento em que o eleitor nem precise ir às urnas. 

Os 11 membros togados decidirão, numa canetada só, quem administrará o futuro de sua cidade e, por extensão, o bem-estar e o destino de seu povo.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em setembro/2009

Bonjesino "filmou" a terceira ponte em Bom Jesus. Coisa realmente de cinema!

Cena captada dos olhos de Bonjesino
Bonjesino é uma figuraça, inclusive no sentido real do termo, isto é, grande também no físico. 

A começar pelo nome, pode-se notar seu profundo amor por Bom Jesus, tanto por uma cidade quanto por outra, que seu enorme coração não delimita. 

Ingênuo, otimista extremado, jamais ele duvida das boas intenções dos políticos da terrinha, e até briga quando alguém ousa questionar essa ou aquela atitude, esse ou aquele procedimento, tais e quais disposições de espírito. 

Não posso afirmar categoricamente, mas a Passarela da Amizade, que une as duas Bom Jesus teve o dedo de Bonjesino. 

Antes de inaugurarem a dita-cuja no ano da graça de Nosso Senhor de 2000, virada do milênio, ele vinha enchendo a paciência do então prefeito de Bom Jesus/RJ, Carlos Garcia, e da de Bom Jesus/ES, Daisy Batista, desde que assumiram a chefia executiva de seus respectivos municípios, em 1997. 

Quero dizer, enchendo a paciência no bom sentido. 

Carlos Garcia e Daisy Batista podem ter enjoado daquela conversinha malemolente de Bonjesino, carregada de otimismo e de fé nos seus dirigentes. Entre as muitas encheções de saco, uma vez saiu-se com esta:

- Sabe chefia, já estou todo arrepiado só de pensar na entrada triunfal de nossos dirigentes, cada qual do seu lado, encontrando-se no meio da passarela para aquele abraço fraterno em meio a fanfarra e fogos de artifício no dia da inauguração. 

Sei que isso vai ocorrer muito em breve porque conheço várias cidades, com necessidade semelhante, onde seus prefeitos disponibilizaram numa comovente união as obras que nem são tão caras, já que cimento e ferragem são materiais muito em conta - (fev/1999).

Olhem que Bonjesino me disse isso quando sequer a pedra fundamental da Passarela havia sido lançada. 

E não é que ele agora está com novidades mais arrojadas, com expectativas mais ambiciosas? 

Há muito tempo não o via, mas hoje matamos a saudade. 

- E aí, chefia, quanto tempo, né?

- Você sumiu, Bonjesino. Por onde tem andado?

- Fiquei na moita, chefia. Um longo tempo desfrutando tudo de bom que as nossas cidades de Bom Jesus têm proporcionado para nós.

- Tudo de bom?

- Não vejo nada errado. Esse povo é que gosta de reclamar.

- Tem razão, Bonjesino, isto aqui mais parece o Jardim do Éden.

- Não gostei da frase irônica, chefia.

- Desculpe. Jardim do Éden..., exagerei. Nem temos jardins...

- Você não tem mesmo jeito, chefia. Fica aí teclando, teclando, e só sai crítica.

- Fazer o quê, se moro em lugar diferente do seu...

- Você é um caso perdido. Vai dizer até que não sabe que nossos prefeitos estão deveras preocupados com o trânsito  em nossas cidades?

- Não diga, Bonjesino. É mesmo?

- Garanto.

- Mas rapaz, isso é uma ótima notícia. Enfim deram-se conta de que mais um pouco e o trânsito dá um nó completo, principalmente quando fecham ruas para alguma coisa, quando a ponte velha fica parecendo uma sorumbática miniatura da Rio-Niterói em véspera de feriado prolongado?

- Mais, chefia. Vão construir uma terceira ponte.

- Jura?

- Ligando o Bairro São João, no ES, ao Pimentel Marques, no RJ, completou.

- Que notícia auspiciosa, Bonjesino. Já não era sem tempo. Vai ser mel na sopa. Sérios problemas viários solucionados a um só tempo!

- Lembra da Passarela? Eu não disse que nossas autoridades eram competentes, sensíveis e convergentes àquela necessidade recíproca? Batata!


- É... Antes tarde do que nunca...

- Agora é a ponte, chefia. Olhe pros meus braços.

- Arrepiados de novo, Bonjesino?

- Emoção pura. Igualzinho da outra vez. Veja aqui a cena, chefia.

- Aqui, onde?

- Nos meus olhos.

Que cena deslumbrante, deixem-me descrevê-la!

Havia muita gente, de ambos os lados. Fogos pipocavam. 

Com aquele porte solene característico, o prefeito de Bom Jesus/ES Dr. Adson encaminha-se com sua comitiva em direção ao lado fluminense. 

Em sentido oposto vem a prefeita Branca Motta, também acompanhada de sua entourage. 

Fortes abraços e apertos de inúmeras mãos inspiram-se no brilhante resultado do esforço hercúleo das duas prefeituras em resolverem os problemas iguais. 

Depois a câmera volta-se para outras cenas. 

Ruas de ambas as cidades sem buracos, pavimentadas, sinalizadas, ajardinadas. Coisa de primeiro mundo!

- E aí, chefia?, acordou-me o ciclope.

- Gostei, rapaz. Muito legal. Quando será?

- Breve. Muito em breve. Até os vereadores das duas cidades se engajaram nesse projeto. Estão dando a maior força. Pensa que eles ficam lá nas suas câmaras só dando votos de pesar, condecorações e escolhendo nomes de ruas? Na, na, ni, na, não. Trabalham pra valer, chefia!

- Sei... Chegaram ao ponto de se unirem para soluções de problemas comuns?

-Pode crer, chefia. E vai logo preparando um texto para publicar depois da inauguração. Vê se elogia pelo menos uma vezinha...

- No inferno ou no purgatório tem computador, Bonjesino?

- Fez bem em esquecer do céu, chefia. Você não tem mesmo vez na Casa do Senhor. Passar bem.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2010

Assim enfraquece a amizade! Pintura da Passarela de Bom Jesus pela metade revela mentalidade curta, tosca!

Construída e inaugurada em 6/5/2000 num esforço conjunto dos dois municípios de Bom Jesus (do ltabapoana/RJ e do
Norte/ES), a Passarela da Amizade, que une os bairros Silvana, no lado capixaba, e o Lia Márcia, no fluminense, caminha para seu 8° aniversário amargurada pelo descaso que a vitimou.

A estrutura mais parece uma pinguela tamanho família! 


Grades de proteção arrebentadas, gambiarras elétricas sujeitas às intempéries, servindo para ninhos de pássaros, corrosão. 

A insensibilidade das autoridades, que parecem não se preocupar sequer com a segurança dos passantes (que dirá com o visual melancólico, provinciano no pior sentido) intensifica a probabilidade do risco tanto de acidentes quanto de assaltos.

Na única cabine, que fica no R.J., não há mais policiais; e não consta que haja inspeções periódicas para aferir a integridade estrutural.

Há cerca de um ano a prefeitura de Bom Jesus do Norte realizou uma pintura, mas levando ao pé da letra a característica de obra conjunta: só meia passarela recebeu as demãos abençoadas, 0 que, para 0 aspecto geral, foi inútil como um cônego, segundo Almeida Garret. 


Ficou pra lá de esquisita aquela união com tão gritante "diferença de idade"! 


O outro lado não fez a sua parte menos, talvez, para ridicularizar a valorosa passarela, e mais porque a tinta,
presume-se, está com o preço pela hora da morte!

Ou terá sido por outros motivos?

Ninguém ignora que a reação mais negativa quando da construção veio do lado fluminense, especialmente de alguns residentes no bairro Lia Márcia, que torceram os narizes com  o maior fluxo de pessoas transitando em seu território. 

Mas vale acentuar que a ponte beneficia ambos os municípios e seus munícipes: um lado beneficia-se mais em encurtar distâncias; o outro, dos que trafegam.

Perguntem aos comerciantes de Bom Jesus/RJ se gostaram da facilitação do acesso aos seus fregueses; perguntem aos trabalhadores capixabas que ganham a vida no lado fluminense se é bom economizar sola de sapato. 

Só não perguntem como vão os entendimentos entre os dois governos. O silente protesto da passarela é mais eloquente do que as palavras!

Ela diria, se pudesse: fica combinado que de dois em dois anos os municípios se revezam na pintura, mas que sejam práticos. Deem as louváveis pinceladas em toda a minha extensão para não me deixarem com a cara limpa e o traseiro sujo, ou vice-versa;

Da mesma forma, inspecionem de vez em quando o meu reverso para ver se não está travado, pois não quero me espatifar no leito do rio com gente a bordo; 

Que o R.J. mande assentar a "fantástica quantidade" de uns 300 paralelepípedos no meu portal de entrada. Eu e os que me utilizam merecemos;

Que o E.S. instale uma cabine de polícia para revezar com o Estado fronteiriço; 

Que se esmerem na minha limpeza e conservação;

Que coíbam alguns mal-educados que insistem em pilotar suas motos e guiar suas bicicletas em cima de mim, colocando em risco a integridade física dos outros; 

Que atentem, enfim, para a minha aparência e pela dos demais próprios públicos, que muito revelam do sentimento que os povos e respectivos governantes nutrem por seus campos que, diz o Hino, têm mais flores!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em novembro/2007

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Duelos em Itabapoana Valley - a saga continua

As próximas elections para prefect em Itabapoana Valley prometem. 

Mocinhos e mocinhas azeitam Colts, Smiths & Wessons e Winchesters, lustram botas e esporas, reformatam chapéus de cowboy, cosem espartilhos e vestidões vaporosos.

Preparam-se o melhor que podem para enfrentarem o duelo que se anuncia encarniçado, sanguinolento.

Em Good of the North Jesus dão-se como certos tree contenders. 

Os que desconhecem o modus faciendi (uma pitada de Latim no Portinglês, eh, eh,) do clã Umbert Mess podem prever four contenders, se considerarem um provável racha no seio da traditional family e esta se fizer representar por two candidats: o jovem Mark Mess, filho de Umbert, e Ubald Sea Tins, brother, tio de Mark. 

Mas é tolice dar isso como certo, já que eles podem até guerrearem entre si nos bastidores, fazerem ameaças veladas ou reveladas de rompimento, but no end unem os laços e saem juntos à caça dos electores.
Assim, vislumbro o seguinte cenário nas pradarias de Good of the North Jesus: 

Mark Mess or Ubald Sea Tins, de um lado; de outro, Doctor Ad Masterson, que tentará se reeleger; e um terceiro, que assim de longe não consigo visualizar. 

Será woman? Talvez, quem sabe. Aqui no condado não há quem desconheça o gatilho eficaz de Silvie Regine. Mas também pode ser outro man, probably o atual vice Pedro Keys, também um eficiente pistoleiro.

Em Good the Itabapoana Jesus, White Mott, a xerife atual, é candidatíssima à reelection, objetivo que a levará, probably, a ter de duelar com Paul Ciryll (se este contar com a mira providencial de um judge qualquer para romper a corda que o tornou inelegível.


Terá de enfrentar também Sam Júnior, armado até os dentes, e provavelmente até o velho pistoleiro Paul Port, que alguns apostam tentará um retorno triunfal. 


Ali a escaramuça deverá se revelar de maior ferocidade porque dois dos mais temidos valentões do velho Sudeste travarão uma guerra particular, embora indireta.

Inimigos figadais (amável leitor, graciosa leitora, não errei. O termo não é fidagal, de fidalgo, mas figadal mesmo, de fígado. Aprendi lendo Augusto Nunes, da Veja, que por sua vez aprendeu com aquele que rivalizava com Camões no Português escorreito: o ex-presidente Jânio Quadros). 

Mas ia dizendo: inimigos figadais, é bem provável que o governor Serg Cab All e o ex-governor Anthony Little Boy municiem com enorme generosidade seus pupilos White Mott e Paul Cyrill, respectivamente. 

San José del Calçado deverá ter o atual Joseph Carl duelando com o anterior do anterior, Jeff Spad Bulls. 

Ali a tarefa de ambos pode ser considerada mais tranquila porque provavelmente não haverá o terceiro, que muito provavelmente seria fatal a ambos: o perigoso Warley Lobo Texan, assassinado, diz a Justice, a mando do anterior, Blue Eyes All Mars. 

Digo perigoso porque Warley era uma raposa política, sujeito inteligente, determinado. Não por acaso tinha o sobrenome Lobo, e estava caindo de maduro para exercer o principal cargo executivo da bela San José.

Betin the Kid, o atual de Apiacá City, sempre se revelou um pistoleiro implacável, bom de briga. Seu adversário no duelo anterior, Keres Joseph, que o diga. 

Este não perdeu a contenda no tempo regulamentar daquela guerra feroz por milagre. Porém, não resistiu à terrível investida na prorrogação, quando Betin the Kid desferiu-lhe um tiro mortal ajudado pela mira telescópica da Electoral Justice.

Mas para alguns correligionários, Betin mudou-se para a região mais povoada da alma, que é a ingratidão. 

Inclusive seu vice, Carl Magnum Oliver, vulgo KK (Kid Killer), teria rompido relactions e deverá ser o seu mais ferrenho contendor na disputa. 

Desconheço se haverá um terceiro duelista em condições de sacar com um mínimo de agilidade naquelas paragens.
Summary of the opera:

A briga vai ser boa. Depois, é torcer para que os vencedores aprimorem os espíritos beligerantes para enfrentarem desafios ainda mais ousados, que são os big problems que afligem os moradores de Itabapoana Valley.


The guns is on the table.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em novembro/2011

Duelos em Itabapoana Valley

elisa2010.centerblog.net

Remember das últimas elections por estas bandas? Quanta surprise!

Comecemos por Good of the Itabapoana Jesus: 

Neste lugar o duelo foi de mentirinha. 

Embora três fossem os postulantes ao desafio, two men and one woman, na verdade o confronto estava polarizado entreLady White Mott e Paul Cyril. 

Mas o xerife superior eleitoral não quis 0 duelo entre ambos, alegando pendência administrativa dos dois. Retirou a munição de suas armas e colocou no lugar balas de borracha.

Por isso nenhum deles foi abatido, o que fez Paul Cyril ficar mais inconsolável do que White, pois havia acumulado 51 balas a mais que a adversária. 

Parece que haverá novo combate entre novos contendores.

Apiacá City: 
Quase que Betin the Kid consegue transpor a última fortaleza guardada firmemente por Keres Joseph. 

Em meio a uma saraivada de balas que Betin the Kid disparava implacavelmente, Keres Joseph se defendia à la Gandhi: - nós somos o “team of the good”; perdoai-o, ele não sabe o que faz. 

Mas quase que seu time perde, porque Betin se mostrou sempre bom de mira. 

No duelo final de colts contra lenços brancos, fogo pesado
passou raspando, mas Keres Joseph respirou aliviado, tremendo de susto até a última urna. Saiu bem amarrotado, mas ileso. Ufa!

Em Good of the North Jesus, o jovem Mark Mess comandava o mesmo batalhão que dera incontáveis vitórias ao clã a que pertence. 

E com esta respeitabilíssima força de combate, Mess
saboreava no transcorrer da disputa a delícia das pesquisas, que apontavam como praticamente morto e sepultado o seu adversário Doctor Ad Masterson, também conhecido como “el gringo”.

Com paciência de Jó, uma conversa atraente e distribuição de abraços tão fraternais que comoviam até os paralelepípedos,
Ad Masterson conseguiu reverter as pesquisas nos últimos dias. 

Foi aí que Mess, seriamente preocupado, entendeu que algo de extraordinário tinha de ser feito.

Reuniu, segundo estimativas, cerca de 1.500 pessoas para uma passeata pelas pradarias de Good of the North Jesus a fim de ostentar uma provável incongruência das
pesquisas e arrebanhar os indecisos. 

Mas já era tarde, seu destino estava irremediavelmente selado. 

O magnetismo de Ad Masterson havia sido inoculado em muitos seguidores de Mess. 

Estes seguidores, devidamente enfeitiçados por Doctor Ad Masterson continuaram dissimuladamente nas forças de Mark Mess, dizem as línguas ferinas, como um ardil para iludi-lo até o último minuto da contenda. 

E na hora H concluíram a traição com tiros de calibre 45 pelas costas.

Em San Rose del Calçado, Joseph Carl começou a campanha com traço nas pesquisas, e 0 seu oponente Blue Eyes Al Mars jamais poderia imaginar resultado diferente de um retumbante massacre do adversário, tamanha a disparidade de forças. 

Blue Eyes ganhava notoriedade pelo gatilho nervoso, que atirava sem parar. Seus feitos contra a vilania do bandoleiro Ostracismo foram notáveis!

Tal como ocorreu com Bonnie & Clyde, Ostracismo e sua assecla Estagnação haviam tombado já há algum tempo em meio a uma saraivada de realizações do laborioso Blue Eyes Al Mars.

Mas Joseph Carl se mostrou um bom estrategista no combate, mestre no elemento surpresa. 

Praticamente ignorado pelo adversário, Carl discretamente mobilizava os insatisfeitos, como por exemplo muitos servidores indignados com o pequeno soldo que recebiam da prefeitura, menor do que o mínimo estipulado em Brazil country. 

E Blue Eyes, atingido mortalmente no duelo final, só faltou balbuciar como o personagem de Henry Fonda, nos últimos estertores, frente ao de Charles Bronson, seu algoz, no épico do diretor Sergio Leone “Era uma vez no oeste”: 

- Who are you?

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em outubro/2008

domingo, 28 de abril de 2013

Bonjesino e a terceira ponte

–Chefiaaaaaa........

Oh, não! Bonjesino na área!

–Espera aí, homem de Deus, preciso lhe falar..., – gritou ao longe, esbaforido, o ciclope, velho conhecido do amável leitor e da graciosa leitora, até pelo tamanho físico descomunal, que admiram-no pelo não menos descomunal tamanho da sua ingenuidade e boa-fé.

Adiei o ato de me aboletar na moto, preparando-me fisicamente para o abraço de paquiderme e, psicologicamente, para ouvir a saraivada de enaltecimentos aos políticos de Bom Jesus, seres aos quais Bonjesino, na sua imensa candura, afiança irrestritamente.

–Há quanto tempo, chefia –, foi se aproximando com os braços estendidos para o imperecível abraço (ou melhor, tentativa de assassinato por constrição). 

– Reconheci de longe a pouca bunda, completou.

–Ahnn??

–Estava saindo do mercado pensando justamente em você, chefia, quando... olha a coincidência... vejo a tábua em forma de gente...

–Tábua?

–É com o que você se parece, olhando assim de costas...

–Para de sacanagem, Bonjesino. E já que repara minha carência glútea, fique sabendo que a sua é feia de doer, por motivos opostos. Parece vestir antena parabólica em vez de cuecas. Eu não carrego tanto peso..., provoquei.

–E o nosso Mengão, chefia?

–Nada a declarar.

–Calma, calma, vamos ganhar o Brasileirão...

–Da série B de 2013..., é provável! E parta logo para a política, que é o que o traz até mim, se bem o conheço de velhos carnavais.

–Soube da terceira ponte?

–Ahhh. Ouviu o discurso do governador fluminense Sérgio Cabral, não foi?

–Sério. Vai sair. Viu com que sinceridade o homem falou quando esteve a última vez por aqui?

–Vi. Mas acho que referia-se a alguma ponte sobre o Rio Sena, talvez uma semelhante à Alexandre III, de Paris...


–O que você está falando, homem de pouca fé?

–Acho que ele quer ser prefeito da Cidade-Luz; vê como viaja frequentemente para a França, e sempre muito bem acompanhado com alguns dos maiores PIB´s brasileiros?

–???

–Não dá para entender mesmo, Bonjesino. É surreal.

–Não sei do que você está falando, chefia. Mas o conheço. Lembra que também não acreditava na passarela?

Lembrei. Em várias conversas com Bonjesino, pelos idos de 1996/1999, ele batia sempre na mesma tecla da passarela, necessidade secular há apenas 12 anos materializada. 

Em seus devaneios, o homenzarrão chegou a descrever antecipadamente a entrada triunfal da então prefeita de Bom Jesus do Norte, Daisy Batista, ao encontro do então prefeito de Bom Jesus do Itabapoana, Carlos Garcia, que se confraternizariam (como realmente confraternizaram-se) no meio da passarela, em meio a fogos e fanfarras.

– Passarela é uma coisa; ponte...

– Anote aí, seu escrevedorzinho malévolo, interrompeu-me bruscamente. 

– Nossas autoridades de ambos os lados só pensam nisso, trabalham incessantemente, u-ni-dos (escandiu as sílabas para realçar a forte, fortíssima união e entendimento mútuo. Essa é boa realmente!), para viabilizarem a dita-cuja.

–Não me diga! Quer dizer que até as autoridades não se conformam com o caos em que já está se transformando nossa valente ponte inglesa velha de guerra, feita mais para tráfego de eventuais tílburis e caleças que propriamente para massiva quantidade de bólidos equipados com GPS´s, financiados em trocentos meses, disponíveis a todos que, na pior hipótese, sacrificam o bife de paleta domingueiro para pagar as prestações?

–Claro.

–Realmente, Bonjesino. Depois de um trabalho intenso, quase asfixiante, pelo qual lograram deixar nossa saúde pública tão boa quanto a da Islândia; nossa educação qualitativamente igual à dos finlandeses; nossas ruas e avenidas capazes de fazer corar os príncipes de Mônaco, só falta realmente desafogarem o trânsito...

– Lá vem ironia!

Levantei a mão espalmada, não permitindo que me interrompesse novamente. E continuei, com a mais intensa ironia: 

– Aliás, nossas ruas e avenidas, especialmente as de Bom Jesus do Norte, estão lindíssimas, bem conservadas, isentas de buracos e fissuras, dotadas de estonteantes projetos paisagísticos... Esse delicioso aspecto visual e operacional, inesquecível para os visitantes, bem merece completar-se com uma ponte novinha em folha, com acabamento em mármore de Carrara...

–BASTA!, trovejou o gigante. –Sabe qual será o seu castigo, chefia? Noticiar a inauguração.

–Pra rimar: nesta ou noutra encarnação?, falei e zarpei num átimo, sem esperar a gota d´água transbordar o poço de indignação do gigântico amigo. 

Tenho horror a escândalos!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/2012

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Bom Jesus precisa de vontade política; a cidade clama desesperadamente por "terapias"

O trânsito de Bom Jesus flerta arriscadamente com situação
semelhante a esta - Foto: acertodecontas.blog.br
O ano que se finda marcou um paradoxo em Bom Jesus do Itabapoana/RJ: enquanto a iniciativa privada pontificou fortemente sua vocação empreendedora, o poder público patinou na velha incapacidade de dar conta dos seus mais elementares misteres. 

Neste 2006 foi ainda pior: sucumbiu de forma lastimável à cegueira do descortino de horizontes em face de equações insolúveis, formadas, pode-se usar a figura, num conjunto de eventos sinistros, simultâneos e imponderáveis, tal como acontece para um desastre real. 

E foi um desastre figurado de tais proporções que o servidor municipal chega ao fim do ano com quatro meses de salários em atraso (assim é no momento em que estas notas estão sendo produzidas). Se fosse uma empresa privada, a prefeitura teria se pulverizado há tempos!

Em contraponto, os empreendedores locais deram conta do recado mais uma vez! Trabalhando sob a expectativa do velho e universalmente consagrado lucro (o que não é o caso da Viúva assistencialista), o empresariado deu uma aula de planejamento e eficiência, mostrando que a disposição e a criatividade são fortes o suficiente que, às vezes, nem dependem do Estado (no caso o município), entidade que em vez de pavimentar as vias do crescimento só tem feito esburacá-las. 

Novas lojas de supermercados, shopping, prédios residenciais e comerciais e outros empreendimentos de expressão mostram o particular como um vigoroso condor, enquanto a cidade desorganizada remete o público a uma espécie de Ícaro melancólico. 

Imaginemos como seria se ambas estivessem por igual no ápice da pujança, esbanjando saúde, unidas como deveriam no esforço desenvolvimentista! 


Itaperuna que botasse as barbas de molho...

Mas, como ensina a Bíblia em Eclesiastes (3,1-3), que "tudo tem o seu tempo determinado. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar...", rezemos e torçamos para que na vida pública de Bom Jesus haja pessoas que não perderão a noção do seu próprio tempo. 

Aproveitar a seara dos bons augúrios políticos em nível estadual, que possam se espraiar até Brasília parece uma boa aposta para 2007 em diante. Vamos ver.

Se a brisa refrescante finalmente estacionar nos cofres municipais, e o balão de oxigênio puder se aposentar para alegria do funcionalismo, não será de bom alvitre se darem por satisfeitos. 

A cidade clama desesperadamente por terapias outras que, se não tratadas com vigor no presente, ganharão cronicidade no futuro. O trânsito e o incrível descaso ao código de posturas por parte do cidadão e das ditas autoridades é um dos outros graves males.

Impressionante como Bom Jesus está verdadeiramente desorientada neste aspecto! 

Carros estacionam em qualquer lugar. Um dia destes tinha um em frente à antiga Ford, bem no meio da faixa de pedestres. 

Um ônibus que vinha da Av. Padre Mello não conseguiu curvar em direção à Itaperuna: ficou entalado sem poder seguir nem recuar. No meio das quatro direções. Nó cego total. 

Seis minutos, contados, em que só motos, bicicletas e pedestres puderam seguir seu caminho em todas as direções. 

Nenhum guarda de trânsito, e provavelmente sequer uma advertência ao folgado ou à folgada que transtornou dezenas de pessoas com sua atitude negligente, egoísta!

Dizia dos carros, mas motos, a mesma coisa; ciclistas que jamais devem ter ouvido a palavra contramão; transeuntes se deslocando no meio das ruas por falta da mais incompreensível noção do perigo (não se sabe o que é feito do instinto de autopreservação da própria vida), e em boa parte simplesmente por não terem opções, já que as calçadas vivem obstruídas pela mais variada tralha, desde materiais de construção, caixotes, engradados; e até mesmo a tomada da via pública na mais deslavada cara-de-pau, para ser usada em negócios particulares!

Estes são alguns desafios que a autoridade tem pela frente e deve enfrentá-los sem medo de cara feia nem da perda de votos. 

A questão é cultural, de maus hábitos enraizados firmemente ao longo das décadas. 

Então é preciso primeiramente ampla campanha educacional. Em seguida, ter "aquilo" roxo para fazer cumprir os regulamentos. 

Uma calçada desobstruída, reabilitada ao seu dever original de ofício pode subtrair o voto do comerciante prejudicado, mas certamente adicionará os dos beneficiários da via livre.

O convívio com a desordem, com um sistema viário sofrível, em meio ao caos promovido por usos e costumes arcaicos, provincianos, anacrônicos, chega às raias do primitivo. 

Os hábitos conservadores do tempo das diligências, na era em que o homem planeja viajar em férias à Lua, são inteiramente incompatíveis com a modernidade, com uma cidade organizada e aprazível, com uma sociedade cortês e progressista.

Se construir elevados, túneis e minhocões é impensável, que pelo menos se alarguem traçados, sinalizem decorosamente as ruas e avenidas e se evitem a indecorosa transgressão à ordem. 

Isto, sim, é possível. Basta vontade política e disposição para contrariar alguns interesses em prol dos de todos.

Uma cidade mais bonita, mais contemplativa, moderna e humana se elevaria por sobre os destroços da apatia, da ineficiência e da acomodação!


PS.: No aspecto desorganização viária, tráfego, tomada de calçadas, falta de sinalização, Bom Jesus do Norte não tem mais crédito do que sua co-irmã. Talvez os projetos pudessem ser elaborados a quatro mãos, quem sabe?

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em dezembro/2006