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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Interpretando a charge 6. Joaquim Barbosa fala verdades e aborrece os mentirosos


Querem a prova de que o presidente do Supremo Tribunal Federal - STF fala verdades? A indignação que desperta no meio político. 

Sua excelência, exemplo admirável de superação das incríveis dificuldades, oriundo de berço humilde, que  venceu na vida exclusivamente pelo estudo, pela inteligência, pelo mérito, enfim, é claro que desperta a ira dos que se locupletam no poder público, dos que viram miliardários tendo como único talento o dom de iludir, de dissimular, de enganar a plebe rude.

A caricatura do Jeremias mostra o nobre jurisconsulto e seu martelinho que, espera-se, causará dores lancinantes em mensaleiros, em transportadores de dólares no interior sórdido de cuecas, nos finórios ladravazes que fazem da vida pública um portentoso balcão de negócios, nos que querem transformar os exemplares da  Constituição Federal em papel higiênico, nos relutantes em aceitar que, em vez dos gabinetes suntuosos da Ilha da Fantasia, lugar de ladrão é na cadeia!

O ministro disse, mais recentemente, que nossos partidos são de mentirinha, não há consistência ideológica e programática, segundo ele, até mesmo por falta de interesse dos próprios dirigentes. "Querem o poder pelo poder", disparou.

Ah, pra quê! As hienas fizeram um barulho ensurdecedor. E como a pessoa que tem cecê, mau hálito, chulé não percebe a própria catinga que emana de si mesma, as hienas, bichos vorazes e carniceiros, não sentem o fedor da putrefação que exala de sua natureza necrófaga.

Mas pelo menos as hienas irracionais são o que são, não escondem sua natureza predatória, ao passo que as racionais se encafurnam na empáfia, na demagogia, fingindo seriedade, lhaneza, retilineidade de monges franciscanos, que não enganam mais nem a um guri de jardim de infância!

Os políticos componentes da nobre ala das exceções, que felizmente existem e mantêm ligado o fio de esperança,  deveriam solidarizar-se com o ministro e virem a público para dizerem, em alto e bom som: ele está certo; temos de mudar urgentemente essa balbúrdia em que se transformou o sistema político brasileiro. 

Basta de hipocrisia, senhores!

Autor: José Henrique Vaillant

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Posse de perdedores, uma esculhambação à democracia

www.revistaopiniao.com 
Em Bom Jesus do Itabapoana/RJ, todos sabem, a segunda colocada nas Eleições 2008 (Branca Motta) assumiu a prefeitura, referendada pelo Supremo Tribunal Federal. 

Assim como em Bom Jesus, basta pesquisar na Internet que encontrar-se-ão vários outros municípios brasileiros em situação semelhante. 

E não só nos municípios, como também em alguns estados, como na Paraíba e no Maranhão, por exemplo, os segundos viraram os primeiros governadores. 

Entendendo que isso é uma anomalia contrária à Constituição, e mais que isso, um desrespeito ao eleitor, o Senado Federal pretende rever este conceito e proibir doravante que tais excrescências se repitam. 

Tomara que suas excelências, perdidas num labirinto de desgraças éticas encontrem um meio de desvencilhar-se da lama em que patinam para poderem defender, como seria a premissa básica de suas funções, a cidadania do povo brasileiro.

A prefeita Branca Motta talvez seja a que tem mais legitimidade em relação a tantos outros segundos colocados que se veem por aí, porque sua derrota se deu pela pequena margem de 51 votos. 

É bem provável que haja cidades que tenham prefeitos governando respaldados em meros 20% de votos obtidos. 

Mas seja a diferença de 1 voto ou de 1 milhão, a vontade do eleitor é (ou era) soberana, e a Letra da Lei também devia ser. 


Ocorre que numa Justiça que assemelha-se a uma tartaruga míope, decidir com rapidez e promover outra eleição, como reza o bom senso instituído na Carta Magna, é algo praticamente impossível. 


Daí aparecer o famoso jeitinho brasileiro, que se transfere das camadas populares para os mais altos escalões jurídicos, em simbiose danosa à Democracia.

É óbvio que se o ganhador desrespeitou as regras, que seja impedido. 

Mas novas eleições têm de ser realizadas para que o povo defina quem fica em seu lugar. 

Ademais, seguindo a lógica de Reinaldo Azevedo, jamais o vencedor irá questionar o segundo colocado na Justiça, mas o segundo, eventualmente, sim (talvez tenhamos de mudar no futuro a palavra eventualmente para sistematicamente). 

E se este também tiver cometido alguma irregularidade, talvez até mais grave? A Justiça pune um criminoso eleitoral entronizando outro ainda pior!

As posses ilegítimas, embora legais, podem firmar jurisprudência. 

Não a jurisprudência no sentido lato da palavra nos meios jurídicos, mas jurisprudência figurativa nas cabeças dos políticos perdedores. 

Não seria exagero intuir que nas próximas eleições haverá ainda mais recursos de teor restritivo aos primeiros colocados se essa estupidez persistir. 

Pior: a criatividade dos perdedores pode chegar a tal nível de excelência que seria capaz até de produzir documentos falsos, denúncias mentirosas, engodos e escaramuças jurídicos idealizados por bons advogados. 

Neste caso as eleições se tornariam inúteis, e o eleitor incapacitado de impor sua vontade.

Em analogia ao que se dizia na época do poderoso Santos de Pelé & cia, de que aquele time imbatível nem precisaria entrar em campo (a vitória era certa), pode chegar o momento em que o eleitor nem precise ir às urnas. 

Os 11 membros togados decidirão, numa canetada só, quem administrará o futuro de sua cidade e, por extensão, o bem-estar e o destino de seu povo.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em setembro/2009