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domingo, 30 de junho de 2013

Precisamos ficar atentos e não entrarmos na pilha de alguns setores dito progressistas da imprensa: nunca houve projeto de "Cura gay"

Deputado Marcos Feliciano
Um artigo do sempre lúcido e esclarecido articulista Reinaldo Azevedo, que detona o que a maioria pensa a respeito do assunto "Cura gay". 

Leiam com atenção, porque quase todos entraram no estouro da boiada (Não existe projeto de “cura gay”. É pilantragem jornalístico-militante).

Ao pastor que pede senhas de cartões bancários aos fieis de sua denominação religiosa, acusado de ser homofóbico, não tenho a menor simpatia; acho até que poderiam aproveitar o embalo do gigante acordado para, comprovadas suas mazelas, levarem-no ao Conselho de Ética e até cassar-lhe o mandato.

Mas a César o que é de César: nada é o que parece ser, nunca houve o intento de, ao menos oficialmente, determinar o homossexualismo como doença, muito menos propor a cura. 

Aliás, a própria OMS - Organização Mundial de Saúde,  corrigiu o erro, eliminando de sua lista de doenças, desde 1990, o homossexualismo.

Reinaldo explicita com raro talento e clareza que, ao fim e ao cabo, o que o decreto do pastor fez foi apenas derrubar um dispositivo (este, sim, autoritário) do Conselho Federal de Psicologia, que veta toda e qualquer ajuda profissional a homossexuais relativamente à sua inclinação sexual.

Aos xiitas, radicais, que concordam que o Conselho devia, sim, caminhar neste paroxismo da insensatez, pergunto: se um homossexual estiver infeliz com sua condição, não tem o direito de procurar ajuda especializada? 

Ou, então: está decretado por ato divino que todos os gays são perfeitamente realizados com sua orientação sexual, pura e simplesmente porque são gays, sendo desnecessárias, por suposto, quaisquer tipos de ajuda?

Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Governo eleva gasto com maquiagem e penteado para falas de Dilma na TV. Visual da presidente, cada vez que é preparado, custa mais de R$ 3 mil, fora a indumentária, claro


A vaidade tem seu preço. E cada vez mais alto, por sinal, mostra a evolução dos gastos para arrumar o cabelo e maquiar a presidente Dilma Rousseff para suas aparições em rede nacional de TV (aqui). 

Na sexta-feira passada, quando falou sobre as manifestações pelo país, Dilma Rousseff fez seu 14º pronunciamento desse tipo. Via Lei de Acesso à Informação, a Folha obteve os orçamentos detalhados de 12 deles.

Nos nove primeiros, preparar o visual presidencial custou R$ 400. Nos três de dezembro de 2012 a março deste ano, o governo pagou, em cada vez, R$ 3.125 --681% mais, variação de fazer corar o tomate, vilão da inflação. 

Até no salão de Celso Kamura, cabeleireiro que repaginou o visual de Dilma para a campanha presidencial de 2010 e que tem entre suas clientes celebridades como a apresentadora Angélica, o serviço é mais em conta. Lá, o penteado sai por R$ 330 e a maquiagem custa R$ 350, informam as atendentes do salão. Ao todo, R$ 680.

Em Brasília, os salões mais famosos cobram pouco mais de R$ 160 pela maquiagem e na faixa de R$ 210 para arrumar o cabelo. 

A Presidência explica o porquê dos gastos em alta. Em ofício, afirmou que a produção de "uma autoridade do sexo feminino" é diferente e autorizou o ajuste nos custos porque uma mulher precisa de um profissional específico e não um maquiador padrão, como era o caso do ex-presidente Lula.

As agências Propeg e Leo Burnett, responsáveis pela contratação das produtoras para as gravações, não responderam especificamente sobre a variação dos custos com a maquiagem e o cabelo de Dilma. 

A Presidência informou que os valores totais dos pronunciamentos foram reajustados em 2012 porque não eram corrigidos desde 2008. Não esclareceu, contudo, por que o valor com o visual presidencial subiu tanto.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

"O governo não é a solução, é o problema"; e as manifestações não são o problema, são a solução!


O pedaço do título entre aspas é uma famosa frase do ex-presidente norte-americano, Ronald Reagan (1911/2004). 

Pior para nós é que o atual governo brasileiro não é apenas o problema, é o problemão! 

Absurdamente caro, ruim e inepto, é o vice-campeão na quantidade de ministérios (39), só perdendo para o garboso Congo (40) por apenas "um gol", no fim do segundo tempo da prorrogação!

É ministro batendo cabeça com ministro, e das concussões cerebrais daí advindas, o Brasil entrou em coma!

O Banco Mundial listou os 10 países campeões em carga tributária. Sabem quem é o campeoníssimo absoluto? 

Sim, "é nóis"! 

Segundo o Banco, o Brasil é o país em que as empresas precisam trabalhar mais horas para pagar os impostos. 

Uma empresa média tem de trabalhar 2.600 horas, colocando o país na 183ª posição no ranking mundial - último lugar (aqui).

A Bolívia, segunda pior colocada em 2011, 1.080 horas, menos da metade!

Diria a vizinha gorda e patusca de alguém na Ucrânia (país que é o 10º colocado - 657 horas) que o brasileiro deve ser o povo mais bem atendido no serviço público em nível mundial, quiçá planetário.

E qual não deve ser o tamanho da estupefação dessa ucraniana, olhos arregalados na TV e nas redes sociais, no estupor do assombro, vendo as manifestações de quem possui uma saúde pública impecável, a melhor Educação e segurança total!

Na cabeça da ucraniana deve passar um filme do genial sistema de transporte coletivo brasileiro, onde todos viajam sentados nas poltronas estofadas de ônibus moderníssimos, que trafegam em vias elevatórias exclusivas, cujo trajeto de Santa Cruz ao Centro do Rio de Janeiro dura apenas 30 minutos, em viagem direta, os passageiros sentindo a brisa refrescante do ar condicionado e ouvindo música ambiente suave e relaxante. Tudo a 1 Real!

Ela contemplaria Bom Jesus do Itabapoana pela Internet e sentiria inveja da praça Governador Portela, pensando lá com seus botões que, pela exuberância da praça, coerentemente nossos hospitais (no plural majestoso) só não podem realizar o que Jesus Cristo fez a Lázaro, ou seja, ressuscitar defuntos.

Vendo estádios cinematográficos - padrão Fifa, e tanta ostentação dos próprios públicos, a vizinha patusca perguntaria: Que diabos esse povo quer mais?

Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant

terça-feira, 18 de junho de 2013

Interpretando a charge 15 - O gigante acordou e assusta a politicada! Que mande tentáculos para Bom Jesus e região


No início das manifestações em São Paulo, fiz um texto condenando as depredações, as badernas, além de questionar os princípios de tão grande número de pessoas resolver brigar por causa do aumento de vinte centavos de Real no preço das passagens dos ônibus, enquanto políticos roubam bilhões e quase ninguém diz nada.

Surpreendi-me muito positivamente depois com a continuidade da manifestação, que demonstrando fôlego para continuar, mostrou que não se restringia a meia dúzia de bandoleiros (sempre há em qualquer movimento) e que os R$ 0,20 foram a gota d´água a romper o dique da gigantesca onda de indignação e revolta pelas circunstâncias de um país à deriva, cercado de vagas monstruosas de corrupção, incompetência, descaso, hipocrisia, megalomania, et caterva. Melhor: espraiou-se para os quatro cantos do país.

Não esqueçam o que escrevi ao censurar os valentes com coquetéis Molotov, pedras e bombas caseiras nas mãos, porque se violência e quebra-quebra resolvessem alguma coisa, a Terra seria o paraíso universal  (para os mais fortes fisicamente, claro).

Mas o que emergiu daquele casulo, inicialmente a meu ver purulento de bagunça pela bagunça, foi algo precioso, algo que parecia morto e sepultado, e que se mostra agora mais vivo do que supunha a vã filosofia da matreira política.

A resistência às práxis mais tacanhas, que até escrevi em versos como mortalmente ferida (aqui), queimou minha língua. E como é gostoso ter a língua queimada assim! 

Qual Fênix, a ave lendária da mitologia grega que ressurge das cinzas, mais bela e mais forte cada vez que se cumpre seu ciclo de 500 anos de vida, a indignação mostrou sua face jovial e bela, o descontentamento apresenta-se hígido, com brios de um Sansão de compridas madeixas, o conformismo se nutre de kriptonita e se transfigura em seu antônimo, sólido como aço.

Demorou, mas veio, ardente como o vento do Saara, a reação que, sem bandeiras políticas claramente definidas, aplica um duro golpe em todas elas!

Aplica sobretudo às que se revezam há 10 anos, sejam tremulando no espectro de terra arrasada como protagonistas, ou coadjuvantes (na realidade todas, porque a rigor não há oposição com O maiúsculo)!

Ficam com as caras abestalhadas até mesmo os papas da comunicação, os marqueteiros das agremiações partidárias nutridos a ouro em pó, incompetentes e incapazes, todavia, de preverem que o pessoal do mundo virtual estava prestes a tirar o traseiro da cadeira e os olhos nos facebooks da estratosfera e se materializar no mundo real.

Está sendo um pandemônio! Políticos de variados matizes olham-se aparvalhados, perplexos, como passageiros de um Titanic de dimensões planetárias que acaba de colidir com um rochedo de gelo! Nestes terríveis momentos, cai a empáfia que os eleva ao altar da imortalidade e se instala o pânico, a certeza nua e crua da fatal mortalidade.

A charge aí em cima parece ter sido feita sob encomenda para mim. Meu texto anterior de repúdio à violência dos manifestantes é representado pelo policial subjugando um baderneiro (na charge, à esquerda); e este texto de agora tem a alegoria de um manifestante (à direita), que dentro dos limites da lei e da ordem num Estado Democrático e de Direito mostra a força da democracia e do exercício de cidadania a um policial que eventualmente esteja com intenções ditatoriais.

Sim. Ainda que mais nada aconteça, uma transformação se fez no país. Nada mais será como antes, o espectro das redes sociais rondará como zumbi as cabeceiras da entourage política e despedaçará cada fibra da sensação de impunidade e pequenez de princípios éticos. 

Pensei que morreria sem ter desfrutado tamanha satisfação, que será ainda mais completa se puder presenciar algo semelhante em nossa microrregião, que vem merecendo, há décadas e décadas, um sonoro e retumbante BASTA!!!    

Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Interpretando a charge 14 - Pobre povo brasileiro: é roubado em bilhões e só protesta por R$ 0,20 (vinte centavos)


A charge do Nani é uma gaiatice visual que ajuda a gente a colocar em ação o velho adágio "rir pra não chorar". São Paulo ferve no caos, faz lembrar Atenas, Damasco, Paris, Cairo, etc. As pessoas têm o seu direito de ir e vir cerceado, se alguém morreu porque não pôde ser socorrido a tempo..., paciência, a causa é nobilíssima!

Nas megalópolis estrangeiras, os protestos são movidos a coisinhas, digamos assim, menos importantes: crises econômicas e políticas, vontade de mudar governos corruptos, autoritários ou incompetentes.

Aqui, não, violão. Em Terra Brasilis não ficamos perdendo tempo com essas minudências.

Pouco estamos nos lixando para os mensaleiros que desviaram milhões e milhões dos cofres públicos; 

Com o Maluf gozando as delícias da vida nababesca, tendo a mão beijada pelo ex-presidente Lula em busca de apoio político, enquanto a maldosa da Interpol coloca, vejam só, cartazes de procura-se o homem em vários países; montanhas de dinheiro transportado em cuecas; escândalos pipocando a três por dois diariamente, e assim sucessivamente pelos séculos e séculos, amém.

Isso a gente releva. Agora, aumentarem as passagens de ônibus em R$ 0,20..., não! Aí já é querer gozar com a nossa cara. Roubar da gente tão pouquinho não dá, pensam o quê? Só aceitamos roubos milionários,   somos mesmo os tais!

Incrível isso. Jovens vestindo camisetas de marcas famosas, tênis de R$ 600 o par, ferindo policiais, depredando, incendiando a cidade..., por R$ 0,20. Ah, mas estão brigando pelos carentes...

Coisa nenhuma! Estão se divertindo, isso sim, às custas justamente dos mais carentes, os que mais sofrem com a baderna. Depois chegam em casa, ligam seus aparelhos nas redes sociais e celebram, frenéticos, suas performances.

Triste, muito triste, Nani, concluir a que ponto chegamos, a quão vazia anda a mentalidade coletiva que nada idealiza no campo das conquistas éticas, morais e sociais, mas tão-somente a bagunça pela bagunça.

Só mesmo o cara aí da charge fazendo a promoção de três pedras a R$ 10 traz o alento que a comicidade propicia mas que é, sobretudo, uma cruel  metáfora do prejuízo fenomenal de um povo por causa de vinte centavos!

Quem vocês acham que pagarão a conta, galera? Raciocinem, nem que seja uma vez. Em nome da Cruz!

Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant

sábado, 25 de maio de 2013

Sua máxima culpa. O que você fez hoje em favor de sua cidade e contra os maus políticos, além de reclamar?


Os problemas que atormentam as populações das cidades brasileiras poderiam ser menores não fosse a maneira tímida dessas populações fazerem valer seus direitos. Acostumamo-nos a reclamar muito e agir pouco.

Em outros países cujo povo é menos acomodado, mais exigente, os problemas tendem a ser resolvidos com rapidez, as coisas andam mais céleres porque as populações as empurram com ações cidadãs que transcendem os meros queixumes conformistas.

Os políticos se adaptaram aos reclamos sem os devidos complementos da cobrança implacável, sistemática. Criticamo-los mas eles estão pouco se lixando porque sabem que amanhã esquecemos.

Para boa parte deles, a péssima Saúde, a degradada Educação, as cidades mal conservadas, com ruas sujas e esburacadas não os atingem. 

A nossa carência é o seu fausto; nossas dificuldades, suas facilidades; nossos impostos, suas mordomias, e por mais incrível que pareça, tudo de ruim somado se transforma em votos nas urnas.

Afinal, o que seria dos políticos não fossem as crônicas privações da sociedade, material inesgotável para suas propagandas mentirosas e demagogia barata? É como uma bola de neve; quanto mais demandas, mais votos obtidos com promessas.

Por que eles mudariam esse modo de ser? Para que fornecer Educação de boa qualidade, se com ela viria o esclarecimento, e com este, melhor preparo intelectual em benefício da percepção mais aguda de suas falácias, de seus engodos?

Por que razão as pessoas seriam bem atendidas no quesito Saúde, para mais adiante comprometerem as promessas milagrosas de hospitais e centros de excelência semelhantes aos melhores do mundo?

Para que teriam casas decentes, atendimento social adequado, segurança, esportes, lazer?

Tomemos como exemplo as cidades aqui do ABC Capixaba. Entram gestores, saem gestores, e o cenário pouco muda. Nada sobre nada vezes nada difere. 

Quando se contempla um benefício, por mais esfuziante que seja, ele chegou anos-luz do ponto zero das necessidades, isto é, estão sempre defasadas em tudo.



Criatividade, audácia, arrojo são coisas que não se vê por aqui. Tudo é tão monótono, tão enfadonho, tão igual! Parece que a microrregião foi excluída  do processo da evolução natural das espécies políticas.

Por outro lado, os políticos são seres integrantes de uma coletividade. E como tal não é justo que se debite todos os infortúnios exclusivamente a eles. Eles não são nós? Não foram gerados pelo gigantesco ventre metafórico da sociedade?

Não podemos lamentar se esse ou aquele, essa ou aquela, esteja mais centrado/a nos seus próprios interesses, às benesses que o poder outorga a si e aos seus. Seria diferente se fôssemos nós os beneficiados pelas urnas?, cabe a pergunta desconcertante, o álibi perfeito deles.

É necessária mudança de postura. Dentro dos limites da Lei, tem de haver barulho, movimentos de protestos, atitudes em defesa da cidadania, com fôlego para espraiar-se além fronteiras.

Um posto de saúde abandonado mesmo antes de ser utilizado? Protestem-se ruidosamente, batam-se latas e soprem-se apitos até que um construtor apareça no local;

Um mau atendimento? Retumbem-se coletivamente a indignação;

Um buraco na rua? Coloquem-se nele placa de "comemoração de aniversário", que é um rabo de papel simbólico nos traseiros dos responsáveis;

Uma promessa não cumprida? Encham-se-lhes a paciência com a palavra de ordem “mentiroso/a”.

Um remédio básico que falta? Protestem-se veementemente nas proximidades dos locais de distribuição, ou melhor, de não-distribuição.

E assim por diante.

E quando futuramente couber um cargo público a um não-político hoje, procurar estabelecer coerência e não ser como macarrão (duro só quando fora da panela), intuir que ali está uma dádiva dos céus para que se torne mais trabalhador, mais comprometido com sua terra, mais honesto e mais ético.

Autor: José Henrique Vaillant

quarta-feira, 1 de maio de 2013

"A indignação que falta ao brasileiro decorre da falta de escolaridade"; ou, só a escola salva o Brasil!


Costumo dizer que entre as mais valiosas riquezas naturais do Brasil, a mais importante, pela facilidade de ser explorada, é a ignorância do povo. 

Essa riqueza é mais valiosa do que o Pré-Sal para os que dela se beneficiam. 

E não me refiro apenas aos políticos, embora sejam eles os seus maiores beneficiários. 

A ignorância do brasuca o faz ser explorado em todos os papéis em que é chamado a representar. 

É explorado como eleitor e é explorado como consumidor de bens e serviços. 

A classe política, os agentes econômicos em geral, os bancos em particular, a imprensa e até os profissionais liberais se beneficiam dessa “riqueza natural”. 

Só a escola salva o Brasil.
 
Pelo padrão da tributação vigente, a educação pública deveria ser igual ou melhor do que a da melhor escola particular do Brasil. Sem qualquer favor. 

Nos países escandinavos, com tributação semelhante, a Educação é de alto nível. 

Mas, como indignar-se com o desvio de dinheiro público se o brasuca não sabe que aquele dinheiro, que representa metade de tudo o que ele gastou, veio dele e, obrigatoriamente, deveria voltar a ele sob a forma de saúde, escola,segurança e transporte? 

A mudança deveria partir do eleitor mas ele está cego. 

Decididamente, não vejo como esse quadro possa ser mudado, pois o PT e os eleitos graças à ignorância não são loucos a ponto de cometerem suicídio político, fornecendo educação aos seus eleitores. 

A cabeça desses responsáveis pelos rumos do Brasil funciona assim: o eleitor não passa no vestibular? Que se crie um sistema de cotas, que se transforme a nota dois em nota sete mas, em nenhuma hipótese se eleve o nível da Educação pública, sob pena de perdermos nossos eleitores. 

Democracia sem escola é um veneno tão letal quanto a pior ditadura. É o que acontece conosco. 

A democracia faz muito mal ao Brasil. A ditadura da ignorância em que vivemos é caríssima.

Uma ditadura, por pior que fosse o ditador, seria mais barata e mais suscetível de provocar rejeição popular. 

Não tenho nenhuma esperança no Brasil!

Por Jayme Guedes - comentário "Onde estão os indignados do Brasil? Por que os brasileiros não reagem?", post publicado em 12/7/11 no blog do jornalista Reinaldo

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Bom Jesus precisa de vontade política; a cidade clama desesperadamente por "terapias"

O trânsito de Bom Jesus flerta arriscadamente com situação
semelhante a esta - Foto: acertodecontas.blog.br
O ano que se finda marcou um paradoxo em Bom Jesus do Itabapoana/RJ: enquanto a iniciativa privada pontificou fortemente sua vocação empreendedora, o poder público patinou na velha incapacidade de dar conta dos seus mais elementares misteres. 

Neste 2006 foi ainda pior: sucumbiu de forma lastimável à cegueira do descortino de horizontes em face de equações insolúveis, formadas, pode-se usar a figura, num conjunto de eventos sinistros, simultâneos e imponderáveis, tal como acontece para um desastre real. 

E foi um desastre figurado de tais proporções que o servidor municipal chega ao fim do ano com quatro meses de salários em atraso (assim é no momento em que estas notas estão sendo produzidas). Se fosse uma empresa privada, a prefeitura teria se pulverizado há tempos!

Em contraponto, os empreendedores locais deram conta do recado mais uma vez! Trabalhando sob a expectativa do velho e universalmente consagrado lucro (o que não é o caso da Viúva assistencialista), o empresariado deu uma aula de planejamento e eficiência, mostrando que a disposição e a criatividade são fortes o suficiente que, às vezes, nem dependem do Estado (no caso o município), entidade que em vez de pavimentar as vias do crescimento só tem feito esburacá-las. 

Novas lojas de supermercados, shopping, prédios residenciais e comerciais e outros empreendimentos de expressão mostram o particular como um vigoroso condor, enquanto a cidade desorganizada remete o público a uma espécie de Ícaro melancólico. 

Imaginemos como seria se ambas estivessem por igual no ápice da pujança, esbanjando saúde, unidas como deveriam no esforço desenvolvimentista! 


Itaperuna que botasse as barbas de molho...

Mas, como ensina a Bíblia em Eclesiastes (3,1-3), que "tudo tem o seu tempo determinado. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de edificar...", rezemos e torçamos para que na vida pública de Bom Jesus haja pessoas que não perderão a noção do seu próprio tempo. 

Aproveitar a seara dos bons augúrios políticos em nível estadual, que possam se espraiar até Brasília parece uma boa aposta para 2007 em diante. Vamos ver.

Se a brisa refrescante finalmente estacionar nos cofres municipais, e o balão de oxigênio puder se aposentar para alegria do funcionalismo, não será de bom alvitre se darem por satisfeitos. 

A cidade clama desesperadamente por terapias outras que, se não tratadas com vigor no presente, ganharão cronicidade no futuro. O trânsito e o incrível descaso ao código de posturas por parte do cidadão e das ditas autoridades é um dos outros graves males.

Impressionante como Bom Jesus está verdadeiramente desorientada neste aspecto! 

Carros estacionam em qualquer lugar. Um dia destes tinha um em frente à antiga Ford, bem no meio da faixa de pedestres. 

Um ônibus que vinha da Av. Padre Mello não conseguiu curvar em direção à Itaperuna: ficou entalado sem poder seguir nem recuar. No meio das quatro direções. Nó cego total. 

Seis minutos, contados, em que só motos, bicicletas e pedestres puderam seguir seu caminho em todas as direções. 

Nenhum guarda de trânsito, e provavelmente sequer uma advertência ao folgado ou à folgada que transtornou dezenas de pessoas com sua atitude negligente, egoísta!

Dizia dos carros, mas motos, a mesma coisa; ciclistas que jamais devem ter ouvido a palavra contramão; transeuntes se deslocando no meio das ruas por falta da mais incompreensível noção do perigo (não se sabe o que é feito do instinto de autopreservação da própria vida), e em boa parte simplesmente por não terem opções, já que as calçadas vivem obstruídas pela mais variada tralha, desde materiais de construção, caixotes, engradados; e até mesmo a tomada da via pública na mais deslavada cara-de-pau, para ser usada em negócios particulares!

Estes são alguns desafios que a autoridade tem pela frente e deve enfrentá-los sem medo de cara feia nem da perda de votos. 

A questão é cultural, de maus hábitos enraizados firmemente ao longo das décadas. 

Então é preciso primeiramente ampla campanha educacional. Em seguida, ter "aquilo" roxo para fazer cumprir os regulamentos. 

Uma calçada desobstruída, reabilitada ao seu dever original de ofício pode subtrair o voto do comerciante prejudicado, mas certamente adicionará os dos beneficiários da via livre.

O convívio com a desordem, com um sistema viário sofrível, em meio ao caos promovido por usos e costumes arcaicos, provincianos, anacrônicos, chega às raias do primitivo. 

Os hábitos conservadores do tempo das diligências, na era em que o homem planeja viajar em férias à Lua, são inteiramente incompatíveis com a modernidade, com uma cidade organizada e aprazível, com uma sociedade cortês e progressista.

Se construir elevados, túneis e minhocões é impensável, que pelo menos se alarguem traçados, sinalizem decorosamente as ruas e avenidas e se evitem a indecorosa transgressão à ordem. 

Isto, sim, é possível. Basta vontade política e disposição para contrariar alguns interesses em prol dos de todos.

Uma cidade mais bonita, mais contemplativa, moderna e humana se elevaria por sobre os destroços da apatia, da ineficiência e da acomodação!


PS.: No aspecto desorganização viária, tráfego, tomada de calçadas, falta de sinalização, Bom Jesus do Norte não tem mais crédito do que sua co-irmã. Talvez os projetos pudessem ser elaborados a quatro mãos, quem sabe?

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em dezembro/2006

domingo, 14 de abril de 2013

De trânsito, transigência e transgressões; ou, em Bom Jesus, agarre também sua vaga particular antes que um aventureiro o faça

www.novojornalro.com.br 

ESTÉTICA DO ABSURDO

Nas proximidades do Supermercado 5 Irmãos, em Bom Jesus/ES, insistem em deixar como mão-dupla um trecho que na largura mal comporta um ônibus. 


Acontece que os ônibus teimam passar por ali, e quando encontram-se com um caminhão, ficam como aqueles brutamontes em comercial de luta-livre, um olhando com cara de mau para o outro sem arredarem pé.

O busilis ali é de causar vergonha pela mentalidade retrógrada, pela inércia ou incompetência do poder público nesta e noutras gestões.


 
Não só veículos grandes se incompatibilizam. A fim de complementar o quadro caótico, o retoque na estética do absurdo, estacionam-se a qualquer hora veículos grandes e pequenos ao longo da via, tornando o local mão única no peito e na raça. 


Os "homi" parecem apostar que um dia os veículos terrestres serão equipados com asas.

DEMARCAÇÃO DE VAGAS AO BEL-PRAZER


Uma certa parcela do comércio que produz riqueza, gera divisas e dá emprego traz também o efeito colateral da arbitrariedade, principalmente alguns mais importantes como supermercados e lojas de eletrodomésticos. 

Os cones exasperantes que demarcam vagas para uso particular em local público são os que mais irritam porque sugerem transigência com o poder repressor. 

Tal e qual o entulho repressor da república dos generais, que demarcava imediações de bancos como área de segurança (alguém pode dizer para quê?), alguns comerciantes avocaram unilateralmente e conquistaram na marra o mesmo "direito". 

Alguns deles ignoram solenemente não apenas o Código de Posturas Municipais, mas inclusive a prerrogativa do ir e vir das pessoas, usando as calçadas como extensão de seus negócios. 

Querem vagas para os clientes? Comprem imóveis e as construam, esses espertalhões. 

A petulância de alguns pela certeza da impunidade e ausência de autoridade repressora gera situações surrealistas e tonifica o desagradável clima de provincianismo e de atraso. 

Ruas de tráfego intenso são transformadas em canteiros de obras em pleno horário comercial; caixotes horrorosos que garantem vaga de estacionamento particular em vias públicas substituem os cones em frente a alguns pequenos estabelecimentos; engradados tomam conta de calçadas; veículos de duas ou quatro rodas, idem. 

SINHÔ DOTÔ

Curioso observar como proliferam as placas de "carga e descarga", onde não se pode parar de jeito nenhum, e as que são um pouco menos radicais, ofertando um fiapo de generosidade ao permitir parada por 10 minutos. 

Confesso estar encafifado de como controlam o tempo. 

Qualquer dia vou parar 11 minutos e ver o que acontece. 

Depois, 15, 20, até um dia inteiro. 

Como procuro não desrespeitar as leis e os regulamentos, só estacionarei sob as plaquinhas marotas, ilegítimas aos escaninhos do órgão de trânsito.
Vaga especial para juiz, promotor, vereador, prefeito, etc., etc., etc., por quê? 

Todos não são iguais perante a lei? 

Que cada qual enfrente os mesmos percalços para encontrar a santa vaguinha de cada dia, ora essa. 

Será que nunca nos livraremos do ranço autoritário do sinhô dotô é qui manda?

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em julho/2010

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Acorda, sonhador, é preciso despertar!

Não vou falar sobre os ladrões que fazem da política um instrumento para assaltar os cofres da nação. 

Quando raciocino o quão deve ser difícil se gravar uma conversa, especialmente envolvendo as velhas, ariscas e soturnas raposas de Brasília, como o Waldomiro, e mesmo assim ainda se conseguem inúmeras provas cabais da gatunagem, imagino quanta sujeira, quanta podridão existe neste país.

Não vou falar deles porque sei que seria inócuo, Maluf que o diga (periga ser novamente prefeito de São Paulo, beneficiando-se da omissão de uma Justiça anômala e de uma consciência coletiva de pouca têmpera).

Mas enquanto eles refestelam-se nos confortáveis sofás dos suntuosos salões da “Ilha da Fantasia”, às nossas custas e tramando destinos lúgubres para nossas vidas, vamos nos virando como podemos e até quando Deus quiser. É sobre isso que quero falar:

A única diferença que existe no Brasil de hoje, em relação ao Brasil inflacionado, é que quem tem trabalho fixo, ou melhor, aqueles que sempre foram as vítimas dos desmandos (imensa maioria), e que por sorte têm seu emprego, conseguem hoje em dia comer um macarrãozinho com frango aos domingos e até mesmo comprar um eletrodoméstico, mesmo que comprometa seu salário por 30,40, até 50 meses. 



O problema é que o emprego virou uma “mercadoria” raríssima atualmente, e isto gera conseqüências sinistras. 


Se não há emprego não existe salário, se não há salário não há consumo, se não há consumo inexiste o comércio, se não há comércio, neca de indústria, se não há indústria podem fechar o país para balanço dos salvados.

Vive-se hoje, salvo as exceções de sempre, uma verdadeira ginástica. O cidadão comum vai ao mercado e compra fiado. No fim do mês, a duras penas, paga esta e abastece-se novamente. Fiado, é claro. No dia em que o comerciante não puder fiá-lo mais, a sua situação tornar-se-á crucial. 

O comerciante, por sua vez, adquire uma mercadoria a prazo. Vende-a e adquire outra efetuando o rodízio do seu estoque às custas do seu fornecedor. 

Como sua margem de lucro é insipiente, o mercado em recessão e seus custos operacionais e administrativos a cada dia maiores, a falência o espreita.

Não é possível que continuemos a viver nessa bola de neve.

Urge que tomemos medidas drásticas, necessário se faz que apareçam líderes destemidos que possam desencadear uma revolução cívica neste país. 

Precisamos rever nossa estratégia de vida, repensar nosso papel na sociedade, despertar nosso sentido de indignação. Precisamos parar de dizer “tudo bem” a cada vigarista que nos aparece. Exercermos nossa cidadania com mais contundência, a exemplo dos países desenvolvidos. 

Nós somos os únicos responsáveis por esse estado de coisas, até porque temos pouca noção da realidade. Muitos de nós, infelizmente, vivemos de aparências e esta prática mascara a realidade, tornando-a falsamente colorida. E é aí que agem os espertalhões. 

Não elegemos o Lula? Vamos então cobrar-lhe ação, destemor ante os poderosos, a transformação dos belos discursos em fatos objetivos. 

Não devemos, sob pena de comprometermos o futuro do nosso país, nos acomodarmos frente aos desmandos e à incompetência da “corte”, que continuam mais desenvoltos do que nunca.

Vamos acordar! Espantemos nossos fantasmas!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/2004

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Parem o mundo que eu quero descer

Triste sina a de quem, como eu, fica dando tratos à bola em frente a um computador na vã tentativa de despertar o interesse dos parcos leitores, escrevendo mal e porcamente algumas palavras que por certo são incapazes de franzir mesmo que levemente o cenho daquele mais atencioso. 

Além de não conseguir pegar o jeito da coisa, que é mais ou menos como a música (já se nasce com o dom), escrever por estas plagas tem vários complicadores, a começar pela falta do que dizer.

A conspiração contra o cronista do interior já começa no fato de que poucos brasileiros têm o bom hábito da leitura. No interior é pior. Um contingente maior sequer soletra corretamente uma palavra, enganando-se quem julgar que estes só pertençam à classe social menos favorecida. 




O deleite da desforra de uns ricos obtusos contra mim é que, se soletro corretamente, em contrapartida mal me recordo da cor de uma nota de R$ 100 e inexoravelmente jamais serei um político.


Mas a vida teima em seguir e como já dizia o poeta, navegar é preciso, ainda que por sobre as águas sonolentas deste mês de janeiro, carregando quase que à deriva um barco meio sambado que leva a bordo um timoneiro trôpego e indiferente, acometido por ressacas inimagináveis. 

A veia literária que alguns fiéis amigos tentam me convencer que é boa (apesar de não haver nenhuma prova factual de que realmente o seja) parece que entupiu de vez, vitimada pelo golpe de misericórdia desferido pelas incríveis bandoleiras comilança e bebelança que nos vitimam todos os finais de ano, sem dó nem piedade! 

A coisa é tão séria que em meio às últimas ceias magnificentes de Natal e Ano Novo, emolduradas por vinhos, espumantes e destilados de inúmeros paladares e variados matizes, surpreendi-me em delirantes devaneios sobre o delicioso e saudosíssimo sabor de um bom angu com taioba, um trivial ovo frito e prosaicos sucos Maguary como complemento.

Todo ano é a lesma lerda, como diz o admirável Carlito Maia.


No início de todos eles eu sempre prometo a mim mesmo que em dezembro desconecto-me do sistema, dou-lhe uma banana e desmascaro de vez Papai Noel, provando por A mais B que ele não existe, deve ser fruto da invenção de algum sabido comerciante preocupado com o encalhe de suas bugigangas. 

A partir de novembro, porém, sempre caio na real e sinto como é difícil fugir deste rolo compressor de cuja competência mercantilista me faz retomar a simpatia pela figura etérea do bom velhinho, e me surpreenda em passos furtivos madrugada adentro nas vésperas do Natal depositando pacotes em cima de sapatinhos ou sandalhinhas estrategicamente colocados nas janelas.

Mas do que estava eu dizendo era da falta de assunto. Ela é tanta que deu até assunto, veja você, amável leitor, graciosa leitora. 

Quisera poder articular neste espaço temas mais interessantes e proveitosos, mas como, com a veia entupida?

Quisera inclusive comentar com riqueza de detalhes quão animado foi o fim de 1999 em Bom Jesus. Todavia, penso: que fim de ano? Acaso tivemos um por aqui?

Vai ver é porque o mundo acabou mesmo e eu não me dei conta disso em outra dimensão onde provavelmente me encontre, e tudo tenha saído de minha imaginação agora eterna. 

Neste caso eu nada escrevi neste espaço e você nada leu, o que, na realidade terrena daria tudo rigorosamente no mesmo.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em janeiro/2000

O ano zero em que faremos contatos

Não se tratam de contatos com Et´s, sobrenaturais ou místicos, mas  contatos humanos fraternais, aqueles que são tão necessários quanto factíveis e que, em nome do orgulho, da vaidade, da insensatez e falta de solidariedade estávamos olvidando.

É chagado o momento. Não estamos mais resistindo viver sem um objetivo sobranceiro que nos dê alento espiritual. 




O vazio que sentimos interiormente é por demais desproporcional à nossa máscara externa, ambígua de acordo com o momento e muitas vezes falsa e hipócrita. 

Basta de fingirmos o que não somos, de hiperdimensionarmos nossa própria capacidade equivocadamente, subestimando a dos demais; de procurarmos incessante e febrilmente o vil metal que nos possa propiciar confortos materiais de rápida transição.

O que será de nós se não mudarmos? Quando os mitos do bem-estar sem limites, da segurança nas posses, dos sucessos tecnológicos decepcionarem definitivamente? 

Os valores burgueses, apesar do comodismo que oferecem, causam-nos angústia, infelicidade e desespero. Obscurecem-nos frente a nós mesmos, recomendam-nos a mentira, a traição, a ganância, a desonestidade e a violência.

Faremos contatos, entretanto. A começar em nosso próprio lar, filhos em harmonia com pais e vice-versa, com a busca do entendimento e da compreensão a neutralizar a diferença de valores.

Com o diálogo a arrefecer a chama da discórdia entre a impulsividade e a moderação, entre a volúpia impetuosa de ideais com a serenidade experimentada. 

Contactaremos mais amiúde nossa própria consciência, num exercício constante para torná-la mais ética, generosa e condescendente.

Diremos não a falsos profetas, a políticos inescrupulosos, a mercadores ilusórios da boa-fé.

Elegeremos a verdade como mola propulsora da nossa jornada, contando com a amizade e o amor como combustíveis suplementares.

Contactaremos a natureza, agradecendo-a pelo dom da vida. Contemplaremos sua beleza, admiraremos sua sapiência e nobreza, pararemos de agredi-la de forma contumaz. 

E sobretudo nos comunicaremos em prece fervorosa com nossos irmãos de todo o mundo que só conhecem a ideologia da fome, subjugados que são por apaixonados em tanques e fuzis, e mais ainda no barulho do tilintar das moedas caindo em profusão em seus bolsos, usurpadas da servidão humana.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em janeiro/1998

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ódio insano


Papa João Paulo II, o polonês Karol Józef Wojtyła - maio/1920 - abril/2005
O Brasil recebeu novamente a visita do Papa João Paulo II que, como sempre, teve por objetivo revitalizar a fé e tentar dramaticamente reverter as injustiças que assolam o planeta.

Sua Santidade, mormente ser possuidor de incomensurável dignidade, força moral e habilidade política, tem encontrado mundo afora outro inimigo cruel e de inúmeras facetas, extremamente difícil de ser combatido: o ódio
.



Tal e qual determinados tipos de bactérias e vírus, este sentimento pernicioso, intrinsecamente humano, reproduz-se de várias formas e tem a faculdade incomum de dotar-se de criativos mecanismos de autopreservação, que tornam inúteis todas as tentativas de combatê-lo.

Entendê-lo, então, é tarefa das mais complicadas, que nem mesmo os mais renomados sociólogos, psicólogos e antropólogos conseguem explicar convincentemente.

O ódio racial, o ódio político, o religioso, o social, em todas as suas modalidades e diferentes formas e sutilezas é sempre destrutivo e gera-se na ignorância e no egoísmo desenfreado, que parecem ter atingido seu auge em nossa contemporaneidade. 

O crescimento inversamente proporcional de sensatez em relação a insanidade, de estadistas em relação a oportunistas políticos, de pastores em relação a vigaristas contribuem para a implementação deste subalterno sentido com toda a virulência que lhe é inerente.

A visita do papa ao nosso país reconfortou-nos das agruras e renovou as esperanças num futuro mais promissor. Com certeza deixou-nos uma valiosa contribuição espiritual que nos permitirá solidarizarmos um pouco mais e fazer fortalecer nossa fé Cristã. 

Mas o ódio, esse vilão de toda a história da humanidade, porém disseminado exagerada e gradualmente neste século, persistirá enquanto houver ambientes propícios representados por regimes políticos totalitários, religiões sectárias, desigualdades sociais, amor desregrado pelo efêmero e pelo materialismo!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em outubro/1997 

domingo, 31 de março de 2013

Inocência ultrajada


“O BRASIL ESTÁ DE OLHO...! É o que diz a campanha publicitária oficial contra a exploração sexual de crianças no país, crime perverso e covarde a consternar toda a sociedade e que desnuda de forma crua a violenta injustiça social que nos assola. Um grande olho humano ilustra o cartaz.

O Brasil está de olho, mas a visão está deturpada pelo astigmatismo que o leva a formular débeis tentativas de combater apenas o efeito e não a causa desta calamidade. 

Há que se debruçar no cerne da questão, na célula-máter desta infecção que se insinua de forma voraz e atinge milhões de vítimas com seu efeito devastador. 



A sociedade não pode, jamais, perder a capacidade de se indignar com esta prática hedionda, havendo de censurar enfaticamente as camarillas farsantes que se revezam há decênios em Brasília, e que nada fazem a não ser criar programas sociais caricatos e de enfoques eleitoreiros. 


Esses impostores jamais vão ao âmago da questão porque não lhes interessa conviver com um povo sadio e instruído, para que não desenvolvam a capacidade de desmascarar seus embustes apeando-os do poder que lhes seduz arrebatadoramente.

O olho é míope porque não vê, ou melhor, finge, que o que leva uma criança a se prostituir é a fome, não somente aquela que força seu estômago a roncar diuturnamente, como também a de Educação, de Saúde, de Justiça Social. 

Este olho, hipermetrópico pela indolência em olhar as  necessidades básicas da maioria da população, transforma-se numa rapidez vertiginosa em olho de lince para enxergar na escuridão e trevas das injustiças os interesses obscuros e amorais de uns poucos.

Estes desmandos, olho omisso, resultaram na infecção que a imprensa diagnosticou. Se você não fosse tão frio e impenetrável, talvez tivesse perscrutado que a vontade de saborear um bife ou o desejo de possuir uma boneca é que leva uma menina ainda impúbere a vender seu corpo imaturo por 5 ou 10 Reais. 

Você, olho cruel, não tem condescendência nem com a infância, vítima inocente do seu arbítrio, por isso é o maior culpado por essa infâmia. 

E não me venha agora dar uma de arrependido, de diligente. Ou terá sido porque a situação chegou a tal ponto que se tornou necessário dar uma satisfação? 

Ou ainda, terá lhe doído realmente um pouquinho quando tocaram nesta ferida que jamais cicatriza, como de resto todas as outras chagas que, de tão intensas, lhe escapam ao controle?

Há de se combater, sim, olho incompetente, a concupiscência degradante de adultos degenerados  com seres tão pequenos. Não se pode contemporizar com estes pervertidos que abusam, seviciam, corrompem, achacam e estupram nossas crianças. 

Mas a cura definitiva compete a você, olho impassível, lograr êxito. Quando houver vontade política você, com certeza, tirará os infantes dos meios promíscuos em que vivem, dando-lhes alimento, saúde, educação e lazer. 

Só assim não terão de trocar sua chupeta por alguns trocados conseguidos através da oferta em holocausto do seu pequeno corpo em desenvolvimento.

Livre-nos deste flagelo, olho roxo. Talvez ainda haja tempo para você curar o trauma que este soco violento lhe causou!

Autor: José Henrique Vaillant - agosto/2001