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Mostrando postagens com marcador Curtas. Mostrar todas as postagens
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domingo, 30 de junho de 2013

Precisamos ficar atentos e não entrarmos na pilha de alguns setores dito progressistas da imprensa: nunca houve projeto de "Cura gay"

Deputado Marcos Feliciano
Um artigo do sempre lúcido e esclarecido articulista Reinaldo Azevedo, que detona o que a maioria pensa a respeito do assunto "Cura gay". 

Leiam com atenção, porque quase todos entraram no estouro da boiada (Não existe projeto de “cura gay”. É pilantragem jornalístico-militante).

Ao pastor que pede senhas de cartões bancários aos fieis de sua denominação religiosa, acusado de ser homofóbico, não tenho a menor simpatia; acho até que poderiam aproveitar o embalo do gigante acordado para, comprovadas suas mazelas, levarem-no ao Conselho de Ética e até cassar-lhe o mandato.

Mas a César o que é de César: nada é o que parece ser, nunca houve o intento de, ao menos oficialmente, determinar o homossexualismo como doença, muito menos propor a cura. 

Aliás, a própria OMS - Organização Mundial de Saúde,  corrigiu o erro, eliminando de sua lista de doenças, desde 1990, o homossexualismo.

Reinaldo explicita com raro talento e clareza que, ao fim e ao cabo, o que o decreto do pastor fez foi apenas derrubar um dispositivo (este, sim, autoritário) do Conselho Federal de Psicologia, que veta toda e qualquer ajuda profissional a homossexuais relativamente à sua inclinação sexual.

Aos xiitas, radicais, que concordam que o Conselho devia, sim, caminhar neste paroxismo da insensatez, pergunto: se um homossexual estiver infeliz com sua condição, não tem o direito de procurar ajuda especializada? 

Ou, então: está decretado por ato divino que todos os gays são perfeitamente realizados com sua orientação sexual, pura e simplesmente porque são gays, sendo desnecessárias, por suposto, quaisquer tipos de ajuda?

Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant

sábado, 20 de abril de 2013

Uma pergunta ao prefeito de Bom Jesus do Norte, Dr. Adson Azevedo Salim

Bom Jesus do Norte/ES - Foto aérea: Farley Couto

Dr. Adson.

Quando, enfim, o trânsito de sua cidade receberá um pouco de atenção do poder público?

Ali na altura do Supermercado 5 Irmãos, Sr. prefeito, a coisa já beira ao surrealismo.

Sabe-se que o Sr. terá um trabalho árduo nem tanto para conseguir os recursos necessários para dotar de civilidade (esta é a dura mas adequada palavra) o direito de deslocamento de pedestres e de veículos, mas terá de ter obstinação para quebrar as resistências que a cultura do provincianismo se enraizou de tal forma que nem parece que estamos no século 21. 


Campanhas de conscientização, Sr. prefeito. Maciças. Densas. Repetitivas. 

E o vigor, em ações objetivas, do tamanho daquele utilizado no discurso das mudanças.


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em outubro/2011

Prevaricação anunciada

www.bloguedovalentim.com
Há algum tempo vê-se com estranheza caminhões de carga transitarem pela ponte velha que divide os dois municípios de Bom Jesus, divisa entre os estados do RJ e ES. 

São veículos de todos os portes, até imensas carretas fazendo misteriosamente o percurso nos centros urbanos de cidades com ruas acanhadas, grande quantidade de quebra-molas e obstáculos de toda a ordem, renunciando ao conforto do caminho pela ponte nova. 

É esquisito esse cortejo urbano até mesmo por parte dos motoristas que se dirigem a São José do Calçado ou localidades naquela direção, pois a alternativa de acesso se revela indubitavelmente melhor.

Ressalvando um eventual, remoto e inusitado senso masoquista de um ou outro caminhoneiro que estaria na contra-mão daquilo que a classe mais devota – a pressa de chegar -, enfrentando percalços como até manobras arriscadas para evitar a colisão com a copa das árvores em alguns veículos de grande porte, transportando cargas altas, a suposição de que haveria algo mais no chão do que simples caminhões de carreira foi recentemente reforçada pelo episódio da prisão em S.J.Calçado de um fiscal de rendas do município de Bom Jesus do Norte suspeito de subornar um caminhoneiro para fazer vistas grossas à documentação irregular e venda de notas fiscais frias.

É imperioso que as autoridades investiguem a fundo o forte indício de crime de sonegação fiscal não apenas para punir alguns eventuais apressados em dar uma molhada no canteirinho esturricado pela dureza da vida, mas sobretudo porque no rastro dos canteirinhos é possível que haja uma extensa área cultivada. 

Quer dizer, no bom o velho Português, que seria ingênuo quem pensasse que existindo o ilícito este se restringiria à subalternidade de um mero fiscal pego com a boca na botija.

Muito provavelmente existem pessoas mais importantes por trás das pressupostas evasões, e isso tem de ser severamente diligenciado a bem da moralidade pública.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em abril/2001

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vendem-se ovos caipiras

Uma cena curiosa pode ser vista todo dia, à tardinha, na rua Padre Armando Geerts, em São José do Calçado/ES.

É quando as galinhas da dona Jandira se recolhem para dormir..., em cima da laje!

A casa não tem quintal, mas isso não abalou a dedicação de dona Jandira para com as “penosas”.

Ela diz que vende os cobiçados ovos caipiras (R$ 3 a dúzia),
uma forma de reforçar a renda familiar. 

“Elas já estão acostumadas. Ficam aí na laje, se protegemdo sol na sombra da parede vizinha (casa mais alta), e
quando chove vão para o galinheiro. 

Mas elas gostam de dormir é aí mesmo”, disse a criadora, uma brasileira que, como tal, sabe dar o seu jeitinho.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em janeiro/2005

sábado, 13 de abril de 2013

Curtíssimas: Populações sofrem com poluição sonora


Moradores de Bom Jesus do Norte e de Bom Jesus do Itabapoana estão reclamando do alto volume dos carros de som que circulam pelas cidades, geralmente fazendo publicidade volante, mais intensa nesta época do ano.

Além de massacrarem os tímpanos alheios, alguns motoristas mais desavisados ou deliberadamente contraventores desobedecem as leis de postura municipais, despejando toneladas de panfletos (lixo) pelas ruas.

Aos comerciantes que utilizam-se desse meio de publicidade, fica um alerta: verifiquem se sua mensagem está sendo transmitida com um volume compatível e obedecendo a lei dos homens e o bom senso, pois caso contrário o tiro pode sair pela culatra, ou seja, a mensagem pode irritar o consumidor, ao invés de estimulá-lo a procurar seus produtos ou serviços.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2000

Curtíssimas: Arte?

www.noticiasnumclick.com.br
É impressionante como a atual música comercial/descartável é ruim e apelativa (poucas exceções)! 

Mais impressionante ainda a frenética adoração que as pessoas - especialmente os jovens - têm por estas caricaturas que beiram as raias do absurdo e do ridículo!

Creio que se os controladores dos meio de comunicações audiovisuais tivessem vínculos culturais mais fortes, haveria  como resgatar os legítimos representantes da arte musical, virtuoses da canção e da poesia como Djavan, Caetano, Milton, Chico, Gal e dezenas de outros mais. 

Enquanto estes fazem sucesso extraordinário n'além fronteiras, nosotros vamos "buchechando", rodando bambolê e encostando a bunda na boca da garrafa, na presunção totalmente equivocada de que estamos fazendo arte!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em fevereiro/1998

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Nossos políticos...

“São, conforme a oportunidade, arrogantes ou humildes, intransigentes ou acomodatícios”, já dizia Getúlio da Frota Pessoa. 

E com muita razão, não é leitor? Vocês percebem como eles são humildes, generosos, angelicais antes das eleições? 

No dia D, então, ficam até mesmo subservientes; se você pedir para engraxarem seus sapatos eles o fazem e ainda lhe agradecem a nobre incumbência. 

Mas depois que ganham..., transformam-se completamente, tiram a carapaça e - felizmente há exceções - revelam a soberba que a embriaguês do poder cuida de reforçar.

Eu tenho pena dos que têm esta característica porque a presunção revela tibieza de caráter e dúbia personalidade. 

São pobres de espírito e “deturpam em si próprios a noção da realidade”. 

Eles nos governam, mas por nossa iniciativa, nossa livre escolha. Nós os contratamos e os pagamos regiamente para isso, somos nós os seus patrões e somente em poucos países culturalmente menos dotados é que o empregado esnoba o patrão e se considera mais importante do que a empresa que gerencia.

Modéstia, senhores.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em abril/1999

terça-feira, 2 de abril de 2013

Cimeira

S.f. - ornamento que forma a parte superior de um capacete. Cimo, cume. É o que traduz a Larousse.

No Rio de Janeiro houve recentemente uma. A Cimeira.
E a tradução do dicionário é bem apropriada. 

É o cimo, o cume, o topo, o auge, o apogeu... da reputação turística do Rio. 

Essa tal de Cimeira é isso. Você viu alguma coisa mudar para melhor após a ECO? Acredita que o Euro entrará por “acá” em maiores proporções do que os Reais, Guaranis e Pesos por “alá”?

Trata-se, na verdade, de uma oportunidade aos fabricantes de câmaras, holofotes e de tapetes vermelhos, mas não sejamos tão ácidos. 


Estes acontecimentos servem para alguma coisa. Em nenhuma ocasião a cidade fica tão tranquila, não há assaltos com a freqüência habitual, não há mendigos (estrategicamente recolhidos, alimentados e bem tratados), provando que, quando quer, o governo sabe se mobilizar pelas questões sociais.

Pena que esses convescotes sejam tão esporádicos...


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em  

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Empréstimo compulsório

indubioproestudo.blogspot.com
O famigerado Empréstimo Compulsório é mais ou menos como se alguém da perigosa máfia siciliana lhe abordar numa agência de automóveis e sentenciar: 

- Vai comprar este carro? 30% do valor você é obrigado a nos emprestar. Prometemos que em dois anos o devolvemos.

A máfia (o governo) tomou-nos em 1986. Lá se vão 13 anos e até agora, nada. Mas era de esperar. Alguém pode acreditar na sinceridade e honestidade da máfia?

Sarney - El Bigodon - foi quem nos tomou “emprestado” em 1986, dizendo que em 1988 nos devolveria. Não devolveu;


Collor - o caçador de marajás alvejado por seu próprio bumerangue - disse que ia devolver desde que não cassassem o seu mandato. Que figura! Não devolveu; 

Itamar - o Topeton - jamais tocou no assunto. Não devolveu;

FHC – o continuísta - passou batido pelo assunto no 1° mandato. Não devolveu; no 2°, alguém acredita que devolverá? Quando na galinha nascer dentes, talvez...

O pior é que o dinheiro que nos foi roubado lamentavelmente não alimentou bocas famintas. Certamente frequentou bolsos de linho de fino corte em conjunto com colarinhos brancos de pura seda importada.

Aí é que mora a indignação!


Autor: José Henrique Vaillant - março/1999

sexta-feira, 29 de março de 2013

Tio Cornélio


Morreu aos 71, na madrugada do dia 12/1/03, meu padrinho e tio Cornélio de Castro Vaillant, enterrado no mesmo dia no cemitério de Bom Jesus do Itabapoana/RJ.

O tio era um homem que fazia da simplicidade e da humildade as mais fortes características, como podem comprovar os inúmeros amigos que conquistou em sua trajetória terrena, onde notabilizou-se por fazer o sorvete mais saboroso da região. 

Talvez sua única vaidade era se gabar, há algum tempo, de que uma importante fábrica do Rio de Janeiro estaria disposta a contratá-lo a peso de ouro, ou na pior das hipóteses pagar muito bem por suas receitas: nem uma coisa nem outra, dizia ele, porque de Bom Jesus não saía nem por decreto, e a receita não podia vender, digo eu, porque era intraduzível em palavras o talento nato que dispensava tabelas burocráticas de pesos e medidas, o instinto e a boa mão.

Tio Cornélio levou consigo outra receita, a meu ver exagerada no ingrediente simplicidade sem nenhuma pitada de vaidade, desprezando os mais elementares padrões de conforto material a que um homem tem direito.

Ninguém podia interferir nisso porque partia de princípios próprios de sua personalidade minimalista e desarmônica com as mais modestas ambições terreais. Seus manos Oswaldo, Ismael, Antônio e Manoel, sobrinhos e demais parentes agradecem a todos os que levaram o derradeiro abraço ao devotado torcedor do Olympico F.C. e do Vasco da Gama F.R.

Descanse em paz, tio!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em fevereiro/2003

quarta-feira, 27 de março de 2013

Dança com lobos

Delfim Neto, guru da Economia
na época dos generais
Delfim Neto, guru da economia no Brasil dos generais dizia há vinte e tantos anos: "Precisamos deixar o bolo crescer para depois dividi-lo".

FHC também dizia: "Deixemos o livre mercado definir os rumos da economia. Depois virá a justiça social".

Lula fez coro: "A economia fica como está, não nos lançaremos em aventuras ou em atitudes heterodoxas. Vamos crescer de forma sustentável, com responsabilidade".



Moral da história: o bolo da Ditadura gorou por falta de fermento e excesso de coturnos nos pescoços dos cozinheiros idealistas, e acabou sendo devorado mesmo cru pelos arautos da democracia neoliberal. 

Agora, pior: os companheiros fizeram novo arremedo da guloseima, só que devoram-na antes até de assada porque, além da fome, precisam do forno desocupado para fazer pizzas.

Mas ainda restam cactos, e quando acabarem, muito provavelmente se complete o vaticínio do mestre Carlos Heitor Cony, que disse certa feita: 

"Depois da exploração do homem pelo homem veio a fase da exclusão em que vivemos agora, com os menos capazes sendo postos de lado. O terceiro estágio poderá perfeitamente ser a eliminação pura e simples destes".

Hitler, no túmulo, deve estar em frenesi!


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2004

Apocalipse


Pessoas catam com o frenesi da fome a comida estragada nos monturos da favela; 

ladrões presidem Senado, governam; 

polícias viram ladrões e botam o capuz dos bandidos; 

o presidente diz que vai fazer o sucedâneo de sua política maquiavélica e é bem capaz de cumprir; 



As cestas básicas dos flagelados da seca do Nordeste viram objetos de barganha política; 

O FMI suga nosso sangue com o beneplácito dos governantes; 

Os banqueiros ficam mais ricos, e os pobres, mais pobres; 

Luiz Estêvão está solto, Salvatore Cacciola goza as delícias de Capri através do nosso suor, e o juiz Lalau brevemente terá também a condescendência da Justiça que solta os tubarões e aprisiona os lambaris; 

O sentimento altruístico está sedado, o instinto da perfídia, desamor e desonra, na plenitude; 

Os maus, com a torpeza a cada dia renovada, os bons, na conformidade de uma imensa manada que perde a capacidade de se indignar e a vergonha da resignação sem luta. 

Eu não defendo a desobediência civil, luta armada, motins ou sublevações. 

Apenas amaldiçoo minha própria incapacidade de vislumbrar alternativas.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em outubro/1999

A nau dos insensatos


Navega em mar revolto, em meio a tempestades, tornados e furacões a Nau “Real”. 

Os passageiros estão desesperados e com medo, mas a tripulação está segura, confiante de estar no caminho certo. 

Seu Comandante-em-chefe tem uma fé inabalável na solidez e na boa estrutura da embarcação, por isso a colocou nessa rota perigosa e traiçoeira. 

Ignora com desfaçatez impressionante os gemidos de angústia da grande maioria a bordo, numa ingratidão a quem conferiu-lhe a legitimidade da perpetuação no comando.



O cenário no interior do navio é deprimente, desolador. Os passageiros encontram-se enfastiados pelos balanços violentos das vagas conhecidas como “recessão”, muito agitadas em todos os flancos. 


Outros já sucumbiram por inanição ou se suicidaram ao depararem-se com os terríveis bancos de areia denominados “desemprego e falência”.

Enquanto isso, na cabine, a tripulação, envolta numa redoma à prova de intempéries ignora a hostilidade do tempo e os clamores das galés. 

E a Nau “Real”, a nau dos insensatos, singra os mares bravios com seu destino às profundezas abissais se os piratas não a dominarem o quanto antes.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em março/1998

sexta-feira, 8 de março de 2013

Senhores. Assim já é demais. Que tal pararem de estimular o emburrecimento coletivo, a fatuidade, a vulgaridade, a indolência, a falta de consciência cidadã?


Com as mãos trêmulas de indignação uso este teclado sem saber como reproduzir um grande absurdo dos que já presenciei na tela de uma TV.

Pior: com o conhecimento e naturalmente o consentimento do comando da Globo, já que o programa é editado.

Nem o fato de ter sido de madrugada justifica tamanho absurdo!


Como direi..., há umas duas ou três semanas, a Tina, aquela maluca que batia tampas de panelas teve o seguinte diálogo com aquela outra que vive pintada todo o tempo, me falha o nome: 


- Tina, tu deve maneirar, tá pegando mal, todo o Brasil está te vendo, ponderou. 


E ouviu a  seguinte pérola  como resposta:


- E daí, eu tô ca... e andando para o Brasil, tá me ouvindo? Frisou, em alto e bom som: 


- Eu ca... E pei... para o Brasil, tá sacando?


Como prêmio a desbocada foi recebida como celebridade em programas da emissora, tais como Faustão e Xuxa.


Me pergunto, Boninho, Marinho e todos os pequenininhos em busca da audiência a qualquer preço: 


Qual a legitimidade, qual a credibilidade que têm vocês se instigam tanto a destruição dos valores morais e éticos da sociedade?

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2002

sábado, 2 de março de 2013

Brasiliana Envergonhada da Pátria

Henfil

Carta que uma mãe enviou a seu filho no exterior:

QUERIDO FILHO
Escrevo esta carta a fim de colocá-lo a par das novidades.

O Brasil vai bem, alguns políticos, os mesmos, continuam em sua velha rotina de roubos e furtos. 

Parece que será criada a "Escandolbras", atendendo a uma antiga sugestão do saudoso Henfil. 

A nova estatal terá a incumbência de centralizar todos os escândalos federais, estaduais e municipais, além de treinar agentes com a incumbência de neutralizar os grampos telefônicos, os cinegrafistas amadores e os gravadores cassete.

Mudando de assunto, filho, você sabia que sua irmã foi abandonada no altar? Ih, ela sofreu muito, mas graças a Deus existe por aqui um tal de Walter Mercado. 

Trata-se de um místico muito simpático e que não tem cara de 171. 



Depois que sua irmã telefonou umas 100 vezes para os videntes do Walter, ela ficou em paz e muito animada com o seu futuro amoroso, pois a previsão é que ela talvez se case com o Tom Cruise ou o Maurício Mattar.

Ela está até pensando em trocar sua perna mecânica e o olho de vidro por similares importados. O seu pai é que não gostou quando viu a conta do telefone, (os místicos são pagos por minuto). 

Ele achou que a conta de R$ 800 foi exagerada, mas eu expliquei a ele que não era devido aos telefonemas da sua irmã, mas, sim, das várias ligações que ele próprio faz diariamente para os tele-sorte e tele-sexo.

Por falar em seu pai, acho que pirou de vez. Colocou na cabeça, e quer por que quer comprar um deputado. Tentei demovê-lo dessa ideia, aleguei que um deputado é muito caro, talvez um vereador saísse mais em conta. 

Mas você conhece seu pai. É um velho teimoso, e quando quer uma coisa é inútil tentar convencê-lo. 

Depois que ele viu no programa do “Seu Casseta” uma promoção de deputados, seguiu imediatamente para Brasília para ver se consegue o seu.

Veja você, meu filho, como eu fico preocupada. E se ele comprar um deputado falsificado? Fico horrorizada ao pensar que poderemos ter um do Paraguai. 


O pior é que pode vir honesto. Já pensou, filho, de que nos serviria um deputado do Paraguai e ainda por cima honesto?

Vou terminar porque já está na hora do Jornal Nacional e não posso perder o escândalo de hoje. 


O de ontem eu não gostei muito porque foi criado por aquele barbudinho simpático no qual eu votei para presidente.

A bênção de sua mãe,

Brasiliana Envergonhada da Pátria.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/1997 e adaptado em 2004

Agiota

Da série "Aves de rapina"

Está no Aurélio: adj. 2 gen. 
- Que, ou pessoa que pratica agiotagem; especulador; usurário; interesseiro.

Só que, no Brasil, principalmente no Brasil do Real, deveria constar no Aurélio da seguinte maneira:


- Pessoa “caridosa” que abrevia o fim de quem está 
nos estertores.

É o único comerciante que evita divulgar sua  mercadoria, pois a demanda é inesgotável;


Geralmente simpatiza com o governo, pois este é o maior gerador da sua clientela;


Não teme a concorrência oficial dos banqueiros, uma vez que seus clientes, quase sempre, são renegados por estes, que preferem viver de um outro segmento mercadológico, que são as tetas da viúva;


Normalmente camufla sua atividade principal, atuando oficialmente em outros ramos de negócios. 


Resumo da ópera: o agiota nada mais é do que um produto do seu meio. Gerado pelo verme taciturno 
do capitalismo predatório e selvagem, o agiota encontra um habitat perfeito no Brasil.

Em Tempo: alguém aí troca um pré-datado para mim?

Pago 12%. "Por dentro", é claro.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em dezembro/1996


Por que um povo extraordinário só produz políticos ordinários?

Povo heróico, como registrado no Hino, ouve-se sempre as mais arroubadas alusões à sua Bondade, Fortaleza, Grandeza, senso de Solidariedade.

O povo é generoso, luta com afinco e honestidade para a sobrevivência a cada dia mais difícil. 


Quem não presta, porém, são seus dirigentes, uma corja de larápios e aproveitadores, cujas exceções, embora existam, parecem cada vez mais raras.


Tarefa sociológica interessante é buscar compreender o fato de que, coletivamente tão nobre e decente, o povo seja incapaz de produzir líderes com a mesma argamassa.

Fato tão desconcertante tem levado gente até mesmo a levantar a hipótese paranóica de que existe uma conspiração cósmica malevolente, que infiltra extraterrestres malignos sob a forma de políticos brasileiros.


Se político é um do povo, e o povo é bom, o político teria de ser, obviamente, bom também.


Que enigma!


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/1993

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Quanta eficiência!

Essa do Millôr é um primor, seu doutor:

Conta ele que depois do Jornal "O Globo" ter denunciado aquele montão de laboratórios de análises clínicas que nem sequer distinguiam urina de “guarágua” (quaraná com água), ficaram tão eficientes que um deles extrapolou no zelo, haja vista o seguinte episodio:

Um cidadão levou sua urina para ser analisada. Constatou-se que tinha AIDS. Apavorado, resolveu  confirmar e levou novo material. Novamente positivo. Era mesmo AIDS.

Fulo da vida, num misto de desespero e revolta, resolveu sacanear o laboratório. Pegou o frasco e misturou sua urina com um pouco da mulher, um pouco da filha, um pouco da sogra e ainda “benzeu” com um pouco de uísque Ballantine’s e levou para análise.

No outro dia, constava do resultado: lamentavelmente o Sr. tem mesmo AIDS. Além disso, sua mulher está com hepatite C, sua filha não é mais virgem, sua sogra esta grávida e o seu Ballantine’s é falsificado!



Publicado em agosto/1998

Cultura inútil

Gen. Eurico Gaspar Dutra (18/5/1883-11/6/1974)
 presidente no período 1946 a 1951
Fernando Collor de Melo, poliglota, conversava com os representantes de vários países utilizando-se do idioma do visitante ou visitado.

Fernando Henrique também fala vários idiomas, e dizem até que ensinou Francês, na França, para os... franceses.

Que FHC realmente foi professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, e no famoso Collège de France, na França, não há dúvidas, bem como da Universidade de São Paulo - USP e em universidades de Santiago (Chile), de Stanford e Berkeley (EUA) e na de Cambridge (Inglaterra).

Estes atributos culturais, infelizmente, nao convivem com outros mais edificantes como a sensibilidade e solidariedade que um governante deve ter para com o seu povo.

Saudosismo ou não, meu pai assegura que o Brasil de 1946 a 1950 era melhor, guardadas as devidas proporções de modernidade e confortos tecnológicos.

O Presidente do país naquela época era o Gen. Eurico Gaspar Dutra, que nao sabia o significado nem a pronúncia sequer de “I love you”.

Segundo se dizia na época (piada ou não), quando o presidente norte-americano Henry Truman o cumprimentou quando em
visita ao Brasil, disse: - How do you do, Dutra?

Ao que teria respondido o General: - How tru you tru, Truman?


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em abril/1998