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Mostrando postagens com marcador Sérgio Cabral. Mostrar todas as postagens
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domingo, 28 de abril de 2013

Bonjesino e a terceira ponte

–Chefiaaaaaa........

Oh, não! Bonjesino na área!

–Espera aí, homem de Deus, preciso lhe falar..., – gritou ao longe, esbaforido, o ciclope, velho conhecido do amável leitor e da graciosa leitora, até pelo tamanho físico descomunal, que admiram-no pelo não menos descomunal tamanho da sua ingenuidade e boa-fé.

Adiei o ato de me aboletar na moto, preparando-me fisicamente para o abraço de paquiderme e, psicologicamente, para ouvir a saraivada de enaltecimentos aos políticos de Bom Jesus, seres aos quais Bonjesino, na sua imensa candura, afiança irrestritamente.

–Há quanto tempo, chefia –, foi se aproximando com os braços estendidos para o imperecível abraço (ou melhor, tentativa de assassinato por constrição). 

– Reconheci de longe a pouca bunda, completou.

–Ahnn??

–Estava saindo do mercado pensando justamente em você, chefia, quando... olha a coincidência... vejo a tábua em forma de gente...

–Tábua?

–É com o que você se parece, olhando assim de costas...

–Para de sacanagem, Bonjesino. E já que repara minha carência glútea, fique sabendo que a sua é feia de doer, por motivos opostos. Parece vestir antena parabólica em vez de cuecas. Eu não carrego tanto peso..., provoquei.

–E o nosso Mengão, chefia?

–Nada a declarar.

–Calma, calma, vamos ganhar o Brasileirão...

–Da série B de 2013..., é provável! E parta logo para a política, que é o que o traz até mim, se bem o conheço de velhos carnavais.

–Soube da terceira ponte?

–Ahhh. Ouviu o discurso do governador fluminense Sérgio Cabral, não foi?

–Sério. Vai sair. Viu com que sinceridade o homem falou quando esteve a última vez por aqui?

–Vi. Mas acho que referia-se a alguma ponte sobre o Rio Sena, talvez uma semelhante à Alexandre III, de Paris...


–O que você está falando, homem de pouca fé?

–Acho que ele quer ser prefeito da Cidade-Luz; vê como viaja frequentemente para a França, e sempre muito bem acompanhado com alguns dos maiores PIB´s brasileiros?

–???

–Não dá para entender mesmo, Bonjesino. É surreal.

–Não sei do que você está falando, chefia. Mas o conheço. Lembra que também não acreditava na passarela?

Lembrei. Em várias conversas com Bonjesino, pelos idos de 1996/1999, ele batia sempre na mesma tecla da passarela, necessidade secular há apenas 12 anos materializada. 

Em seus devaneios, o homenzarrão chegou a descrever antecipadamente a entrada triunfal da então prefeita de Bom Jesus do Norte, Daisy Batista, ao encontro do então prefeito de Bom Jesus do Itabapoana, Carlos Garcia, que se confraternizariam (como realmente confraternizaram-se) no meio da passarela, em meio a fogos e fanfarras.

– Passarela é uma coisa; ponte...

– Anote aí, seu escrevedorzinho malévolo, interrompeu-me bruscamente. 

– Nossas autoridades de ambos os lados só pensam nisso, trabalham incessantemente, u-ni-dos (escandiu as sílabas para realçar a forte, fortíssima união e entendimento mútuo. Essa é boa realmente!), para viabilizarem a dita-cuja.

–Não me diga! Quer dizer que até as autoridades não se conformam com o caos em que já está se transformando nossa valente ponte inglesa velha de guerra, feita mais para tráfego de eventuais tílburis e caleças que propriamente para massiva quantidade de bólidos equipados com GPS´s, financiados em trocentos meses, disponíveis a todos que, na pior hipótese, sacrificam o bife de paleta domingueiro para pagar as prestações?

–Claro.

–Realmente, Bonjesino. Depois de um trabalho intenso, quase asfixiante, pelo qual lograram deixar nossa saúde pública tão boa quanto a da Islândia; nossa educação qualitativamente igual à dos finlandeses; nossas ruas e avenidas capazes de fazer corar os príncipes de Mônaco, só falta realmente desafogarem o trânsito...

– Lá vem ironia!

Levantei a mão espalmada, não permitindo que me interrompesse novamente. E continuei, com a mais intensa ironia: 

– Aliás, nossas ruas e avenidas, especialmente as de Bom Jesus do Norte, estão lindíssimas, bem conservadas, isentas de buracos e fissuras, dotadas de estonteantes projetos paisagísticos... Esse delicioso aspecto visual e operacional, inesquecível para os visitantes, bem merece completar-se com uma ponte novinha em folha, com acabamento em mármore de Carrara...

–BASTA!, trovejou o gigante. –Sabe qual será o seu castigo, chefia? Noticiar a inauguração.

–Pra rimar: nesta ou noutra encarnação?, falei e zarpei num átimo, sem esperar a gota d´água transbordar o poço de indignação do gigântico amigo. 

Tenho horror a escândalos!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/2012

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Descaso e hipocrisia tonificam o maldito Aedes

O governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral estufou o peito e mandou ver, quase escandindo as sílabas: 

- "Nós, os governantes, é que somos responsáveis pela epidemia de dengue; não é a população".

Quanto desprendimento! Quanta coragem! Só faltou algum repórter perguntar quais seriam as autopunições que o intrépido chefe do Executivo estadual preconiza a fim de reparar mais de 90 mortes e tamanho sofrimento de um povo desassistido, enfileirado nas portas de hospitais sem médicos, acuado, pasmado pela violência de um agressor tão pequeno como um reles mosquito.



Governantes significa ninguém especificamente, mas o povão embarca fácil na marola do mea-culpa que aparenta sinceridade, na realidade, porém, esculpido com a argamassa da mais deslavada hipocrisia, material abundante nestes tempos políticos de dissimulação e matreirice. 

A população é responsável sim, senhor governador, assim como os governantes têm mais responsabilidade do que pensam.

A pessoa que não cuida adequadamente do lixo que produz, que deixa o mato e a sujeira tomarem conta de seus quintais e que pouco se incomoda com a higiene e com a prevenção é tão responsável quanto o governante que não propicia saneamento básico, que negligencia a vigilância sanitária, que não faz cumprir os mecanismos legais para punirem o desleixo de empresas e de cidadãos comuns. 

Chamam-se civilidade e asseio os remédios contra a dengue.

Aqui em Bom Jesus mesmo encontram-se exemplos à mancheia. 

Talvez porque demande trabalho administrativo (e até jurídico), ninguém é importunado se deixar seu quinhão de terra abandonado, com o mato às portas de Fra Mauro, na Lua, a esconder todo o tipo de perigo e armadilhas que o próprio homem cultiva para si, desde chapinhas de garrafas, copinhos de iogurte, latas, pneus, etc., etc., etc.

Ademais, só faltam externar em palavras o raciocínio (melhor seria raciocímio) de que nunca se pode perder de vista que o dono daquele terreno, daquela gleba, é um eleitor; de que não é prudente  aborrecê-lo por qualquer coisinha.

Criminosamente relegada até quando o inimigo periga transpor a tênue barreira composta pela sorte, esforça-se numa ou noutra mobilização mais propagandística e hipócrita do que propriamente com a sinceridade de propósitos em destruir potenciais criadouros do Aedes. 

"A limpeza sistemática de terrenos baldios pode diminuir em até três vezes as possibilidades de a população ser infectada pelo vírus transmitido pelo Aedes Aegipti", explica a farmacêutica bioquímica e mestre em Ciências Naturais, Haydêe Fagundes de Mendonça.

Pois bem. Basta andar um pouco pelas duas cidades para aferir o potencial bélico do mosquito em Bom Jesus, surpreender-se e indignar-se com a grande quantidade de trincheiras e casamatas disfarçadas com capim alto. 

E assim vamos vivendo, remediando aqui e alhures, picados pelo mosquito e agredidos pela falácia dos governantes. 

Sérgio Cabral, dia destes, enfatizava a necessidade de o Estado construir obras, realizar mais trabalhos de limpeza, entre outras ações e atitudes. 

Mais um pouco e acabava exigindo providências "das autoridades"...

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em abril/2008