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Mostrando postagens com marcador Saúde Pública. Mostrar todas as postagens
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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O dia em que a Presidenta Dilma, em 10 minutos, cuspiu no rosto de 370.000 médicos brasileiros

Por Juliana Mynssen - https://www.facebook.com/juliana.mynssen

Há alguns meses eu fiz um plantão que chorei. Não contei à ninguém (é nada fácil compartilhar isso numa mídia social). 

Eu, cirurgiã-geral, “do trauma”, médica “chatinha”, preceptora “bruxa”, que carrego no carro o manual da equipe militar cirúrgica americana que atendia no Afeganistão, chorei.

Na frente da sala da sutura tinha um paciente idoso internado. Numa cadeira. Com o soro pendurado na parede num prego similiar aos que prendemos plantas (diga-se: samambaias). 

Ao seu lado, seu filho. Bem vestido. Com fala pausada, calmo e educado. Como eu. Como você. Como nós. Perguntava pela possibilidade de internação do seu pai numa maca, que estava há mais de um dia na cadeira. Ia desmaiar. 

Esperou, esperou, e toda vez que abria a portinha da sutura ele estava lá. Esperando. Como eu. Como você. Como nós. Teve um momento que ele desmoronou. 

Se ajoelhou no chão, começou a chorar, olhou para mim e disse “não é para mim, é para o meu pai, uma maca”. Como eu faria. Como você. Como nós.

Pensei “meudeusdocéu, com todos que passam aqui, justo eu… Nãoooo….. Porque se chorar eu choro, se falar do seu pai eu choro, se me der um desafio vou brigar com 5 até tirá-lo daqui”.

E saí, chorei, voltei, briguei e o coloquei numa maca retirada da ala feminina.

Já levei meu pai para fazer exame no meu HU. O endoscopista quando soube que era meu pai, disse “por que não me falou, levava no privado, Juliana!” 

Não precisamos, acredito nas pessoas que trabalham comigo. Que me ensinaram e ainda ensinam. Confio. Meu irmão precisou e o levei lá. 

Todos os nossos médicos são de hospitais públicos que conhecemos, e, se não os usamos mais, é porque as instituições públicas carecem. Carecem e padecem de leitos, aparelhos, materiais e medicamentos.

Uma vez fiz um risco cirúrgico e colhi sangue no meu hospital universitário. No consultório de um professor ele me pergunta: “e você confia?”.

“Se confio para os meus pacientes tenho que confiar para mim.”

Eu pratico a medicina. Ela pisa em mim alguns dias, me machuca, tira o sono, dá rugas, lágrimas, mas eu ainda acredito na medicina. Me faz melhor. Aprendo, cresço, me torna humana. Se tenho dívidas, pago-as assim. Faço porque acredito.

Nesses últimos dias de protestos nas ruas e nas mídias brigamos por um país melhor. Menos corrupto. Transparente. Menos populista. Com mais qualidade. Com mais macas. Com hospitais melhores, mais equipamentos e que não faltem medicamentos. Um SUS melhor.

Briguei pelo filho do paciente ajoelhado. Por todos os meus pacientes. Por mim. Por você. Por nós. O SUS é nosso.

Não tenho palavras para descrever o que penso da “Presidenta” Dilma. (Uma figura que se proclama “a presidenta” já não merece minha atenção).

Mas hoje, por mim, por você, pelo meu paciente na cadeira, eu a ouvi.

A ouvi dizendo que escutou “o povo democrático brasileiro”. Que escutou que queremos educação, saúde e segurança de qualidades. “Qualidade”… Ela disse.

E disse que importará médicos para melhorar a saúde do Brasil….

Para melhorar a qualidade….?

Sra. “presidenta”, eu sou uma médica de qualidade. Meus pais são médicos de qualidade. Meus professores são médicos de qualidade. Meus amigos de faculdade. Meus colegas de plantão. O médico brasileiro é de qualidade.

Os seus hospitais é que não são. O seu SUS é que não tem qualidade. O seu governo é que não tem qualidade.

O dia em que a Sra “presidenta” abrir uma ficha numa UPA, for internada num Hospital Estadual, pegar um remédio na fila do SUS e falar que isso é de qualidade, aí conversaremos.

Não cuspa na minha cara, não pise no meu diploma. Não me culpe da sua incompetência.

Somos quase 400 mil, não nos ofenda. 

Estou amanhã de plantão, abra uma ficha, eu te atendo. Não demora, não. Não faltam médicos, mas não garanto que tenha onde sentar. Afinal, a cadeira é prioridade dos internados.

Hoje, eu chorei de novo.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Caramujos infestam Bom Jesus e região

Denominado cientificamente "Achatina Fulica" o caramujo africano  que vem infestando Bom Jesus foi trazido ilegalmente da África para 0 Brasil nos anos 1980 por criadores de escargot do interior do Paraná para fins  
comerciais. 

Quando descobriram que a espécie era imprópria para 0 consumo humano, os caramujos foram de alguma forma libertados no ambiente.

Sem predadores naturais no país, esses animais encontraram aqui 0 lugar perfeito para uma ampla e descontrolada proliferação. (Alguns informes apontam o caramujo impróprio para consumo; outros, de que criado em cati-
veiro não oferece riscos; há ainda os que apontam o descarte dos animais porque não foram aceitos pelo paladar do brasileiro).

Conhecido como o falso-escargot, 0 caramujo gigante africano é um molusco terrestre, grande (chega a medir 15 centímetros), nativo do leste e do nordeste da África. 

Hermafrodita (dotados de órgãos reprodutores dos dois sexos), o animal se reproduz rapidamente e pode gerar até 600 filhotes em cada cruzamento. 

Sua reprodução é ainda mais rápida em regiões quentes e em períodos chuvosos, quando chega a copular 1 1 vezes por noite e se reproduz praticamente 0 ano todo. 


Seus ovos ficam na terra e depois de cinco meses os filhotes estão adultos e começam a se reproduzir.

O malacólogo (especialista em moluscos) Fábio Faraco, do Ibama, garante que não ha formas de erradicar totalmente a praga. "Pode-se apenas reduzir o número de animais a índices toleráveis ambientalmente". 

Por isso ele insiste que as campanhas devem ser permanentes e não somente pontuais.

Caramujo pode transmitir dois vermes
O caramujo gigante africano pode transmitir dois vermes, o
Angiostrongylos cantonensis e o Angiostrongylos costaricensis, respectivamente causadores da angiostrongilíase meningoencefálica humana e da
angiostrongilíase abdominal. 

A angiostrongilíase meningoencefálica humana tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso. 

Até o momento essa verminose tem causado problemas principalmente na Ásia e ilhas do Pacífico. 

Recentemente foram identificados alguns focos no continente americano - Porto Rico, Cuba e outras ilhas do Caribe. Pelo tráfego de navios, ha o risco de a parasitose ser introduzida em qualquer lugar. Provavelmente as zonas portuárias seriam o ponto inicial.

A angiostrongilíase abdominal causa perfuração intestinal, peritonite e hemorragia abdominal. Tem como sintomas, dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômitos. Detectada desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, a doença pode evoluir para um quadro infeccioso grave
chamado abdome agudo, que pode levar à morte. 

Mas em geral a doença não costuma ser grave. A letalidade é baixa e passa na maior parte das vezes despercebida. A cura é espontânea e não se recomenda o uso de drogas antihelmínticas, pelo risco de haver lesões mais graves, desencadeadas pela morte do verme que se localiza dentro das artérias. 

"Conhecida como angiostrongilose abdominal, essa doença é transmitida por caramujos nativos, e não pelo gigante africano", informa a pesquisadora Silvana Carvalho
Thiengo, do Departamento de Malacologia do Instituto Oswaldo Cruz. 

Ela informa que a infecção humana acontece principalmente pela ingestão de hortaliças contaminadas com as larvas do verme, presentes no muco deixado pelo molusco ao se movimentar.

Cuidados
Os caramujos devem ser catados (um a um) com mãos enluvadas ou protegidas por mais de um saco plástico.

Depois de reunidos podem ser incinerados ou jogados em algum recipiente com água e bastante sal (neste último caso, dissolvem-se).

Morto o caramujo, as conchas não deverão ficar inteiras, paraevitar que acumulem água da chuva tornando-se hospedeiras do mosquito da dengue.

O Ibama recomenda fervê-los durante 5O minutos ou então enterrálos mortos e dentro de sacos em valas de 80 centímetros, jogando cal virgem em cima dos caramujos (is-
so evita a contaminação do solo). Depois, cubra a vala com terra. 

Vale lembrar que essas valas devem estar distantes de poços ou cisternas.

Como evitar que o caramujo chegue ao seu terreno
Para evitar que os caramujos africanos presentes em propriedades vizinhas cheguem ao seu terreno, prepare uma mistura de sabão em pó e água, formando uma calda forte, e espalhe sobre o muro. 

Refaça esse procedimento a cada três semanas ou após cada chuva.

Outra forma de prevenção é observar se as folhas e frutos estão inteiros, ou seja, se não foram comidos por caramujos.

Verduras, frutas e legumes devem sempre ser mergulhados em uma mistura contendo uma colher (sopa) de água sanitária para um litro de água, durante trinta minutos. 

Enxague muito bem antes de comer. Despreze sempre os vegetais que tiveram contato com os caramujos.
E atenção:
Não coloque os caramujos no lixo, pois você estará  transferindo a infestação para outro lugar. 

Também não enterre-os vivos.

Fonte: cidadesdobrasil.com.br

terça-feira, 30 de abril de 2013

Caos na Saúde Pública para a plebe rude; Sirio Libanês pago a peso de ouro pela plebe rude para a casta política privilegiada!

euarte.arteblog.com.br
O Hospital Sirio Libanês, em São Paulo, um dos mais completos e avançados do Planeta, frequenta o noticiário com bastante regularidade, quase concorrendo com a previsão do tempo. 

Isto porque 10 em cada 10 famosos e notáveis, políticos em profusão, lá acorrem quando daqueles terríveis momentos em que a vida se vê ameaçada.

Principalmente para políticos de todos os naipes, oriundos dos mais variados recantos brasileiros, o Sirio Libanês é o amigo certo das horas incertas. 

Alguns se deslocam para lá em reluzentes jatinhos e helicópteros.

Para a plebe, só desacolhedores incertos. Incertos, não sabidos, esquivos. 

Muitas vezes aboletados numa Van ou veículos outros, consomem-se em longas viagens para municípios um tantinho melhores que os de origem, curtindo sua dor física e sua amargura dessa tremenda, terrível, inaceitável injustiça social.


Lá misturam-se aos nativos, formando uma massa de desesperados e desesperançados.


E o país tão vasto, tão rico, nada menos que a 6ª economia do Mundo, que gasta bilhões de Dólares para sediar Copa do Mundo, outros tantos bilhões para nutrir a corrupção desenfreada, destina migalhas para a Saúde da população.

A situação lamentável dos hospitais abarrotados, atendendo a pacientes nos corredores, com carência de médicos, sem medicamentos, incapazes de realizar o mais simples procedimento, pululam no noticiário como um contraponto cruel e infame aos boletins do Sirio Libanês.

Estes boletins são lidos com a fleuma de um lorde inglês por médicos componentes da mais fina flor da ciência, que em seus jalecos alvíssimos e de boa grife dão aos desventurados os informes sobre a quantas anda o tratamento do figurão da hora.

O senador Cristóvam Buarque foi ridicularizado certa feita ao sugerir um projeto que obrigasse a que todo político devesse educar os filhos em escolas públicas. 

Só assim, dizia o senador, teríamos uma Educação de qualidade. 

paraibahoje.wordpress.com
E da mesma forma que na Educação, se ao político fosse vedado o atendimento em instituições particulares de Saúde, teríamos o melhor sistema do mundo!

Um dos candidatos a prefeito de Bom Jesus do Itabapoana/RJ se diz disposto a, entre outras coisas no setor, reabilitar o Hospital São Vicente de Paulo. 

E sabe que o município nada tem a ver com a administração da entidade, que é de natureza jurídico-privada. 

Mesmo assim, propõe-se a interagir com a direção, afirmando que poderá até despachar o expediente como prefeito dentro das dependências do nosocômio, até que ele volte ao atendimento pleno de outrora.

Se essa disposição do candidato é em sentido literal ou figurada, pouco importa, mas a mensagem que dela se manifesta, sim. 

Neste sentido, e enquanto a Saúde estiver tão calamitosa, prefeitos, governadores e até a presidente da República deveriam despachar nas secretarias de Saúde e no Ministério da Saúde. 

E só retornarem a seus gabinetes suntuosos quando a população que lhes paga o Sirio Libanês puder dispor de centros de saúde condizentes com suas necessidades e direitos. 

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em setembro/2012

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bonjesino, a praça e a..., dengue! Ou, "...Muitas vezes procuramos o que já temos. Nessa procura, trocamos ouro por cobre, diamantes por vidro e pedras preciosas por seixos..."

chargistaamancio.blogspot.com

aí, chefia? Viu que beleza de praça?

-Anhnn?, firmei os olhos para reconhecer o brutamontes que vinha a passos largos, gritando ao longe.

-Bonjesino? 


Sim. Era o ciclope! Quase dois metros de altura, ingênuo, boa-praça, apaixonado pelas Bom Jesus e mais ainda pelos políticos do lugar; reage bravamente quando alguém os critica. 

-Você não vai acreditar, disse ele antes mesmo do abraço de paquiderme que quase me tritura os ossos. 

-Maravilha, chefia! Acabei de ver. Tem chafariz, parquinho que encantaria até as crianças da família real inglesa..., revestimento cerâmico que as celebridades do Oscar pisariam com prazer, jardins magníficos..., e patati, patatá...

-Espere aí, bonjesino, interrompi-o no momento em que sua euforia atingia os píncaros.


-Você está falando...

-Isso. Da Praça Governador Portela (Bom Jesus/RJ), afirmou excitado, sem me deixar completar a pergunta.

-Calma, bonjesino. Relaxe. A praça é bonita, realmente. Também, custou R$ 2 milhões do seu, do meu, do nosso suado dinheirinho...

-Do meu não, chefia. Nem do seu. É todo do Governo do Estado. Eu não dei um centavo. Aliás, se me pedissem, até que separava um dia do meu trabalho...



-Do seu dinheiro, sim, amigo. Você não come feijão, arroz? Não compra remédios? Não paga conta de luz e água? Não toma umas e outras de vez em quando?


-E daí?

-Imposto, criatura. Você paga imposto.

-Não pago nadica de nada. Lá vem você inventando coisas só pra não fugir àquela sua velha mania de criticar...

-Ah, é? Saiba que o imposto médio dos alimentos é de 17%. 

Isso quer dizer que quando você vai ao supermercado e compra R$ 100, deixa R$ 17 limpinhos, limpinhos, de imposto, que é o dinheiro que, entre outras coisas, estão usando para fazer a praça.

-Não diga!

-Digo. E mais: na firma em que você trabalha, de cada R$ 1 mil de faturamento, R$ 340 vão para o governo, já que a carga tributária média das empresas é de 34%.

-????!!! Agora sei porque o patrão reclama tanto. Mesmo assim, chefia. Dá gosto pagar para ver aquela maravilha!

-E no mais, amigo? Fora a praça, o que há de bom por aí?


Precedendo a resposta, um daqueles olhares penetrantes, mistura explosiva de indignação e censura.

-Sei onde quer chegar. Estou acostumado. Não comece, viu?

-Só fiz uma pergunta...

-Daquelas maliciosas. Como se nada mais de bom existisse.

-Por exemplo: o quê?

-Tem a..., Sabe..., Aquela... Vai dizer que também não viu o... O problema da..., Foi resolvido... Os moradores até..., Ninguém pode dizer... Aquilo ficou ótimo... A rua está..., O caso do..., Beleza, tudo de bom..., Lembra do..., Solucionado, sim, solucionado..., Os servidores..., Ufa..., Tanta coisa...

-É. Estou vendo. Muita coisa. Nada ruim?

-Só a Dengue.

-Ruim até demais, complementei.

-Mas não é culpa das autoridades...

-Não?

-Culpa nossa. Veja que enquanto elas estão dando o maior duro, trabalhando desesperadamente pelo nosso bem-estar, o que a gente faz, hein, hein?, perguntou com trejeitos furiosos, a candura momentaneamente posta para escanteio. 

E completou, esbravejante:

-Deixando lixo espalhado, copinhos de iogurte, tampinhas de cerveja, pneus, vasos de planta cheios de água sem trocar por 200 anos, caixas d´água descobertas, matagais abandonados em forma de terrenos...

Difícil seria convencer Bonjesino de que a culpa é, sim, majoritariamente das autoridades, que têm a prerrogativa de legislar, regulamentar, fiscalizar e punir; 

Que possuem os mecanismos, os meios para conscientizar, alertar, insuflar os instintos de autopreservação.

-Até parece que você é uma autoridade, Bonjesino, pois algumas delas dizem a mesma coisa...

-E estão certas. A culpa é do povo....

-...Que as elege..., atalhei-o timidamente, afastando-me um pouco do gigante, puro reflexo condicionado de autodefesa, desnecessário porque Bonjesino é incapaz de estapear um..., Aedes!


O semblante do colosso enfarruscou-se. Passados alguns segundos de tensão, porém, transformou-se numa máscara encorpada de ironia quando seus três neurônios ordenaram a afirmativa que considerava fatídica, lapidar, que poria uma pá de cal no meu estoque de argumentos:

-A, há..., cerrou o punho balançando-o loucamente para a frente e para trás. 
- Toma essa, chefia, preparou-me para a estocada mortal. 

- Eu vi na TV que a Dengue está barbarizando em todo o Brasil. Não é só em Bom Jesus, não, viu seu escrevedorzinho maledicente?

-Tem razão, Bonjesino. Essa praga infelicita todo mundo.

Olhe só: o Estado do Paraná teve 1.383 casos confirmados até o dia 14/2 na totalidade dos seus 399 municípios. 

Bom Jesus teve 266. 

Ou seja, cada município paranaense confirmou, em média, 3,5 casos. Nós confirmamos 266, repeti, acentuando o tom na pronúncia dos números.

-É mesmo, chefia? Três casos e meio contra duzentos e sessenta e seis?

-Bidu!

-Mas...

-Nem mas nem meio mas. O problema é o gosto de viver de aparências. Nessa ensandecida escala de valores, mais vale uma praça que a saúde da população, que fica pelos corredores e pelas filas esmolando um atendimento o mais simples. 

E continuei, sem dar chances a apartes:

-Quando a doença complica, e a dama da foice se aproxima para tomar os apontamentos exigidos por São Pedro a fim de dar a destinação de cada um, dá-se a debandada para Itaperuna, Campos, qualquer outro município que dificulte um pouquinho mais o hálito quente da morte bafejar no cangote desprotegido, indefeso, vulnerável...

-Pare, homem de Deus. Está vertendo bílis pela boca, cruz em credo! O dinheiro da praça estava lá dando sopa, tipo me leve por favor. Mas só podia ser usado na praça, era verba específica. Você acha que nossas abnegadas autoridades iam deixar escapar a oportunidade?

-Melhor teria sido, Bonjesino. É vergonhoso, ridículo, inominável que uma população padeça de tantas carências, nos mais variados aspectos, e queiram operar o milagre de acabar com elas retinindo-as com penduricalhos efêmeros e vãos como a sombra que passa.

-Vou-me embora, chefia. Chega de tentar convencer um ingrato de que nossos políticos são o que há de mais altaneiro. Você não merecia de Deus o dom de escrever. Até Ele, até Ele você é capaz de criticar!

-Pensando bem...: Deus, oh Deus, onde estás que não respondes/ em que lua, em que estrela Tu T´escondes/ embuçado nos céus... 


Dizeres de Castro Alves. 

Para quem gosta de poesia, por que não se inspirar no genial poeta e compor elegias, como derradeiro alento, em meio a tanta dor?

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em março/2011

quarta-feira, 6 de março de 2013

Farrapo Humano. Bebida alcoólica entre crianças e adolescentes é um tormento para eles e mais um punhado de gente que gravita em sua órbita

Quem transita na passarela que une os bairros Lia Márcia, em Bom Jesus do Itabapoana, e Silvana, em Bom Jesus do Norte, pode verificar uma norma que "pegou": 

Ciclistas e motociclistas, salvo um ou outro mais mal-educado atravessam o rio empurrando seus veículos, mesmo agora que é raro encontrar um policial na cabine do lado fluminense (no capixaba, nem cabine existe).

Outra lei que também "pegou" foi a da obrigatoriedade do uso de capacete pelos motociclistas. 

No entanto, a que limita o tempo em que se fica nas filas dos bancos, e a que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menores..., estas..., nem que ainda haja juízes em Berlim!

O consumo de bebidas alcoólicas pelos brasileiros atinge proporções de drama. 


Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que o consumo de álcool no país aumentou 154% entre 1961 e 2000, e estudos mais recentes apontam tendência de alta. 

Mas o drama maior, que beira o desespero está no consumo entre a juventude brasileira. 

Uma pesquisa do Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas) aponta que o consumo regular de bebidas é mais frequente entre adolescentes de 14 e 15 anos de idade.


Isto ajuda a entender por que o Brasil se coloca entre os países com as mais altas taxas de homicídios e acidentes de trânsito do mundo!


Seria pretensioso de minha parte tentar aprofundar-me nas causas deste comportamento, mais ainda se acreditasse na capacidade de fazê-lo na plenitude. 

Mas a inteira liberdade que o jovem tem de comprar e consumir bebidas alcoólicas, com certeza é uma delas. 

E mais: o garoto e a garota são estimulados por maciças campanhas publicitárias, e até mesmo induzidos ao uso por parte dos adultos, inclusive no seio familiar. 

Em qualquer lugar em que haja jovens reunidos, em especial à noite, vê-se a orgia do álcool, que nos reclames é símbolo de charme, elegância, inteligência e sucesso. 

Nas festas, como a última de Bom Jesus do Norte, a antologia das garrafas de mãos em mãos adolescentes é algo que deprime, entristece e angustia. Afinal, o futuro do país está nas mãos e nos neurônios dessa turma.

Eventos temáticos nos quais a danosa substância é a vedete pululam por aí: Festa da lata, Noite do vinho, Festival do chop, etc, substituíram o apelo artístico, cultural, pelo etílico.

Quero dizer, o jovem já nem vai àquela festa tanto por atração ao seu artista preferido, mas sobretudo para ficar bêbado. 

As barracas exclusivas de bebidas proliferam como coelhos, e algumas se esmeram tanto na cada vez mais lucrativa atividade,  que até sites na Internet se dão ao luxo de ter, como uma que se instalou na recente Festa de Bom Jesus do Norte. 

No cardápio desta, "delícias" como Capetão, Trifásico, Flamejante, Parafuso e outras sandices eram ostensivamente oferecidas.

"O alcool compromete seriamente o funcionamento do cérebro, as lesões são crônicas e o estrago é tanto maior quanto mais cedo se tenha adquirido o hábito de beber", diz matéria da Revista Galileu, da Editora Globo, n° 107. 

E aponta que 50% dos acidentes automobilísticos fatais, 50% dos homicídios, 30% dos estupros, 25% dos suicídios e mais de 60% de casos de violência contra crianças são relacionados a bebida, além de alta incidência de hemorragias digestivas e traumas cranioencefálicos por quedas e acidentes domiciliares. 

A desagregação familiar, a procura por drogas ilícitas a partir da bebida alcoólica, as desavenças e as brigas em casa ou na rua, os comportamentos de risco como fazer sexo sem preservativos, desempenho sofrível na escola e tantas e tantas amarguras para si e para os outros seriam evitados se não houvesse o álcool a interceptar o caminho dos nossos meninos e meninas.

É proibido vender bebida alcoólica a menores; dá cadeia. A fiscalização tem de fazer o seu papel, que já será um passo para atenuar esta calamidade com cara de tragédia.


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/2007

segunda-feira, 4 de março de 2013

Suicídios em Bom Jesus; a depressão é doença, e o deprimido precisa de políticas públicas que o ajudem


É intrigante, terrivelmente perturbadora a escalada sinistramente ascendente de suicídios ocorridos em Bom Jesus.

Não tenho
estatísticas para me embasar, mas me bate a sensação de que nosso lugar outrora tranquilo, de poucas novidades, está se tornando um pólo de ocorrências dessa natureza em elevada proporção relativamente ao número de habitantes

Tomara que me engane. De qualquer modo, o surto vai crescendo, parece que em efeito cascata, o que é duplamente preocupante.

Pessoas com tendência a dar cabo da própria vida podem estar se espelhando nos exemplos antecedentes para um último estímulo ao impulso fatal.

Hoje mesmo em que escrevo estas linhas (1/5), nem bem refeito do trauma pelo rapaz que pulou do Shopping e do que saltou da Passarela da Amizade para a morte, tomei ciência do caso da mulher que se asfixiou com gás, parece que ontem.
   
Eu me pergunto: será que nada podemos fazer? Não existem providências científicas, técnicas, políticas ou religiosas que possam, se não evitar, ao menos minorar esses tristes acontecimentos?



Sabendo-se de antemão que a maior parte destes eventos partem de pessoas profundamente depressivas, desalentadas, incapazes de pagar o alto preço que a vida nos cobra a todos indistintamente, não estará faltando a elas mais apoio psicológico, alternativas públicas de assistência social e psicológica, entidades tipo Alcoólicos Anônimos que os possam propiciar um pingo de alento para esta tarefa árdua mas que vale o sacrifício, que é viver?


Não estaremos nós, os mais “conformados”, sonegando-lhes ajuda? Fica aqui a minha contribuição, espero que estas linhas inspirem reflexões, principalmente se considerada a devastação na existência das pessoas próximas de quem pratica este gesto tresloucado, de desvario extremo.

Certamente vai ajudar a quem lida com pessoas deprimidas ler o texto abaixo, da médica psiquiatra portuguesa Adriana Campos.


"O QUE NUNCA SE DEVE DIZER

A depressão, contrariamente àquilo que se considerava até bem pouco tempo atrás, não é uma reação psicológica de pessoas fracas que não conseguem resolver os seus problemas, mas sim uma doença grave e incapacitante.

A depressão foi estimada, nos anos 1990, como a quarta causa específica provocadora de incapacidade, através de uma escala global que compara várias doenças.
Qualquer pessoa, independentemente do sexo, da idade ou da fase da vida, pode, de repente, mesmo sem um fator desencadeante grave, perder o sentido da vida. 

A vida pode subitamente tornar-se cinzenta e, por mais esforço que o indivíduo faça, não consegue encontrar-lhe a cor. Estar deprimido não depende da vontade da pessoa, uma vez que a depressão resulta da deficiência de determinadas substâncias (serotonina, noradrenalina e dopamina) a nível cerebral.

Por esta razão, dizer a um deprimido "você deve dar a volta por cima”, “tem que ter mais força de vontade" é completamente injusto e aumenta ainda mais o estado de desânimo em que o doente se encontra.

Um outro comentário que frequentemente é dirigido a pessoas deprimidas é "precisa sair e se distrair". Apesar de este parecer um conselho sensato, é mais um que, no contexto desta doença, faz muito pouco sentido, uma vez que a pessoa está tão centrada no seu mal-estar que não consegue distrair-se.

Os acontecimentos sociais são um verdadeiro tormento para estes doentes, uma vez que têm de fazer um esforço desmedido para aparentar que estão bem.

"Não pense tanto": este é outro comentário frequente, que também não faz sentido, uma vez que, geralmente, o indivíduo deprimido não pensa muito. Pelo contrário, até pensa menos, só que o faz sempre em torno das mesmas idéias.

A maioria destas pessoas tem graves dificuldades de concentração e sente-se incapaz de tomar decisões, ainda que banais, exagerando os efeitos "catastróficos" das suas hipotéticas decisões.

Um outro comentário, profundamente injusto, que muitas vezes é proferido a estes doentes é: "Não lhe falta nada. Por que é que você está assim?".

Como doença que é, pode atingir qualquer um, por melhor que a sua vida possa ser. Há pessoas que têm propensão para esta doença, passando periodicamente por episódios depressivos, sem que haja nenhum fator desencadeante.

Além destes comentários, que o deprimido dispensa e até agradece que não sejam feitos, existem também alguns mitos relativos à depressão, sobre os quais também é importante refletir.

Um mito frequente é que o melhor é não falar ao deprimido sobre a sua depressão, pois isso só vai piorar a situação. Ignorar a depressão não parece ser a melhor estratégia, pois isso pode provocar maior retraimento e vergonha por parte do doente. Estar disponível para ouvi-lo pode ser uma grande ajuda.

"Ele está muito deprimido e falou em suicidar-se, mas ele não é disso". Este é outro mito que é importante desmontar, uma vez que a depressão é uma das principais causas de suicídio, principalmente entre as pessoas que vivem solitariamente.

Por esta razão, qualquer deprimido que pense em morte ou em suicídio precisa de auxílio médico imediatamente. Se você deseja mesmo ajudar um doente deprimido, então o melhor é, além de o ouvir, incentivá-lo a iniciar o tratamento, pois todas as pesquisas indicam que quanto mais rápido este começar, maior é a possibilidade de evitar recaídas mais tarde.

Uma vez este ter iniciado, procure motivá-lo a não o abandonar, já que os antidepressivos precisam de três a seis semanas para fazer efeito".


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/2005

O Perfume; ou, banheiros da rodoviária de Bom Jesus: fedor insuportável

sorisomail.com
Estou lendo um livro muito bom que versa sobre cheiros, odores diversos, senso olfativo incrivelmente desenvolvido. Digo que a história é boa pela originalidade, embora catinguda e violenta. 


Trata-se de "O Perfume", de Patrick Suskind. E lá vai um trechinho, para quem tiver estômago:

"Aqui, no sítio mais fedorento de todo o reino, nasceu Jean  Baptiste Grenouille, a 17 de Julho de 1738. Foi um dos dias mais quentes do ano. O calor pesava como chumbo sobre o cemitério, projetando nas ruelas vizinhas o seu bafo pestilento, onde se misturava o cheiro a melões apodrecidos e a trigo queimado. 

Quando começou com as dores de parto, a mãe de Grenouille encontrava-se de pé, atrás de uma banca, na Rua Aux Fers, a escamar as carpas que acabava de estripar. 


Os peixes, supostamente pescados no Sena nessa mesma manhã, já cheiravam pior do que um cadáver. A mãe de Grenouille não distinguia, no entanto, entre o cheiro a peixe e o de um cadáver, na medida em que o seu olfato era extraordinariamente insensível aos cheiros e, além disso, a dor que lhe apunhalava o ventre eliminava toda a sensibilidade às sensações exteriores. 


Apenas desejava que a dor parasse; desejava pôr termo o mais rapidamente possível a este repugnante parto. Era o seu quinto. Todos os outros se haviam verificado atrás desta banca de peixe e sempre se tratara de natimortos, ou quase, porque a carne sanguinolenta que dela se escapava não se diferençava grandemente das miudezas de peixe que juncavam o solo, e também não possuía, além disso, muito tempo de vida.


à noite, tudo era varrido a trouxe-mouxe e levado nas carroças, em direção ao cemitério ou ao rio. Era o que deveria passar-se, uma vez mais, naquele dia e a mãe de Grenouille, que ainda era jovem, vinte e cinco anos feitos, que ainda era bonita, que conservava quase todos os dentes e tinha ainda cabelos e que, independentemente da gota, da sífilis, e de uma leve tuberculose não sofria de qualquer doença grave, que esperava viver ainda muito tempo, talvez cinco ou dez anos, e talvez até mesmo casar um dia e ter verdadeiros filhos na qualidade de respeitável esposa de um artesão viúvo (por exemplo)...


A mãe de Grenouille desejava que tudo já tivesse acabado. E quando as dores de parto se fixaram, agachou-se, deu à luz debaixo da sua banca de peixe, tal como das vezes anteriores, e cortou com a faca de peixe o cordão umbilical do recém-nascido".




Lembrei-me do banheiro da rodoviária de Bom Jesus do Norte (o da outra Bom Jesus chegava a ser pior, não sei hoje), e também de já ter estrilado aqui mesmo nas páginas da Status sobre a fedentina, o furdunço que de lá emana para léguas distantes. 

Interessante é que dois, três anos atrás, o toilette foi reformado, colocaram novos revestimentos nas paredes e no piso, mictório inoxidável, uma beleza. Pensei: agora vão manter limpinho e cheiroso.

Ledo engano! O vaso sanitário e a cuba inox estão impregnados daquela velha e sórdida resina esverdeada metida a besta, que quer porque quer se comparar às pedras sanitárias, mas com efeito contrário. 


As pedras vão perdendo o viço à medida que são usadas; mas a resina, quanto mais se usam o mictório e a privada, mais se encorpa, ganha robustez e odor abomináveis. 


Bem verdade que ela não é tão valente a ponto de encarar uma esponja de aço de 1001 utilidades, mas em verdade vos digo que ela está livre da esponja por séculos e séculos, amém.


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em março/2009

domingo, 3 de março de 2013

A doença do Hospital São Vicente de Paulo chama-se falta de consciência


Beira as raias da incredulidade o pouco caso, a desconsideração com que autoridades públicas e parcela considerável da sociedade distinguem o Hospital São Vicente de Paulo, entidade que há 85 anos vem atendendo o bom-jesuense e habitantes de municípios adjacentes ou remotos nos momentos cruciais e dolorosos da vida. 


Identidade laica mais expressiva do lugar, o HSVP caminha atualmente trôpego em direção a um futuro incerto e não sabido, amparando sabe-se lá com que reservas de forças os milhares de usuários que pouco percebem quão grave é a sua situação operativa. 

A entidade padece pelos efeitos dos males comuns, ao que parece, à maioria dos bom-jesuenses: roubalheira, apatia, desinteresse, indiferença em relação a seus bens de uso coletivo e a tudo o mais que referenciem a coletividade.





Esse estado de espírito é certamente um dos principais fatores da brutal incapacidade de Bom Jesus do Itabapoana competir com outras cidades do seu porte em progresso material e intelectual desde tempos imemoriais. 



A inépcia política, doença insidiosa e crônica, é outra praga que tem atormentado Bom Jesus de tal forma que a mantém subjugada nas trevas da estagnação e da falta de perspectivas durante décadas a fio. 


A geração que cresceu sob os auspícios da vizinha Itaperuna para lhe suprir as mais variadas carências vai morrendo sem ver mudar esse quadro desairoso, que beira o ridículo e já flerta com o inaceitável. 

Bom Jesus ainda é incapaz de realizar provas de trânsito, de conferir um diploma universitário em áreas pouco mais complexas, de arbitrar simples demandas judiciais de seus cidadãos, como as trabalhistas e as de defesa do consumidor. 


Desde a invenção da roda, os munícipes daqui procuram alhures as peças de reposição para suas máquinas. 


A especificidade e sofisticação da peça fugiram um pouco ao padrão convencional? Só em Itaperuna. 

Comprou um eletrodoméstico e precisa de assistência técnica? Só em Itaperuna, como no caso de uma prosaica geladeira, da não menos prosaica marca Cônsul. 


Isso em pleno século 21, quando médicos já realizam complicadas intervenções cirúrgicas à distância, via Internet. 


É de pasmar essa modorra, esse comodismo!

Assim é com a saúde. O HSVP definha a olhos vistos. A cada dia levas e levas de doentes procuram tratamento em Itaperuna e em outros municípios. 


E ninguém levanta a voz em defesa do HSVP, senão de forma vaga, inconsistente, no mais das vezes denotando a odiosa demagogia velha de guerra. 

Desde os idos de 2000, quando o então deputado federal Paulo Feijó conseguiu o anexo da instituição, muita gente deslumbrada, aprisionada nos grilhões da vaidade, da fatuidade e da ganância de poder só se aproveitou do hospital.


Quando menos para os seus 15 minutos de fama! 

Ninguém desconhece que a Saúde no Brasil, de modo geral, leva os analistas a pronunciarem o desgastado trocadilho “está na UTI”. 


Mas isso não significa que também por aqui ela tem de estar necessariamente à beira da morte. 

Essa seria (ou é) a bucéfala resignação dos incompetentes, a desculpa puída dos preguiçosos, o álibi providencial para os ladrões do dinheiro público. 


Para os honestos de propósitos, um desafio que a levará a competir entre as melhores. 

A população precisa acordar. Cada homem e cada mulher deve lutar em prol do hospital, que será uma luta em prol de si mesmos. 


Como? Manifestando enfaticamente seu repúdio contra o atual estado de coisas, cobrando, pressionando, fazendo barulho, destituindo com a força de sua cidadania a gente ruim, que atormenta e escarnece do HSVP. 


Uma sociedade que se permite uma praça folheada a ouro e seu hospital à beira do colapso demonstra baixo nível de consciência coletiva, o que é ótimo para os oportunistas e os exploradores. 


Estes, quando ficam doentes, utilizam-se de renomados estabelecimentos referenciais em saúde, pagos,  indiretamente, justo por aqueles que morrem à míngua sem atendimento médico de qualidade.


Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em setembro/2010

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Descaso e hipocrisia tonificam o maldito Aedes

O governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral estufou o peito e mandou ver, quase escandindo as sílabas: 

- "Nós, os governantes, é que somos responsáveis pela epidemia de dengue; não é a população".

Quanto desprendimento! Quanta coragem! Só faltou algum repórter perguntar quais seriam as autopunições que o intrépido chefe do Executivo estadual preconiza a fim de reparar mais de 90 mortes e tamanho sofrimento de um povo desassistido, enfileirado nas portas de hospitais sem médicos, acuado, pasmado pela violência de um agressor tão pequeno como um reles mosquito.



Governantes significa ninguém especificamente, mas o povão embarca fácil na marola do mea-culpa que aparenta sinceridade, na realidade, porém, esculpido com a argamassa da mais deslavada hipocrisia, material abundante nestes tempos políticos de dissimulação e matreirice. 

A população é responsável sim, senhor governador, assim como os governantes têm mais responsabilidade do que pensam.

A pessoa que não cuida adequadamente do lixo que produz, que deixa o mato e a sujeira tomarem conta de seus quintais e que pouco se incomoda com a higiene e com a prevenção é tão responsável quanto o governante que não propicia saneamento básico, que negligencia a vigilância sanitária, que não faz cumprir os mecanismos legais para punirem o desleixo de empresas e de cidadãos comuns. 

Chamam-se civilidade e asseio os remédios contra a dengue.

Aqui em Bom Jesus mesmo encontram-se exemplos à mancheia. 

Talvez porque demande trabalho administrativo (e até jurídico), ninguém é importunado se deixar seu quinhão de terra abandonado, com o mato às portas de Fra Mauro, na Lua, a esconder todo o tipo de perigo e armadilhas que o próprio homem cultiva para si, desde chapinhas de garrafas, copinhos de iogurte, latas, pneus, etc., etc., etc.

Ademais, só faltam externar em palavras o raciocínio (melhor seria raciocímio) de que nunca se pode perder de vista que o dono daquele terreno, daquela gleba, é um eleitor; de que não é prudente  aborrecê-lo por qualquer coisinha.

Criminosamente relegada até quando o inimigo periga transpor a tênue barreira composta pela sorte, esforça-se numa ou noutra mobilização mais propagandística e hipócrita do que propriamente com a sinceridade de propósitos em destruir potenciais criadouros do Aedes. 

"A limpeza sistemática de terrenos baldios pode diminuir em até três vezes as possibilidades de a população ser infectada pelo vírus transmitido pelo Aedes Aegipti", explica a farmacêutica bioquímica e mestre em Ciências Naturais, Haydêe Fagundes de Mendonça.

Pois bem. Basta andar um pouco pelas duas cidades para aferir o potencial bélico do mosquito em Bom Jesus, surpreender-se e indignar-se com a grande quantidade de trincheiras e casamatas disfarçadas com capim alto. 

E assim vamos vivendo, remediando aqui e alhures, picados pelo mosquito e agredidos pela falácia dos governantes. 

Sérgio Cabral, dia destes, enfatizava a necessidade de o Estado construir obras, realizar mais trabalhos de limpeza, entre outras ações e atitudes. 

Mais um pouco e acabava exigindo providências "das autoridades"...

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em abril/2008

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Lula, o câncer, tolas desforras e a hipocrisia política

O câncer que acometeu o ex-presidente Lula suscitou polêmicas intermináveis, principalmente na Internet. 

Infelizmente os debates e opiniões acalorados não centram a mira no tumor em si, no nexo causal, nas advertências de prevenção, sobre a quantas andam as pesquisas científicas para livrar a humanidade dessa doença cruel e devastadora, mas firmam o tripé na questão política, muitos defendendo vigorosamente que Lula devia demonstrar coerência com seu discurso e internar-se para tratamento no SUS.

Ora, ora, ora, diria o falecido Teotônio Vilela, raro exemplar de político íntegro, admirável pela retidão de caráter e contagiante brasilidade. 


Como são ingênuos! Até as bandeirinhas dos palanques sabem que hipocrisia, dissimulação e mentira são os ingredientes principais do caldo que políticos despejam nas goelas de uma maioria anêmica de informação e de cultura, mais vulnerável ao vírus insidioso da enganação. 

Corria o ano de 2006. Local: Porto Alegre/RS. Trecho do discurso de Lula sobre a saúde: “Eu acho que não está longe da gente atingir a perfeição no tratamento de saúde neste país”. 

Ano de 2009. Local: Olinda/PE. Evento: Congresso Brasileiro de Saúde Pública. Trecho: enaltecendo a política pública brasileira de saúde, em contraponto às carências do sistema americano, chegou a sugerir ao presidente Barack Obama, dos Estados Unidos, que criasse um SUS em seu país: “Na próxima conversa que tiver com o Obama vou sugerir que faça um SUS. Obama, faça o SUS: custa mais barato, é de qualidade e é universal”. 

Ano passado: Local: Recife/PE. Evento: inauguração de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Trecho: “Eu tava visitando a UPA, e eu tava dizendo que ela tá tão bem organizada, ela tá tão bem estruturada, que dá até vontade da gente ficar doente para ser atendido aqui”. 


Tudo às mil maravilhas, mas na hora do aperto Lula internou-se no Sírio-Libanês, o hospital da “elite” que tanto combateu, onde 10 entre 10 integrantes dessa elite buscam refúgio nas horas mais difíceis. 

Claro que ele, como qualquer um que tenha (muito) dinheiro, pode e deve procurar o melhor para si e para os seus. Mas os políticos teriam de ser mais comedidos nas exaltações, pois os problemas da saúde pública brasileira são sérios demais.

Glorificar um SUS que demora meses entre o diagnóstico e o tratamento de um câncer nos plebeus é tripudiar da desgraça humana!

Em São Paulo há um hospital público referência em oncologia. O ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) é o maior da América Latina, reconhecido pela excelência e bom atendimento a pacientes do SUS. 


No Rio há o INCA (Instituto Nacional do Câncer), também uma referência nacional. 

Outras instituições Brasil afora atendem com eficiência a pacientes do Sistema, mas a verdade é que a maioria da população brasileira carece até do atendimento básico. 

Vide os jornais nacionais da vida mostrando filas quilométricas, corredores abarrotados, doentes recebendo soro nas calçadas.

As cidades de Bom Jesus são exemplos a indicar num micro-universo a derrocada da saúde em nível nacional. 


O Hospital São Vicente de Paulo, a Casa de Saúde Aurora Avelino e o Hospital Jamile Said Salim (esses dois últimos lamentavelmente mortos e sepultados há tempos) atendiam aos pacientes do SUS, que eram felizes e não sabiam. 

O HSVP, notadamente, recebia levas e levas de doentes de outros municípios e até de outros estados, tamanha era sua boa reputação. 

Mas hoje caminha a passos trôpegos em direção a um destino incerto e não sabido, endividado até à medula, encarado com desprezo por alguns que poderiam ser seu sustentáculo mas nada fazem, certamente por reunirem condições de se socorrerem no próprio Sírio-Libanês ou em instituições assemelhadas quando precisarem. 

Que o ser humano Luis Inácio Lula da Silva livre-se da doença; que tenha vida longa. 


E, se possível, que o político Lula adapte sua verve que arrebata multidões à realidade do país. 

Que não é outra senão angústia e desolação para milhões de pessoas carentes de sírios-libaneses.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em novembro/2011