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Mostrando postagens com marcador Meio Ambiente. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Caramujos infestam Bom Jesus e região

Denominado cientificamente "Achatina Fulica" o caramujo africano  que vem infestando Bom Jesus foi trazido ilegalmente da África para 0 Brasil nos anos 1980 por criadores de escargot do interior do Paraná para fins  
comerciais. 

Quando descobriram que a espécie era imprópria para 0 consumo humano, os caramujos foram de alguma forma libertados no ambiente.

Sem predadores naturais no país, esses animais encontraram aqui 0 lugar perfeito para uma ampla e descontrolada proliferação. (Alguns informes apontam o caramujo impróprio para consumo; outros, de que criado em cati-
veiro não oferece riscos; há ainda os que apontam o descarte dos animais porque não foram aceitos pelo paladar do brasileiro).

Conhecido como o falso-escargot, 0 caramujo gigante africano é um molusco terrestre, grande (chega a medir 15 centímetros), nativo do leste e do nordeste da África. 

Hermafrodita (dotados de órgãos reprodutores dos dois sexos), o animal se reproduz rapidamente e pode gerar até 600 filhotes em cada cruzamento. 

Sua reprodução é ainda mais rápida em regiões quentes e em períodos chuvosos, quando chega a copular 1 1 vezes por noite e se reproduz praticamente 0 ano todo. 


Seus ovos ficam na terra e depois de cinco meses os filhotes estão adultos e começam a se reproduzir.

O malacólogo (especialista em moluscos) Fábio Faraco, do Ibama, garante que não ha formas de erradicar totalmente a praga. "Pode-se apenas reduzir o número de animais a índices toleráveis ambientalmente". 

Por isso ele insiste que as campanhas devem ser permanentes e não somente pontuais.

Caramujo pode transmitir dois vermes
O caramujo gigante africano pode transmitir dois vermes, o
Angiostrongylos cantonensis e o Angiostrongylos costaricensis, respectivamente causadores da angiostrongilíase meningoencefálica humana e da
angiostrongilíase abdominal. 

A angiostrongilíase meningoencefálica humana tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso. 

Até o momento essa verminose tem causado problemas principalmente na Ásia e ilhas do Pacífico. 

Recentemente foram identificados alguns focos no continente americano - Porto Rico, Cuba e outras ilhas do Caribe. Pelo tráfego de navios, ha o risco de a parasitose ser introduzida em qualquer lugar. Provavelmente as zonas portuárias seriam o ponto inicial.

A angiostrongilíase abdominal causa perfuração intestinal, peritonite e hemorragia abdominal. Tem como sintomas, dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômitos. Detectada desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina, a doença pode evoluir para um quadro infeccioso grave
chamado abdome agudo, que pode levar à morte. 

Mas em geral a doença não costuma ser grave. A letalidade é baixa e passa na maior parte das vezes despercebida. A cura é espontânea e não se recomenda o uso de drogas antihelmínticas, pelo risco de haver lesões mais graves, desencadeadas pela morte do verme que se localiza dentro das artérias. 

"Conhecida como angiostrongilose abdominal, essa doença é transmitida por caramujos nativos, e não pelo gigante africano", informa a pesquisadora Silvana Carvalho
Thiengo, do Departamento de Malacologia do Instituto Oswaldo Cruz. 

Ela informa que a infecção humana acontece principalmente pela ingestão de hortaliças contaminadas com as larvas do verme, presentes no muco deixado pelo molusco ao se movimentar.

Cuidados
Os caramujos devem ser catados (um a um) com mãos enluvadas ou protegidas por mais de um saco plástico.

Depois de reunidos podem ser incinerados ou jogados em algum recipiente com água e bastante sal (neste último caso, dissolvem-se).

Morto o caramujo, as conchas não deverão ficar inteiras, paraevitar que acumulem água da chuva tornando-se hospedeiras do mosquito da dengue.

O Ibama recomenda fervê-los durante 5O minutos ou então enterrálos mortos e dentro de sacos em valas de 80 centímetros, jogando cal virgem em cima dos caramujos (is-
so evita a contaminação do solo). Depois, cubra a vala com terra. 

Vale lembrar que essas valas devem estar distantes de poços ou cisternas.

Como evitar que o caramujo chegue ao seu terreno
Para evitar que os caramujos africanos presentes em propriedades vizinhas cheguem ao seu terreno, prepare uma mistura de sabão em pó e água, formando uma calda forte, e espalhe sobre o muro. 

Refaça esse procedimento a cada três semanas ou após cada chuva.

Outra forma de prevenção é observar se as folhas e frutos estão inteiros, ou seja, se não foram comidos por caramujos.

Verduras, frutas e legumes devem sempre ser mergulhados em uma mistura contendo uma colher (sopa) de água sanitária para um litro de água, durante trinta minutos. 

Enxague muito bem antes de comer. Despreze sempre os vegetais que tiveram contato com os caramujos.
E atenção:
Não coloque os caramujos no lixo, pois você estará  transferindo a infestação para outro lugar. 

Também não enterre-os vivos.

Fonte: cidadesdobrasil.com.br

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Gerações futuras: bebeis desta água

Foi publicado há algum tempo pelo jornal “Folha de São Paulo” um artigo interessante de um cientista alemão a respeito do perigo de esgotar-se as reservas naturais de água no Planeta, caso a humanidade não tome providências imediatas para reverter o vertiginoso processo de degradação da natureza em nome do progresso.

Egoisticamente falando, podemos afirmar que nossa geração pouco sofrerá, pois o processo de degeneração não é assim tão rápido. 




Mas, por certo, as gerações futuras haverão de padecer uma paulatina e gradual escassez até o momento da hecatombe total, quando a Terra poderá se transformar num gigantesco deserto estéril.


Quem de nós não conhece ou nunca ouviu falar de um rio, um lago ou um reservatório natural outrora caudalosos, que hoje estão secos e esturricados? 

E os rios que nossos pais e avós nadavam despreocupadamente e se serviam de suas águas in natura para satisfazer todas as necessidades? 

Hoje correm em seus leitos com toda a sorte de poluentes e detritos, ocasionando morte lenta e irreversível. Estes mananciais pedem desesperadamente por socorro!

Temos uma responsabilidade gigantesca para com as gerações vindouras. 

Não nos é dado o direito de sermos seus algozes e não podemos deixar que aconteça o vaticínio taciturno do cientista ao fechar o seu artigo: 

“Se não se tomar medidas drásticas e urgentes para a consecução de uma política ambiental e desenvolvimentista em harmonia com a natureza, e de caráter fundamentalmente preservacionista, o líquido vital à vida tornar-se-á tão caro quanto o ouro, e nossos netos, bisnetos e seus descendentes poderão vivenciar, com amargura, os últimos ricos da terra, com seus rostos diplomáticos e em frenesi, sorverem as últimas gotas de água potável do planeta.”

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/1997

sexta-feira, 29 de março de 2013

Rio Itabapoana - a lenta agonia

Itabapoana: a poucos metros desta prainha pestilenta,
a captação da água que o bom-jesuense bebe
Tâmisa. Rio do sul da Grã Bretanha. Banha várias cidades inglesas, sobretudo a capital, Londres;  

Sena. Banha  a maior parte da bacia Parisiense (776 km), abrangendo 78.650 km2 de bacia fluvial. 

Estes dois rios, os mais notabilizados do mundo, foram salvos por uma consciência de preservação também notável. Eram, num passado não muito distante, os mais poluídos da Europa.

Hoje podem-se até banhar-se em suas águas sem  risco de contaminação. O grande esforço conjunto entre governos e populações foi o fator determinante para a salvação daqueles importantes mananciais, fruto da mais óbvia constatação: ninguém passa incólume nem fica impune pela agressão à natureza. 

Não se tratava meramente de uma questão de inteligência ou generosidade, era mesmo uma questão da própria sobrevivência daqueles povos.



No Brasil essa consciência é um sonho distante. Governos e sociedade, salvo raríssimas exceções, não se dão conta do futuro sombrio - e mais rápido do que supõem que nos aguarda quando da estrangulação total desse sistema vital à vida, mas de finitude cientificamente comprovada. 

O  caso do famoso Rio Tietê, que corta ao meio a maior megalópole sul-americana reflete bem o descaso do Brasil. 

Desde o  governo paulista de Laudo Natel - e lá se vão décadas que os políticos utilizam a imensa cloaca em que se transformou o Tietê para suas demagógicas promessas de campanha, colocando a despoluição do rio dentro de programas meramente eleitoreiros, que hoje em dia não  convencem ao mais ingênuo eleitor.

O nosso Itabapoana mesmo parece ser vítima de rompantes  inconsequentes de burocratas em suas escrivaninhas assépticas, degustando  legítima água mineral Perrier e efetuando elucubrações mentais de como justificar seus gordos salários. 

O  Projeto Managé parece ter saído de uma dessas pranchetas, em verdade tão bem teorizado que a princípio  parecera algo sério e profundo. Qual nada! Só teve o mérito de ter sido concebido para um pseudo funcionamento em consórcio com os municípios adjacentes aos 264 km de seu leito, talvez para confundir posteriores questionamentos sobre o seu fracasso, pulverizando o ônus da culpa.

Absolutamente nada de bom aconteceu ao velho e carcomido Itabapoana nestes 3 anos de programa, exceto aos que confeccionam os conhecidos cartazes que ficam estrategicamente colocados nas entradas e saídas dos municípios como marketing político de cada prefeito, de cujas disposições para as medidas práticas são tão falsas quanto uma nota de 3 reais.

Não é justo no entanto que se debite unicamente ao poder público o estado de coma do Rio Itabapoana e de tantos outros em cruel agonia neste imenso Brasil. Nem tampouco culpar esta ou aquela comunidade, um ou outro município ribeirinho. 

Todos temos uma parcela de responsabilidade por ação ou omissão, pela  maneira  imediatista de encarar a vida como se não houvesse o amanhã. Quantos dos que estão lendo agora estas linhas não hesitariam em despejar seus excrementos na mesma fonte que lhes fornece o elemento vital à manutenção da sua própria vida? 

Quantos terão se contentado com promessas espúrias de políticos em épocas de campanha, sem mover uma palha para cobrar-lhes medidas práticas e emergenciais para pôr termo à cruel agonia dos nossos outrora límpidos e saudáveis mananciais hídricos? 

Quantos não terão o egoísmo de pouco se lixar com as gerações vindouras que desventuradamente, sem nenhuma culpa deliberada, estão fadados a contemplarem com a garganta sedenta e a pele esturricada, os derradeiros milionários em suas  mansões cinematográficas, com os  rostos diplomáticos, sorverem em canudinhos de ouro, em frenesi, as últimas gotas de água potável do planeta?

Autor: José Henrique Vaillant - pulicado em outubro/2000

terça-feira, 5 de março de 2013

Contatos nada imediatos

Cabo Canaveral, Florida, Estados Unidos. Um brinquedinho que, para os padrões da Nasa dizem ter sido de baixo custo, mas que seguramente atingiu a cifra de milhões, decola com destino a Marte. 

Pathfinder, o robozinho simpático (foto), leva consigo as esperanças dos que almejam decifrar o enigma do universo e colher subsídios que possam satisfazer-lhes a eterna curiosidade: há outros mundos habitáveis e/ou habitados?

Minha opinião é que não teremos tão cedo esta certeza, baseada na teoria de que ainda não estamos preparados para um acontecimento dessa dimensão. 

E a razão é apenas uma: não detemos o conhecimento total a respeito de todos os nossos problemas; ainda não aprendemos tudo sobre nós próprios, mergulhados em dúvidas e incertezas a respeito de nossa própria espécie.



Então, como poderíamos entender e aceitar possíveis vizinhos intergaláticos?



Bem verdade que evoluímos muito, erradicamos alguns males que nos afligiam e consideramos ter atingido alto grau de conhecimento. Mas isso sob nossa ótica, sob o nosso ponto de vista. Quem sabe, para "eles", ainda somos iniciantes?

Ou quem sabe a arrogância dos humanos os levem a suspeitar de nossas reais intenções ao procurá-los, e por isso não dão as caras?

Como poderiam entender um ser que concebe e gasta fortunas num brinquedinho operado por controle remoto, mas ao mesmo tempo permite que seu semelhante sucumba por inanição? 

Corno poderiam compreender a ambiguidade da criação de mecanismos que salvam e que matam? E a complexidade dossentimentos terrenos, onde amor e ódio, solidariedade e egoísmo não encontram barreiras a separá-los?

Nossa maior dificuldade em mantermos contato deve ser  exatamente esta. 


Se os ET's são mais evoluídos que nós, deixar-nos-ão a sós como parte de uma ética que as espécies inteligentes têm, qual seja a de respeitar o próprio desenvolvimento dos demais, até o ponto em que haja uma perfeita harmonia evolutiva que permita eventuais intercâmbios.

E certamente os terráqueos estão longe de atingir o ponto de convergência com seres evoluídos. Quem sabe isso ocorra no momento em que pudermos, ou desejarmos, parar de destruir paulatinamente o nosso próprio Planeta? 

Ou quando pararmos de nos digladiar pelas vias de fato ou através dos nossos pensamentos? Ou quando atingirmos um estágio avançado de dignidade que nos permita repudiar com veemência as razões, os porquês a civilização tem de conviver com guerras, massacres, toda a sorte de tragédias promovidas por ela própria.

Resta-nos ainda muito por fazer. Precisamos descobrir a razão de certas incoerências, como por exemplo termos capacidade de ir a Marte, mas não a de descobrirmos a cura para muitas de nossas enfermidades, nem mesmo para uma prosaica gripe;

Se conseguimos criar mecanismos para a destruição da Terra, nosso próprio habitat, umas cem vezes, como não podemos exterminar reles insetos?

Inventamos parafernálias que permitem falar com nossos semelhantes a milhares de quilômetros de distância, ao vivo e em cores, mas não descobrimos ainda uma maneira ideal de diálogo.

Reproduzimo-nos de todas as formas, naturais ou artificiais, mas não encontramos uma fórmula eficiente que dê suporte à vida.

Tudo isso, talvez, tenha sido analisado para se traçar o perfil de um terrestre. E havemos de concordar que essa pode ser a razão pela qual adiam uma visita ou não formam um comitê de recepção. 

E bem provável, até, que o ET 's, em suas rusgas eventuais, desfiram o seguinte impropério uns aos outros: - Vá para a Terra!

Autor: José Henrique Vaillant - publicado em agosto/1997

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Culpados somos todos nós

ioneelev8.files.wordpress.com
Que início de ano infernal! Terras deslizam em Apiacá causando destruição; barreiras enterram vivas quatro pessoas em São José do Calçado; 

Enchentes mostram sua face assustadora nas duas Bom Jesus não uma, nem duas vezes, mas três, que é para não haver dúvidas quanto suas sinistras intenções.

O velho filme impõe sua odiosa reprise ad nauseam, sempre tão igual e a cada vez mais sacrificante de aturar com aquele cenário sombrio de mulheres e homens com seus filhos e alguns pertences fugindo da calamidade, sabendo que dali a um ano, ou menos, a saga se repetirá irremediavelmente.


Ao redor de tudo, um inimigo incrivelmente pequenino para o grau de periculosidade que ostenta faz suas incursões perversas nos corpos humanos para inocular-lhes a terrível dengue. 


É a alegoria mais macabra do bloco do horror, o arremate triunfal de uma Natureza esgotada, extenuada pelo descaso e pelos crimes ambientais que se perpetuam em nome de um progresso insano porque impossível de ser sustentado.

Culpados? Todos nós. Tomem-se como exemplo as cidades de Bom Jesus, num espraiar para todo o mundo subdesenvolvido, ignaro e autocriminoso. 


Um joga o lixo em qualquer lugar, outro deixa seu terreno descuidado. 



E não há autoridade! E não há quem se indigne! E não há quem mexa o traseiro um milímetro para alguma ação objetiva a partir do tsc, tsc, tsc, do gesto resignado e tímido de discordância que um ou outro manifeste.



Esgotos são despejados ao natural diretamente no pobre Itabapoana, com suas margens devastadas pela ocupação irregular e demente. 

Raros são os trechos que o outrora fundo Itabapoana não "dá pé". 

Em épocas de estiagem ele chega a se transformar,  em alguns pontos, de um caudaloso e impávido manancial em priscas eras que bem longe vão, num melancólico e ridículo laguinho. 


A fina lâmina d´água, com aquela lama sórdida, sobeja, quase cristalizada a rodeá-la, é como um lembrete da natureza aos bom-jesuenses e a todos os povos de maneira geral: em pouco tempo, insensatos, vocês verão! 

As desgraças que hoje convivem serão consideradas dádivas celestes em comparação com a sede. 


Torçam para que não haja vida após a morte: vocês estariam condenados a contemplar seus descendentes com as gargantas esturricadas a mirarem os céus com olhar canino de súplica!

Desastres naturais, fenômenos da Natureza são registrados desde que o primeiro bípede deixou seu rastro neste Planeta Azul. 


Ninguém pode ser culpado por isso, mas que devam existir quem se responsabilize pela tarefa de enfrentar as calamidades, aí sim. 

É para isso que existem governos, ao menos em tese. Mas qual! O Executivo nacional culpa os estaduais e os municipais, que por sua vez culpam o nacional. 


E o povo que contribui com seus tostões para conservar-lhes os milhões também se isenta da responsabilidade, só faltava mais essa... 

Medidas corretivas e preventivas, nem pensar. Planos de ocupação ordenada, projetos vigorosos e objetivos de recuperação e restauração dos ambientes naturais, então, é delírio de sonhadores. 


Como se ousa mencionar semelhantes coisas se nem o bueiro da esquina pode ser "desconcretado" por "falta de verba"? 


O louco que pensar semelhante asneira é capaz até de achar que o dinheiro público deve ser usado para coisas públicas... 

Um abilolado no mundo da Lua!

A natureza vai, assim, reagindo contra os excrementos sólidos de nossas almas e nossas ignorâncias líquidas. 


E seja o que Deus quiser!

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em fevereiro/2007

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Carta aos meus tetranetos

QUERIDOS

Estou redigindo esta carta, amados tetranetos e tetranetas, em maio de 2007, esperando que no momento em que vocês puderem lê-las e interpretá-las tenham a capacidade e a condescendência para perdoar.

Desculpem-me, desculpem-nos. Sua pele esturricada e as gargantas sedentas são frutos de ignominiosos crimes que a minha geração cometeu contra vocês. 


O alimento sintético que vocês engolem em cápsulas, por inexistência de produtos animais e vegetais que a Terra estéril não foi capaz de sustentar, é nossa culpa exclusiva, pela degeneração ambiental que promovemos. 

O oxigênio que seus pulmões buscam desesperadamente no ar rarefeito da sua era de horror, fomos nós que praticamente o eliminamos da face do Planeta ao devastarmos nossas florestas. 


Seus corpos esquálidos, cobertos de chagas por doenças trazidas pelo sol inclemente, abrasador, são o preço de nossa insensibilidade e egoísmo, quando jamais pensamos para além de nossos umbigos, de que a vida haveria de continuar após nossa injuriosa existência; matamos impiedosamente os mananciais hídricos e tudo o mais que respaldava a vida!

Ah, crianças, que já nem mais possuem papilas gustativas por serem absolutamente desnecessárias. Como explicar para vocês o sabor de um bife com batatas fritas? A delícia de um pudim de leite ou um angu com taioba? 

E como explicar-lhes a beleza de uma flor, o canto mavioso de um pássaro, as estripulias caninas e felinas, os verdejantes vales? 

Vêem este Rio Itabapoana seco e empedrado? Pois é, meus queridos, podem acreditar que seu tetravô nadava nas águas dele quando criança, pescava piaus, cascudos, bagres e lambaris.  

O peixe nem tinha muito valor, tão grande a proliferação!

Certamente que os regimes de governo de vocês são terrivelmente autoritários, ditatoriais, pois só dessa forma vocês podem lograr sobreviver no cenário sinistro da desordem e da discórdia pelas disputas desesperadoras por um copo d'água ou uma sombra, somente propiciada por coisas inanimadas. 

Mas aqui, agora, filhos dos filhos dos filhos dos meus filhos, vivemos a plenitude da liberdade civil e da fartura, sem possuirmos o merecimento de tê-las.

Construímos casas na beira dos rios destruindo sua mata ciliar; despejamos nossos excrementos e nossos rejeitos a cada dia mais intensos diretamente nas águas; deixamos lixo e restos em qualquer lugar: nas ruas, nas praças, nos jardins.

Depois a chuva abençoada vem e os joga no rio, que não pode lhes servir porque não resistiu ao martírio. 

Desculpem-me, desculpem-nos. Nossos países de hoje têm recursos de sobra, mas não têm líderes sinceramente preocupados com vocês, do futuro. 

Não possui estadistas que pensem um palmo além de seus próprios interesses pessoais, de seus egos assustadoramente inflados. 

E vocês, queridos, carregam o fardo cruel dessa ignomínia! 

Só para exemplificar a natureza das consciências globais dos habitantes do nosso ainda lindíssimo Planeta Azul, agora mesmo tivemos aqui em nossa região uma tal de Descida Ecológica no Rio Itabapoana, proporcionada por uns poucos sujeitos mais sensíveis que pensaram poder, com o gesto, amplificar o rouco gemido de dor do Itabapoana, a prenunciar o que vocês desgraçadamente vivenciam, que é a contemplação do seu cadáver. 

Os abnegados barqueiros em seus barcos (vocês sabem o que era um barco?) pensaram atrair uma multidão para vê-los remarem, e com isso despertar a consciência, acordar a sensibilidade para a necessidade urgente urgentíssima de se estancar a hemorragia do rio. 

Foi de pasmar! Quase ninguém apareceu. 

E só um dos quase 200 vereadores (vejam nos livros de História o que era um vereador e um Poder Legislativo) que representam as populações dos 18 municípios que se servem do rio participou do esforço, que vocês sabem, desoladamente, ter sido em vão. 

Queridos tetranetos, vou ficando por aqui. 

Deixo-lhes a mancha de minhas lágrimas neste papel, por saber que vocês não podem vertê-las apesar das lancinantes dores morais e físicas que sentem. 

E humildemente rogo-lhes: desculpem-me, desculpem-nos a nossa pequenez.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em maio/2007