O ex-presidente norte-americano Herbert Hoover (1929 a 1933), que viveu de de 1874 a 1964, dizia:
“Quando adoecemos, queremos um médico extraordinário.
Se temos uma construção a fazer, queremos um engenheiro fora de série. Somente quando estamos na política é que nos contentamos com homens comuns".
Reduzindo o raciocínio em nível de município, imaginem o amável leitor e a graciosa leitora o seu prefeito ou a sua prefeita, o seu vereador ou a sua vereadora.
São preparados? Conseguem juntar lé com lé, cré com cré, como diz Reinaldo Azevedo, nas concatenações de raciocínio quanto aos problemas de suas cidades?
Mais ainda: eles planejam as ações resolutivas desses problemas?
Acercam-se de auxiliares reconhecidamente competentes, qualificados em cada setor específico de modo a propor e desenvolver métodos e fórmulas eficazes de aprimoramento dos padrões de serviços prestados à população?
São pessoas que, como a maioria dos brasileiros, vivem unicamente à custa dos proventos obtidos honestamente?
Levam eles vida regrada, conceitualmente compatível com usos e costumes?
Em sua concepção, eles têm comprometimento de ordem sentimental com suas cidades? Servem-nas, ou servem-se delas?
Agora, quem me lê, raciocine de outra maneira, de forma literal, tal como Hoover fez no figurado: você está no leito de uma sala cirúrgica e vão abrir sua barriga.
Há duas pessoas ao seu lado, sendo que uma é formada em Medicina, a outra nunca viu um bisturi. É claro que você vai preferir que a primeira mexa no seu umbigo.
Imagine que o seu bem-estar, o seu futuro e o futuro dos seus dependem da política e dos políticos. Alegoricamente, a sua barriga, a dos seus filhos, estão sendo abertas por quem não é médico!
Vão (vamos) morrer antes do tempo!
A planta do seu prédio está sendo feita por quem não sabe regra de três!
Vai cair!
Fato é que a política encerra em si os mecanismos que movem as demais atividades do homem.
Saúde? Depende da política; Educação? Depende da política; Segurança? Depende da política. O que mais a gente imaginar, depende da política.
E ainda há lorpas e pascácios, como dizia Nelson Rodrigues, que se jactam de não darem a mínima para a política.
"Detesto política, não me inteiro do assunto, não voto em ninguém, não preciso, não quero saber", vocês já devem ter ouvido alguém comentar, não é mesmo?
Tal pessoa, quando capotar numa estrada por estar esburacada, vai se machucar, ou morrer, por causa da política que ela nunca fez questão de saber.
Quando ela perder o emprego devido as condições econômicas adversas; quando ocorrer como agora com os venezuelanos, e não puder nem comprar o papel higiênico, vai ter de lavar o fiofó, se tiver água, ou ficar com ele sujo, por causa da política.
E quando chegamos ao fundo do poço da questão política brasileira, eis que nos deparamos com um novo começo, poço este cujo fim, tal como o universo, é infinito:
“O político ideal que vocês desejam, aquele cara sabido, aquele cara probo, irretocável do ponto de vista do comportamento ético e moral, aquele político que a imprensa vende que existe, mas que não existe, quem sabe esteja dentro de vocês”.
Lula, minha gente, disse isto aí em cima, no convescote de comemoração do 10º aniversário do PT no poder (posso escrever igual pharmácia antigamente? - no phoder).
E disse com todas as letras!
Agora, um raciocínio lógico: se em toda regra há exceções, por onde andam essas exceções que não deram um tranco no "Nosso Guia", como Elio Gaspari denomina o ex-presidente?
Não ouço um pio...
Será que a política brasileira é tão predatória que engoliu até o adágio?
Autor: José Henrique Vaillant
www.recantodasletras.com.br/autores/josevaillant
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sábado, 18 de maio de 2013
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Duelo Miguel Motta x Carlos Garcia: os "três" perderam
No apagar das luzes do ano de 2001 o tempo verborrágico esquentou em Bom Jesus do Itabapoana com a troca de acusações, de insinuações e de catilinária entre dois pesos-pesados da política local: o ex-prefeito Carlos Borges Garcia e o atual, Miguel Ângelo Barbosa Motta. Motivo: a controversa dívida que aquele teria deixado para este administrar.
Foi infantilidade. O atual prefeito, talvez um tanto assustado com a realidade nua e crua que certamente o calor da campanha de 1999 cuidou de maquiar, cedeu ao impulso tentador de justificar os insucessos ou expectativas frustradas culpando a única bandeira que lhe restou, a malfadada herança de cofres vazios que não foi prerrogativa somente de Bom Jesus do Itabapoana.
Até o bloco de faturas entende que num regime democrático, onde as instituições funcionam, o caminho correto seria o da Justiça, caso houvesse indícios de crime de responsabilidade no montante do passivo encontrado.
O povo não quer saber quem pintou a zebra nem o sete. Quer alguém que resolva seus graves problemas, um líder obstinado que não se deixe deslizar no terreno das lamúrias e do desencanto.
O bom-jesuense apostou em quem o conduzisse com firmeza ao progresso, às mudanças para melhor e ao bem-estar social, e este teria o mérito potencializado exatamente porque o sucesso hipotético emergiria de um cenário pretensamente desolador.
Winston Churchil dizia que “o político é capaz de prever o que acontecerá amanhã, no próximo mês e no ano que vem, e, depois, explicar porque não aconteceu”.
Motta até que não teria de chegar a tanto porque fez alguma coisa, que só não repercutiram por ausência de uma política eficaz de divulgação.
Mas não tê-las feito com a intensidade esperada não seria desdouro especialmente num cenário nacional de dificuldades, além do que parece uma coisa meio óbvia que os primeiros meses e até o primeiro ano de uma administração são o momento de tomar pé da situação, mais do que implantar uma marca diferencial para o governo; mesmo para os experientes, que dirá para um debutante.
Não seria, portanto, necessário “explicar porque não aconteceu”, muito menos da forma mais fácil, transferindo responsabilidades. A vontade de realizar dos fortes se manifesta nas ações, não somente nos discursos.
Garcia, o decano político destronado em 2001 também derrapou fragorosamente! Incapaz de perceber que as fagulhas dissipar-se-iam numa atmosfera que lhe era (e ainda é) favorável, deixou-se atrair ao epicentro do redemoinho contribuindo para robustecer sua varredura.
Se a experiência não o traísse, certamente não teria perdido a chance de entrar mudo e sair calado na contenda, o que evitaria maiores arranhões em sua imagem e um compartilhamento em maior escala do ônus do desgaste (que houve, indubitavelmente).
Veleidade é um sentido que deveria inexistir nos políticos, porque a força despendida para o lustre ao egocentrismo é subtraída daquela necessária a medidas práticas e objetivas de interesse coletivo.
Ela caminha par e passo com a impulsividade, formando uma química danosa ao discernimento e à ponderação.
Na fogueira das vaidades ardeu a chance de o bom-jesuense conhecer ipsis literis a realidade dos fatos, já que os contendores, satisfazendo-se apenas com as agressões verbais, não procuraram o foro adequado para resolverem a pendenga, o que foi no mínimo estranho.
Como aceitar passivamente governar fustigado por uma dívida estratosférica para os padrões locais, de mais de R$ 15 milhões (propalada por Motta), se ela inviabilizaria as ações ansiosamente aguardadas pelos bonjesuenses? A Lei de Responsabilidade Fiscal serve para quê?
Por outro lado, por que não levar às barras dos tribunais quem “inventa tamanha maledicência", “apresenta tantos dados levianamente com uma irresponsabilidade infantil”, no dizer do próprio Garcia?
Resumo bufo da ópera ou epílogo da ópera bufa: como invariavelmente ocorre nos meios políticos, fica o dito pelo não dito e quem sabe, se as circunstâncias futuras o exigirem, acontece uma dobradinha Motta x Garcia em nome do “interesse maior do bom-jesuense”, claro que após a devida reconciliação com as parolagens de praxe?
De certo mesmo é que todos saíram chamuscados das altercações: Garcia, por ter enfraquecido a aura de político sereno e ponderado. Seu desagravo intempestivo, a meu ver, em nada contribuiu para amainar o impacto das notas negativas. Acho até que contribuiu para corroborar as “ilações”;
Motta, por seu turno, assentou mais alguns tijolos no muro da desconfiança que o povo tem sobre sua capacidade gerencial. O destempero não é exatamente o que se espera de quem exerce a autoridade máxima numa sociedade. E, por fim, o terceiro personagem, o que mais perdeu, que é o povo bom-jesuense.
Este, que merecia ter no equilíbrio de seus comandantes uma solução para suas prementes questões socioeconômicas, vê impotente que o tempo e as elucubrações vão sendo gastos nas celeumas inférteis e absolutamente desnecessárias.
“Quando adoecemos, queremos um médico extraordinário. Se temos uma construção a fazer, queremos um engenheiro fora de série. Somente quando estamos na política é que nos contentamos com homens comuns. (Herbert Hoover).
Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em fevereiro/2002
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