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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Carta aberta ao governador do Espírito Santo

www.robsonpiresxerife.com
Senhor governador Paulo Hartung

Vidas serão sacrificadas por negligência do Estado.

A rodovia ES 297, que liga Bom Jesus do Norte ao trevo com a BR 101 ameaça se transformar em rodovia da morte por culpa do DER, que a abandonou à própria sorte e às intempéries.

Verdadeiras crateras na pista, em especial no trecho a partir de Ponte do Itabapoana (distrito de Mimoso do Sul), por milagre ainda não redundaram em tragédia. 

Os usuários que trafegam naquela via certamente fariam este apelo, rogariam de V.Exa. providências imediatas antes que vidas inocentes sejam ceifadas. 

E o senhor, mais que meramente por uma questão administrativa, mas sobretudo por um desagravo preventivo da própria consciência haverá de tomar as medidas necessárias e contrariar a percepção de que as autoridades só as tomam depois que o sinistro acontece. 

As armadilhas oriundas do crime de omissão, senhor governador, são compostas de descaso e irresponsabilidade. 

Ainda que o poder público estadual esteja engessado por crises políticas, econômicas e policialescas que parecem não ter fim, nada justifica tamanho desleixo e pouco caso com a vida humana. 

O pouco tempo que o senhor está à frente do Executivo tampouco vale como desculpa, até porque os buracos têm a mesma idade e não podem ser contabilizados juntos à pilha de mazelas herdadas, senão nas novas mazelas que espera-se não perpetuem. 


Seu antecessor, acusado de ter deixado “buracos” astronômicos nas finanças do Estado, ao menos tapava os das estradas (pelo menos desta específica), presume-se que para legar algo de útil. 


O senhor e muitos de seus assessores talvez não tenham a real percepção do perigo porque se utilizam quase sempre de veículos aéreos, além do que nossa região, muito embora seja a mais carente, historicamente pouco recebe visitas ilustres, exceto nas épocas de campanhas eleitorais. 

Mas se o senhor por acaso vier a trafegar por aquela rodovia, ficará estarrecido com a precariedade das condições e, aceite o conselho, decuplique a atenção.

Como subsídios à sua prestimosa equipe do setor responsável (perdoe a ironia), no km 3 há um buraco de quase 10 metros de comprimento com mais de 10 de profundidade, que invadiu metade da pista;

No km 13 há outro, impávido, bem no centro da rodovia, aguardando pequeníssima desatenção dos motoristas; 

No km 15, para variar, fortalecer o risco e elevar à milésima potência a adrenalina dos que aos poucos vão adquirindo experiência para esportes radicais, há um bem em cima da ponte sobre o rio Muqui. 

Todos esses buracos-mãe orgulham-se de seus filhotes robustos e netinhos perversos, traiçoeiramente acomodados ao longo de toda a rodovia, que fazem a alegria dos mecânicos de automóveis.

Desculpe-me a contundência, governador. É que pelo que     depreendi dos seus discursos de campanha, julgava que esta missiva nunca fosse necessária!


Autor: José Henrique Vaillant - Publicada em maio/2003

Ignácio e a oposição

José Ignácio Ferreira
E indiscutível que a imagem do governador José Ignácio Ferreira ficou comprometida, e muito, com as denúncias e as evidências de que há corrupção no governo do Espírito Santo. 

Isso muda completamente o cenário para as eleições do ano que vem porque fortalece uma oposição que, a despeito de contar com nomes do vulto de um Paulo Hartung, de um João Paulo Velloso Lucas, de um Theodorico de Assis Ferraço e outros não menos relevantes, era considerada dispersa e sem grandes possibilidades de aglutinação e harmonia. 
Paulo Hertung

Ficou, portanto, como grande trunfo dessa corrente não uma convergência de cunho ideológico - como seria ideal -, mas a conquista de uma importante via de acesso ao poder, tomada de forma estabanada unicamente pelas denúncias, passando ao largo de um debate amplo e consistente sobre matérias programáticas.

Esse é o ponto nevrálgico da coisa. É esse o maior pecado das oposições. Não que as denúncias não devam ser feitas e levadas ao último termo de desenlace.
 

Elas obrigatoriamente têm de ser difundidas, apuradas com rigor, e se for o caso produzir punições exemplares.
 
Só que elas aparecem de forma acintosamente eleitoreiras, numa abordagem sensacionalista e não dissimulada de princípios persecutórios do poder a qualquer custo, fato que diminui a credibilidade do algoz e minimiza os efeitos bombásticos da catilinária.

No caso do Governo do Espírito Santo, as acusações são graves, consistentes, mas nada ficou comprovado ainda contra o governador José Ignácio, propriamente, tal como tem acontecido inclusive com o presidente FHC em vários casos ao longo dos seus dois mandatos. 

Ignácio garante com isso uma boa reserva de oxigênio e poderá até restabelecer suas forças, providência que já iniciou, destituindo o primeiro escalão que estava na berlinda e integrando-se mais ao Legislativo, ao qual passou a depender como ao ar que respira. 

Se essa união política possibilitar casamento, então as forças oposicionistas terão forçosamente de enfrentar um adversário ainda grogue mas com grande poder de fogo pela imagem que construiu de um político moderno e eficiente, reconhecido por resgatar as finanças do estado e implementar reformas de base importantes. 

Por ironia, esse poder pode até mesmo ser reforçado pelo titubeio da oposição em agregar nomes de consenso, porque é grande o número de pretendentes em suas hostes.

No tabuleiro da política estadual, fica no momento uma impressão de largo favoritismo para os antagônicos, mas a exemplo do futebol, o jogo só acaba quando o árbitro dá o apito final. 

E se José Ignácio for um estrategista do naipe do ex-treinador Oto Glória (1917 - 1986) como exemplo, ele consegue reverter o placar, na pior das hipóteses dando muito trabalho ao adversário.

Dessa briga pode emergir o desagravo em forma de desenvolvimento para o Estado e mais transparência nos atos administrativos para o capixaba.

Autor: José Henrique Vaillant - Publicado em junho/2001